Padilha (PT) e Skaf (PMDB) priorizam crise hídrica em plano de governo e devem explorar tema à exaustão no horário eleitoral

A água que falta na torneira do paulistano virou o tema central da campanha pelo governo paulista e deverá se transformar na principal arma dos adversários do governador Geraldo Alckmin, candidato a reeleição pelo PSDB, e líder disparado nas pesquisas eleitorais para levar a eleição para o segundo turno.

Os candidatos Alexandre Padilha, do PT, e Paulo Skaf, do PMDB, não só estruturaram seus planos de governo priorizando as propostas para resolver a crise hídrica – a maior dos últimos 86 anos –, como devem explorar o tema à exaustão no horário eleitoral gratuito.

Veja quem são os candidatos ao governo de São Paulo:

O coordenador da campanha de Alckmin, deputado federal Edson Aparecido, diz que o governo adotou todas as medidas que estavam ao alcance e rechaça a tentativa de gerar desgaste ao candidato tucano. “Quem tentar tirar proveito vai se dar mal. As pesquisas estão mostrando que a população está entendendo que a crise decorre de um fenômeno natural. A tentativa de gerar desgaste não está colando”, afirma Aparecido.

Segundo ele, embora sob a ameaça de enfrentar um processo judicial, que pode ser movido pelo Ministério Público Federal, certo de que há reservas hídricas, Alckmin não fará o racionamento, conforme já sugeriram os órgãos técnicos especializados no assunto.

Entenda: MPF recomenda que governo de SP implemente racionamento de água

Como um dos sistemas de abastecimento, o de Cantareira, pertence ao governo federal, a principal crítica a gestão tucana é a falta de planejamento para enfrentar o problema, já que o plano de outorga, de 2004, exigia um plano emergencial que, segundo os adversários, nunca foi adotado.

“O PSDB fala muito em cumprir contratos, mas rasgou um contrato com a população paulista ao não fazer o que tinha que ser feito”, cutucou Padilha, que esta semana lançou seu plano de governo para solucionar a crise hídrica. O plano de contingência, uma das exigências da outorga, se encerra nessa segunda-feira, segundo ele, sem que o governo paulista tenha apresentado estudos e ações necessárias.

PT: Padilha só quer saber de crise da água

Padilha e Skaf não combinaram, mas ambos batem na tecla da falta de transparência do governo em encaminhar a questão. O governo não quer admitir o racionamento, mas até as pedras sabem que a água vem sendo sistematicamente cortada através de silenciosos cortes, num sistema de rodízio.

Skaf diz que a escassez de água vem sendo conduzida sem nenhuma transparência e afirma que o governo está agindo por conta do calendário eleitoral. “A prioridade deve ser a adoção de medidas que garantam o melhor uso possível dos recursos hídricos do Estado, não um planejamento baseado em critérios eleitorais que contradizem orientações de especialistas”, diz Skaf.

Veja vídeo: Para Skaf, SP demorou para iniciar racionamento

O candidato do PMDB acha que, além da transposição do Rio São Lourenço, o governo deveria adotar outras alternativas, como a expansão da represa Billings e a reversão do Rio Itatinga-Rio Itapanhaú, no Alto Tietê. Skaf é contra mexer no sistema do Rio Paraíba. Ele acha que haveria, no futuro, risco de abastecimento na região e no Rio de Janeiro.

Os dois principais adversários de Alckmin acham que como medidas emergenciais o governo deveria atacar o desperdício – que consome um terço da água captada – em decorrência das péssimas condições da rede de tubulação da Sabesp.

“O governo está mostrando para a população que a crise hídrica, resultado da estiagem, é mais ampla e pode, inclusive, gerar problemas no abastecimento de energia, que é um problema do governo federal”, diz Edson Aparecido. Segundo ele, há estudos mostrando que o quadro pode mudar em setembro em função do El Ninho, fenômeno natural que começaria nos Andes e poderia provocar chuvas em São Paulo nas regiões das represas. Segundo ele, os técnicos avaliam que as reservas atuais são suficientes para garantir o abastecimento até fevereiro do ano que vem.

Ibope: Alckmin tem 50%, Skaf, 11%, e Padilha, 5%

Com possibilidade de vencer a eleição no primeiro turno – a pesquisa mais recente, do Ibope, dá a ele 50% contra 11% e 5% atribuídos a Skaf e Padilha –, Alckmin também está preparando sua defesa para se desviar das críticas, um sintoma de que ele sabe que a água que falta na torneira pode, sim, minar seu favoritismo.

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