Coordenador da campanha de tucano diz que Alckmin disputará mais como governador e menos como candidato

Todo o marketing da campanha do governador Geraldo Alckmin será focado no desempenho da administração tucana em São Paulo. “Alckmin fará campanha mais como governador e menos como candidato”, diz o deputado federal Edson Aparecido, coordenador geral da campanha em São Paulo.

Embora as pesquisas apontem que Alckmin venceria a eleição no primeiro turno – na mais recente, do Ibope, ele aparece com 50% da preferência, contra 11 de Paulo Skaf (PMDB) e 5 de Alexandre Padilha (PT) – Aparecido garante que o comando da campanha “está com os pés no chão e sem empolgação fora do limite”.

Com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin terá presença reduzida no corpo a corpo da campanha de releição ao Governo de São Paulo
Divulgação/Governo SP
Com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto, Alckmin terá presença reduzida no corpo a corpo da campanha de releição ao Governo de São Paulo


Segundo o deputado, o dado mais relevante para os coordenadores da campanha é o alto índice de aprovação do governo que, na mesma pesquisa, está em 40% de ótimo/bom e 38% de regular. “Nós achamos que a aprovação do governo pode elevar o desempenho na preferência eleitoral”, aposta o coordenador tucano.

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Aparecido afirma que Alckmin vai ampliar a agenda de “vistorias” às obras e deixará o grosso do corpo a corpo para os 2.300 candidatos a deputado (estadual e federal) que, segundo ele, estão com a missão de fazer “uma campanha sem candidato”. Alckmin percorrerá o interior, mas concentrará esforços na região metropolitana, que tem metade dos 32 milhões de votos paulistas.

O alvo dos tucanos são bastiões eleitorais do PT, como a Zona Leste da capital, região com o eleitorado predominantemente nordestino e onde o PSDB reconhece a força e o carisma do principal cabo eleitoral do PT, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Sila. A periferia como um todo, apesar do volume de obras levadas pelos tucanos nos últimos 20 anos, é majoritariamente petista.

Os marqueteiros do tucanato estão empenhados em gravar imagens de obras do governo Alckmin, cujo carro-chefe será o setor de transporte/mobilidade urbana. O termômetro para o desempenho será a propaganda gratuita no rádio e televisão, considerada por Aparecido, como “a artilharia em alta escala militar”, enquanto a campanha de rua tocada pelos 14 partidos da coligação funcionará como o que ele chama de “infantaria”.

Calcanhar de aquiles 

Aparecido acha as pesquisas mostram que os principais adversários, Skaf e Padilha, vão brigar por um segundo lugar distante de Alckmin. Mas frisa o comando tucano está preparado para enfrentar os temas considerados “calcanhar de Aquiles” do governo Alckmin e que podem aparecer no horário eleitoral a crise hídrica, as denúncias envolvendo o cartel Siemens/Alstom, segurança pública e o sistema prisional, hoje dominado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC).

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Alckmin deve aparecer no horário eleitoral mostrando números favoráveis sobre a queda da criminalidade e responsabilizando Brasília pelo aumento do tráfico e do consumo de drogas, fatores que na avaliação dos tucanos estão associados aos homicídios e roubos. “O governo federal empurra o problema da droga para os estados, quando as fronteiras (porta de entrada de cocaína e maconha) estão desguarnecidas”, diz.

O deputado também sustenta que, ao contrário do que diz a oposição, o governo Alckmin fez um combate frontal ao PCC. “O governo não se deixou acuar e ganhou a luta contra o PCC, prendendo os principais líderes e desbaratando a estrutura financeira da facção. O PCC foi abalado”, disse.

Inquérito do Ministério Público Estadual sustenta, no entanto, que o PCC domina 90% da massa carcerária e comanda o tráfico de drogas o os grandes roubos de valores de dentro das prisões.

Alckmin, segundo ele, procurará reforçar a necessidade de integração entre as polícias estaduais e cobrará uma presença mais efetiva do governo federal na questão de segurança pública. “A percepção da população é que parte significativa dos homicídios está vinculada à droga”, afirma. Segundo ele, Alckmin defenderá seu governo nas áreas de segurança e prisional mostrando os investimentos e a redução de índices, como de homicídios, que nas últimas duas décadas regrediu de mais de 30 por 100 mil habitantes para 10,5 atualmente.

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