'Querem me fazer de pão e circo', diz Denise Rocha, Furacão da CPI

Por Clarissa Oliveira e Luciana Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Ex-assessora que teve vídeo íntimo divulgado na web acusa o DEM de prometer e não pagar R$ 400 mil para fazer campanha

Conhecida como Furacão da CPI depois de ter um vídeo íntimo divulgado na internet, a ex-assessora parlamentar e hoje empresária e modelo Denise Rocha disse ter conhecido a “face suja e covarde” da política após os atritos que teve com a direção do DEM. Aproveitando a fama conquistada nos tempos da CPI, Denise pretendia se lançar a uma vaga de deputada na Câmara Legislativa do Distrito Federal.

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Denise acusa a direção do DEM de ter prometido R$ 400 mil em recursos para financiar sua campanha, com a garantia de que não sairia "um tostão" do seu bolso. O dinheiro, diz ela, nunca veio. Em entrevista ao iG, Denise, que se diz vítima de preconceito por ter um corpo bonito, acusou o DEM de agora tentar desgastar sua imagem.

Assista à entrevista:

“Como o DEM está para ser um partido nanico, isso é sabido, colocaram a Denise aqui querendo me fazer de ‘pão e circo’. Só que eu não vou entrar na jogada deles”, afirmou a ex-assessora parlamentar, que foi revelada em 2012 pelo Poder Online, pela repercussão que provocava nos corredores do Congresso durante a CPI.

Advogada por formação, Denise escolheu um terninho cinza para a entrevista. Queixou-se recorrentemente do fato de a imprensa mostrá-la em fotos de biquíni. Denise reclamou que o presidente da legenda no Distrito Federal, Alberto Fraga, tem se referido a ela nas redes sociais como “vulgo furacão da CPI”. Ela também disse que não gostou da avaliação feita por ele nas redes sociais que indicam que sua capacidade política estaria ligada aos “atributos físicos”. Fraga, diz ela, fez posts em um grupo de mensagens que reúne todos os deputados do DEM, nos quais procurou desqualificá-la.

Denise diz que, em todo o processo, foi vítima de “machismo”. “Fraga me perguntou se eu não achava que a maioria dos meus votos seria de homens porque eu sou bonita”, reclamou. "Eu disse que não. Que a maioria dos meus votos seria de mulheres, crianças e famílias, porque sabem da minha personalidade, do quanto eu sou guerreira e que eu não tenho o rabo preso com ninguém", emendou.

O apelido de Furacão da CPI vem dos tempos em que Denise era assessora política do senador Ciro Nogueira (PP-CE), na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que apurou o esquema de corrupção comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, a CPMI do Cachoeira. Foi nessa época que um vídeo em que aparece tendo relações sexuais foi lançado na internet. Após a repercussão, ela posou para uma revista masculina, trabalhou como ring girl em lutas de UFC e participou do reality show “A Fazenda”. Há dois meses, Denise abriu uma lanchonete de comida natural em Brasília.

Denise Rocha disse ter conhecido a 'face suja e covarde' da política durante entrevista ao iG. Foto: Alan SampaioA ex-assessora parlamentar é hoje empresária e modelo. Foto: Alan SampaioO apelido de Furacão da CPI vem dos tempos em que Denise era assessora política de Ciro Nogueira (PP-CE). Foto: Alan SampaioDenise pretendia se lançar a vaga de deputada na Câmara Legislativa do Distrito Federal. Foto: Alan SampaioDenise Rocha fez diversas acusações à direção do DEM. Foto: Alan Sampaio

Ela lamentou que a notícia de sua candidatura e as confusões com o DEM tenham ressuscitado comentários sobre a divulgação do vídeo que, segundo ela, foi colocado na internet com o intuito de desviar o foco da CPI. “Depois não deu em nada, como não dará em nada a CPI da Petrobras. Como toda CPI não tem dado em nada no Congresso”, avaliou.

Arruda

Preocupada em não desgastar sua imagem, enquanto era encarada como “puxadora de votos” do DEM, Denise se recusou a tirar fotos ao lado do ex-governador José Roberto Arruda, nome do partido para o governo do Distrito Federal, mas que está na mira da Lei da Ficha Limpa. Arruda é o principal alvo de investigação do esquema que ficou conhecido com mensalão do DEM, revelado pelo iG em 2009. “Pelo que está acontecendo na mídia e os acontecimentos com o partido, eu não digo que me prejudicaria, mas não acrescentaria”, disse Denise.

Segundo Denise, o dinheiro garantir por Fraga para financiar sua campanha seria doado pelo empresário Eduardo Pedrosa, irmão da deputada distrital Eliana Pedrosa, e por Arruda.

Denise afirma ainda que o DEM declarou de caso pensado à Justiça Eleitoral que a previsão de gastos de sua campanha seria de R$ 72 milhões. Isso foi feito, segundo ela, com o objetivo de sugerir que ela teria outras fontes de recurso e não precisaria do partido para bancar os gastos da campanha. Isso, segundo ela, causou danos a sua imagem.

Denise disse ter tomado conhecimento pela imprensa, quando o Poder Online noticiou que a previsão de gastos superava a do governador Agnelo Queiroz à reeleição, que previu um teto de R$ 70 milhões. Depois disso, afirmou a ex-assessora, o partido retificou o valor para R$ 1,5 milhão, também sem sua anuência. Com base nessas declarações, diz Denise, Fraga entrou com uma representação contra ela na Justiça Eleitoral, alegando que ela não precisava da ajuda do partido para bancar os gastos da eleição.

Denise mostrou ao iG diálogos por meio de mensagens com funcionários da legenda indicando que as declarações de gastos teriam sido feitas sem seu aval. A reportagem tentou ouvir por telefone o presidente do DEM, Alberto Fraga, no entanto, não houve retorno das ligações.

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