Patrocínio a Facebook de Alckmin é duplamente irregular, diz MPF

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Tesoureiro do PSDB pagou R$ 17 mil para promover página do candidato de SP; procuradores pedem aplicação de multa

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) beneficiou-se de propaganda eleitoral "duplamente irregular" ao ter sua página no Facebook promovida mediante pagamentos, avalia a Procuradoria Regional Eleitoral em São Paulo (PRE-SP).

Felipe Sigollo: Tesoureiro do PSDB pagou para promover Alckmin no Facebook

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Entre outubro de 2013 e junho de 2014, a página de Alckmin no Facebook foi promovida por meio de links patrocinados, ferramenta pela qual a rede social amplia a exposição de um determinado conteúdo mediante pagamento.

Suposto link patrocinado com foto de Alckmin com Pelé teria garantido 5 mil seguidores à página do governador, acusa campanha de Skaf. Foto: Reprodução - 23.7.14Outro suposto link patrocinado de Alckmin no Facebook, denunciado pela campanha de Skaf. Foto: Reprodução - 23.7.14Segundo denúncia de Skaf, Alckmin levou 4 anos para conquistar 100 mil seguidores e seis meses levar número a 320 mil. Foto: Reprodução - 23.7.14Skaf, por sua vez, usou pegadinha com promessa de publicação de foto de macacão e chuquinha para atrair seguidores. Foto: Reprodução - 21.7.14

Os links custaram cerca de R$ 17 mil e foram pagos por Felipe Sigollo, tesoureiro do diretório estadual do PSDB em São Paulo e diretor da Companhia Paulista de Obras e Serviços (CPOS).

A equipe de Paulo Skaf (PMDB), principal adversário de Alckmin na disputa pelo governo de São Paulo, afirma que a prática ajudou o tucano a turbinar seu número de seguidores no Facebook – apenas um dos links teria garantido cerca de 5 mil novos fãs em duas semanas. Alckmin tem cerca do triplo de seguidores de Skaf.

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Os advogados do peemedebista pediram, então, que a Justiça eleitoral obrigasse o Facebook a desvincular os seguidores conquistados por meio dos links patrocinados e punisse Alckmin por propaganda irregular.

Em parecer entregue nesta quarta-feira (6) à Justiça Eleitoral, a PRE-SP avaliou que a prática, além de ter configurado propaganda eleitoral antecipada – por ter ocorrido antes de 6 de julho de 2014 –, também configura propaganda paga na internet, prática que é vetada pela legislação eleitoral.

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Em nota, o presidente do Diretório Estadual do PSDB, Duarte Nogueira, informou que respeitar, mas discordar da posição da PRE, e que aguardaria a decisão judicial.  Quando o dado veio à tona, no último fim de semana, a equipe do tucano argumentou que Sigollo havia feito o pagamento em "caráter pessoal" e que a prática estava dentro da lei.

O procurador Paulo Thadeu Gomes da Silva, porém, não recomendou que o Facebook desvincule os seguidores de Alckmin obtidos por meio da propaganda. A multa por propaganda paga na internet varia de R$ 5 mil a R$ 30 mil. A aplicação depende de decisão do juiz responsável pelo caso.

O procurador não recomendou multa por propaganda antecipada – a equipe de Skaf não pediu.

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