Em sabatina no Estadão, candidato do PMDB indica que corrigirá tarifa do metrô de acordo com a inflação

O candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf , prometeu nesta sexta-feira (8) que implementará o passe livre para estudantes. "Dentro do nosso programa de educação, nós vamos fazer o passe livre de estudante", afirmou Skaf durante sabatina no auditório do jornal O Estado de S.Paulo.

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Candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, mostra celular durante sabatina no jornal o Estado de S.Paulo
Futura Press
Candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, mostra celular durante sabatina no jornal o Estado de S.Paulo

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Em São Paulo, o governo é responsável pelas tarifas dos sistemas de metrô, trens e ônibus metropolitano. Skaf estimou que a gratuidade custaria ao Estado cerca de R$ 100 milhões a R$ 150 milhões.

A promessa de criar passe livre estudantil não é nova na campanha de 2014. O candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos , também a fez. A reivindicação é a principal bandeira do Movimento Passe Livre (MPL), um dos grupos que ganharam projeção durante as manifestações de junho de 2013.

Sobre o valor do transporte público, cujo aumento para R$ 3,20 esteve na base dos daqueles protesto , o presidente licenciado da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) afirmou que fará "atualização monetária" da tarifa do metrô – hoje em R$ 3 –, o que significa corrigir os valores de acordo com a inflação. O candidato negou, porém, que pretende fazer aumento real (acima da inflação). "Aumentar preço? Não há nenhuma intenção de aumentar preço. Agora, uma atualização monetária.... se necessário, eu vou."

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Em relação às medidas contra possíveis manifestações em seu eventual mandato, Skaf se esquivou de responder se utilizará balas de borracha para conter distúrbios – o artefato foi responsável por causar a perda de um olho de um fotógrafo que cobria um protesto em 2013 . O governo de Geraldo Alckmin passou o evitar o armamento. "Isso [ uso de bala de borracha ] vai ser de um coisa específica, dependendo de cada caso", disse Skaf.

Durante sua entrevista, o peemedebista evitou mencionar o nome da presidente Dilma Rousseff  quando questionado sobre quem apoiará para a Presidência, mas indiretamente indicou que votará na candidata do PT à reeleição.

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"Sempre reiteirei que PT e PSDB são meus adversários. Então eles não estarão no meu palanque", afirmou, acrescentando que votará em Michel Temer, vice na chapa da petista e também membro do PMDB: "Mas, por coerência, não há dúvida de que meu voto é o voto do meu partido ", disse.

Veja imagens da campanha eleitoral de Paulo Skaf:

Skaf negou ter sido enquadrado por Temer por causa de sua resistência a aceitar Dilma em seu palanque. "Não é perfil do vice-presidente enquadrar pessoas e não é meu perfil aceitar enquadramento", disse.

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Durante a sabatina, Skaf também defendeu a aliança com o PP , dizendo que o apoio foi decidido pelo partido, e negou que tenha fugido de aparecer em uma foto com Paulo Maluf, presidente da sigla e investigado por suspeita de desvio de recursos públicos .

"A foto do Maluf [com o governador Geraldo Alckmin em 2010] ocorreu quando o Geraldo foi ao encontro do deputado [Maluf]. Eu não fui ao encontro do PP; foi o PP que me procurou."

Educação e penitenciárias

O candidato do PMDB prometeu que, a partir de 2016, todos os alunos que ingressarem na 1ª série do ensino fundamental nas escolas estaduais estudariam em tempo integral e sem aprovação automática. O modelo seria estendido para uma série a cada ano, até a 9ª série. "Quem entrar na escola do Estado em 2016 na 1ª série do ensino fundamental entrará em tempo integral sem progressão continuada (nome da aprovação automática)", afirmou na sabatina.

Em média, a medida abarcaria cerca de 120 mil estudantes por ano até a 6º série, quando o número subiria para 400 mil em razão da necessidade de atender também os estudantes da rede municipal de ensino.

"Mas como é tudo feito e implantado ao longo de nove anos de forma responsável, há como se adaptar o orçamento."

Segundo Skaf, o governo teria de investir cerca de  R$ 1 bilhão para adaptar a estrutura da rede estadual à implementação do ensino integral em progressão continuada.

No ensino médio, Skaf propôs que os alunos da 2ª e 3ª séries possam fazer cursos técnicos gratuitos nas unidades do sistema S – como Senai e Senac.

Na entrevista, o candidato do PMDB afirmou que pretende privatizar a gestão das penitenciárias e adotar o sistema de parcerias público-privadas para a construção de novas unidades. "Pode ser [gerido pela iniciativa privada]. Temos exemplos muito bons em Londres e em Madri de penitenciárias privadas que nós pretendemos fazer sim", afirmou.

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Skaf também não respondeu se implementaria o racionamento de água se eleito, afirmando que essa medida já está em vigor. "O governo não quer falar de racionamento, [mas] está existindo", disse em referência à redução da pressão da água durante a noite que tem sido adotada pela Sabesp. O governo do Estado nega que a medida se equipare a um racionamento. Na segunda, durante sua sabatina no Estadão, Alckmin caracterizou como 'equívoco' o uso político da crise hídrica .

O professor da USP Delfim Netto, deputado federal pelo Partido Progressista (PP) - que íntegra a coligação de Skaf -, acompanhou o debate da plateia. O parlamentar tem colaborado com o programa econômico da candidatura, segundo a equipe de Skaf.

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