Há um mês no novo emprego, Dirceu age como funcionário padrão e evita política

Por Wilson Lima I iG Brasília |

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Ex-ministro recebeu o primeiro salário – R$ 2,1 mil – e foi alvo de piada do novo chefe: ‘Zé, me empresta um trocado?’

Durante o primeiro mês de trabalho externo em um escritório de advocacia em Brasília, o ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu tem evitado falar internamente sobre temas polêmicos, como as eleições deste ano ou mesmo a aposentadoria do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa. Em um mês de trabalho, ele tem dito a colegas e amigos que já está adaptado ao novo ambiente e que pretende apenas iniciar uma vida nova.

Condenado a sete anos e 11 meses no julgamento do mensalão, Dirceu começou a dar expediente no escritório do advogado José Gerardo Grossi, localizado no edifício Empire Center, na região central de Brasília, no dia 03 de julho. No primeiro dia, Dirceu estava visivelmente mais magro, chegou por volta das 7h50, ficou meia hora esperando a abertura do escritório e foi embora por volta das 18h10.

José Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia no primeiro dia de trabalho em Brasília. O salário dele é de R$ 2,1 mil. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Primeiro dia de trabalho de José Dirceu 3José Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG Brasília

Nos dias seguintes, conforme o iG apurou, Dirceu procurou levar uma rotina igual à de um funcionário comum. O próprio dono do escritório afirma que o ex-ministro é um colaborador como outro qualquer. Grossi diz que não permite a visita de políticos ou membros do Partido dos Trabalhadores (PT) no local. “O escritório é um complemento do regime prisional dele. Em um primeiro momento, houve uma excitação da parte dele, ele ficou emocionado (ao poder ver uma paisagem diferente da prisão). Mas, agora, ele já está adaptado à nova rotina”, analisou Grossi.

Saiba mais: Primeiro dia de trabalho de Dirceu tem sanduíche, marmita e lágrimas

Neste primeiro mês de trabalho, Dirceu tem recebido a visita da esposa que leva sempre uma “marmita” para o ex-ministro-chefe da Casa Civil pelo menos duas vezes por semana. Nos outros dias, ele pede almoço por telefone e não sai do escritório em momento algum. Ele quer evitar exposições ou eventuais problemas com a Justiça. Nos arredores do escritório, Dirceu é visto apenas no início da manhã, quando chega para trabalhar sempre escoltado dois auxiliares de escritórios de advocacia que prestam serviço para o ex-ministro, e no início da noite, quando deixa o local. Sempre, ele chega e sai em um automóvel utilitário preto de sua propriedade. O carro tem valor de mercado de aproximadamente R$ 150 mil.

Considerado sério e compenetrado no trabalho, Dirceu mantém apenas conversas pontuais com os demais funcionários do escritório, sobre temas amenos relacionados à vida e à alegria de estar livre novamente. Nas conversas, ele ainda tira pequenas dúvidas sobre a rotina do estabelecimento de trabalho. O ex-ministro é responsável pela organização da biblioteca do escritório, que tem aproximadamente 2 mil títulos. A expectativa é de que ele consiga concluir a organização da biblioteca em agosto e, após a conclusão desse trabalho, exercerá a função de auxiliar administrativo.

Wilson Lima/iG
Espaço onde José Dirceu trabalha, em um escritório de advocacia em Brasília


Uma das conversas mais polêmicas das quais Dirceu participou não foi sobre política, nem sobre a atual conjuntura sócio-econômica brasileira, mas sim o motivo do “apagão” da Seleção Brasileira na goleada da Alemanha, na semifinal da Copa do Mundo. Para Dirceu, houve de fato um “apagão” e o maior erro foi do técnico Luís Felipe Scolari, que, segundo ele, “não apresentou o Dante ao David Luís”. Os dois foram os zagueiros que atuaram no 7x1 da Alemanha contra o Brasil.

Na quinta-feira última (31), Dirceu recebeu seu primeiro contracheque, no valor de R$ 2,1 mil. Ao receber o documento, o petista assinou a ficha como qualquer outro funcionário e foi alvo de uma brincadeira do novo chefe. “Zé, me empresta um trocado?”, disse Grossi a Dirceu na quinta. O ex-ministro respondeu com risos, mas tem dito neste primeiro mês de trabalho a colegas que pretende, somente, “iniciar uma nova vida”.

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