Justiça quer saber quem pagou suposto patrocínio à página do tucano; rede social já havia obtido um adiamento

O Facebook pediu, pela segunda vez, mais prazo à Justiça Eleitoral para entregar informações sobre supostos links patrocinados que teriam promovido o perfil de Geraldo Alckmin (PSDB) na rede social.  

O processo foi iniciado pela equipe de Paulo Skaf (PMDB) , que acusa o tucano – seu principal adversário na eleição para o governo de São Paulo – de fazer propaganda eleitoral irregular ao angariar seguidores por meio de links patrocinados.

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O juiz Marcelo Coutinho Gordo determinou que o Facebook informe quem pagou pelos links denunciados pela campanha de Skaf. O prazo original terminava em 25 de julho, mas a rede social conseguiu uma extensão até as 17h desta quinta-feira (31) e, no mesmo dia, solicitou mais prazo. 

A solicitação ainda tem de ser apreciada pelo juiz, que na última decisão estabeleceu uma multa de R$ 10 mil por dia caso o Facebook não entregasse os dados no prazo.

Advogado de Skaf, Fernando Neisser diz que a multa é irrisória perto do faturamento do Facebook – R$ 17 bilhões no mundo em 2013.

"Pedimos [ ao juiz ] o aumento da multa para R$ 200 mil por dia ou que haja uma notificação do responsável legal do Facebook para que cumpra a decisão imediatamente sob pena de responsabilização por crime de desobediência", afirma  o advogado, ao iG .

Procurada, a empresa não se manifestou imediatamente.

Skaf acusa Alckmin de pagar para ser popular

Os links patrocinados são uma ferramenta de publicidade pela qual um usuário paga ao Facebook para ganhar mais exibição na rede social. A legislação proíbe propaganda eleitoral paga na internet, mas deixa dúvida se a regra vale para o qualquer época ou apenas período oficial de campanha, que começou em 6 de julho.

Os links patrocinados que promoveram a página de Alckmin foram publicados antes dessa data.  Os advogados de Skaf alegam que os links  patrocinados têm "expressa conotação eleitoral" e que garantiram a Alckmin 5 mil novos seguidores em duas semanas, o que lhe daria vantagem indevida em comparação aos demais candidatos.

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Skaf, que é bem menos popular que Alckmin no Facebook – tem 107 mil seguidores ante 342 mil do tucano – quer a exclusão dos seguidores que o adversário conquistou por meio dos links patrocinados.

Procurados, os respresentantes da campanha de Alckmin informaram que não comentariam o caso. No último sábado (25), um dos advogados da campanha do tucano acusou Skaf de criar "factóides" para se tornar mais popular

 "Essa denúncia saiu justamente quando jornais publicaram pesquisas e o insucesso do candidato [ Skaf ] nas redes sociais. Isso está partindo ainda de um candidato que precisa prometer aparecer de macacão e chuquinha para atrair seguidores", atacou Ricrado Penteado, em entrevista ao  iG .

Segundo o Ibope de 26 a 28 de julho, Skaf tem 11% das inteções de voto, ante 50% de Alckmin.



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