Tucano pretende criar pasta com Pesca e Agricultura e critica o que caracterizou de ocupação política sucessiva do ministério

O candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves , prometeu nesta quarta-feira (6) agrupar o Ministério da Pesca ao Ministério da Agricultura para formar um “superministério”. Durante encontro com empresários do setor do agronegócio na Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, em Brasília, o tucano também fez críticas ao que chamou de “ocupação política” do ministério.

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Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, participa de encontro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil
Alan Sampaio / iG Brasília
Candidato do PSDB à Presidência, Aécio Neves, participa de encontro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil

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“O Ministério da Agricultura deve sair do balcão de negócio a que está submetido hoje”, disse Aécio. O tucano engrossou a lista de promessas para o primeiro dia. Ele, que havia dito na semana passada que faria uma simplificação do sistema tributário no primeiro dia de um eventual governo, prometeu agora fazer a mudança do layout ministerial também no primeiro dia. “O retrato mais claro da pouca atenção que o atual governo dá ao setor é a forma como o Ministério da Agricultura sucessivamente vem sendo ocupado”, criticou o senador mineiro.

“Criarei no primeiro dia de governo um superministério da Agricultura. Vou incluir a Pesca novamente no ministério”, afirmou o tucano. Segundo ele, o futuro titular da Pasta terá assento prioritário no Executivo. “(O ministério da Agricultura) terá igualdade de condições ao lado dos ministérios da Fazenda e do Planejamento”, declarou. “O ministro da Agricultura não será subordinado ao Ministério da Fazenda e tão pouco ao presidente do Banco do Brasil”, prometeu o candidato.

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Após a palestra que concedeu para os empresários do setor do agronegócio, Aécio explicou que a junção dos ministérios não significará diminuição da importância das agendas políticas dessas pastas. “Não pretendo diminuir ou relativizar a importância de quaisquer atividades que são hoje executadas por esses ministérios. Acho até que muitas delas terão maior efetividade se definidas suas prioridades, suas estratégias de forma menos onerosa, menos burocrática do que como a estrutura ministerial se encontra hoje. Na verdade, grande parte dos ministérios que estão aí não foram criados com foco na eficiência do resultado e na prestação do serviço, mas sim, alguns deles, na ampliação da base de apoio e outros na contemplação, no atendimento aos vários grupos que existem dentro do partido da presidente. Não desprezo nenhuma dessas atividades”, declarou.

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MST

Aécio também disse que pretende promover mudanças na forma como o governo tratará as invasões de terras no campo. Segundo ele, as fazendas invadidas não serão desapropriadas pelo prazo de dois anos. “Respeitamos o direito de propriedade”, resumiu o tucano sob aplausos gerais da plateia de empresários do agronegócio.

Questionado em entrevista posterior sobre como pretende dialogar com o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra, Aécio evitou polemizar, respondendo que seu eventiual governo “será um cumpridor da lei, mas sempre aberto ao diálogo”.

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Aécio apresentou dados e disse que, dos 72 milhões de hectares entregues pelos últimos três presidentes para a reforma agrária, a presidente Dilma Rousseff teria sido aquela que menos assentou. “Foi o governo da atual presidente quem fez menos pela reforma agrária. Dos 72 milhões de hectares, apenas 2,5 milhões foram distribuídos no
governo da presidente”, declarou o tucano.

O senador mineiro declarou que a política agrícola do Brasil é “extremamente burocratizada”, acrescentando que isso causa um conflito permanente dentro do Estado, “quase que se eternizando” em questões que poderiam facilmente ser resolvidas.

Da mesma forma que o presidenciável do PSB, Eduardo Campos , o primeiro a apresentar suas propostas durante o encontro desta quarta , Aécio também criticou a política externa do Brasil e prometeu que a prioridade será o comércio.

O senador afirmou também que promoverá mudanças tributárias para desonerar o setor e fomentar exportações. Além disso, declarou que, caso seja eleito, dará “prioridade zero” ao combate do chamado “custo Brasil”, termo que descreve os entraves para o investimento no País e para a competitividade da indústria nacional, para “resgatar a capacidade competitiva” do setor agropecuário.

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