Em sabatina, Dilma afirma que as críticas à política econômica partem dos mesmos que desaprovam as desonerações

A presidente Dilma Rousseff disse nesta quarta-feira (30) a uma plateia de empresários que a situação da indústria no País seria bem pior caso o governo não tivesse adotado medidas anticíclicas de estímulo à produção que protegessem o Brasil da crise mundial.

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Presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, participa de encontro com empresários na CNI
José Paulo Lacerda/ CNI
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Em sabatina realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), Dilma afirmou que as críticas à política econômica partem dos mesmos que desaprovam as desonerações adotadas pelo governo em alguns momentos mais críticos e são contrários às compras governamentais como forma de incentivo a indústria.

“Como teria sido se não tivéssemos adotado medidas anticíclicas de estímulos à produção?”, questionou Dilma. “É bom lembrar àqueles que criticam que não só nos protegemos da crise, mas preparamos as bases para o crescimento”, destacou a presidente. “Esse tipo de crítica parte dos mesmos que questionam as desonerações, as compras governamentais e combatem a política industrial”, atacou a presidente.

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Dilma participa da sabatina acompanhada de seis ministros de seu governo, além dos presidentes do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine.

A presidente lembrou os investimentos na exploração de petróleo da camada pré-sal e os avanços da indústria naval que, de acordo com as perspectivas do governo, vai contratar até 2020 cerca de US$ 100 bilhões.

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A presidente disse também que seu eventual próximo governo dará prioridade à reforma tributária seguindo princípios da simplificação dos impostos, a desburocratização da arrecadação e sem sobrepor tributos. Ela aproveitou para alfinetar indiretamente a oposição que, para o governo, não contribuiu para o avanço das propostas nesse sentido que estão no Congresso. Entre essas proposta, Dilma citou as que promovem mudanças no ICMS, PIS e Cofins.

“Não adianta prometer. Há que se dar os votos para que possamos fazer essas mudanças. Até porque todos vocês sabem que essa proposta já esteve bem próxima da aprovação”, atacou Dilma.

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Ao ser interrompida pela mediadora da sabatina, devido ao esgotamento do tempo, Dilma demonstrou irritação. “Eu tenho que dizer o que eu fiz. Se eu fiz, eu tenho condições de fazer”, retrucou a presidente que seguiu falando mesmo com o tempo vencido.

Ao final da fala da presidente, a mediadora, por sua vez, explicou que a orientação de tratamento equânime dos candidatos é do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), independentemente da condição do candidato.

A presidente respondeu também sobre os esforços do governo para fazer obras públicas com mais agilidade e lembrou que seu governo tentou implantar o regime diferenciado de contratação, conhecido como RDC, que simplificava processos licitatórios. No entanto, as regras propostas pelo governo para projetos específicos não foram aprovadas pelo Congresso.

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“Nós tentamos vários mecanismos para fazer obra pública com mais rapidez. O regime diferenciado de contratação era para isso. Durante esse período, vocês se lembram da quantidade de críticas que recebemos. Diziam que, ao fazermos isso, estávamos abrindo mão dos controles e da fiscalização, o que é uma tolice”, retrucou a presidente.

Vice-presidente, Michel Temer, assisti pronunciamento de presidente Dilma Rousseff durante sabatina na CNI
Alan Sampaio / iG Brasília
Vice-presidente, Michel Temer, assisti pronunciamento de presidente Dilma Rousseff durante sabatina na CNI

Além disso, Dilma disse que o crédito em longo prazo no Brasil só passou a existir após o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva . “Antes disso, crédito em longo prazo era de cinco a sete anos. Quero ver fazer hidrelétrica em cinco e sete anos”, desafiou.

A presidente disse que fazer a reforma política, com plebiscito, será uma prioridade de seu eventual segundo mandato. “Não tenho dúvida de que o Brasil precisa de uma reforma política e só faremos efetivamente essa reforma se tivermos participação popular. Vocês se lembram que eu mandei para o Congresso uma proposta de consulta como base dessa reforma política”, destacou.

Dilma posicionou-se de forma contrária a qualquer reforma nas leis trabalhistas que não seja resultante de um diálogo das empresas, empregados e Congresso Nacional. Segundo a presidente, a exclusão dos trabalhadores da discussão da reforma só provocará um ambiente de atrito.

“Acredito que não se fará reforma trabalhista sem diálogo muito próximo entre empresários trabalhadores e Congresso Nacional. Tem de haver um processo negocial com o objetivo de atualizar toda nossa estrutura para as condições atuais. Sem esse diálogo, cria-se um padrão de desconfiança entre as partes, que passam a não respeitar mais”, disse Dilma.

A presidente foi clara ao se posicionar contrária ao fim do 13º salário e do pagamento das horas. “Do ponto de vista do governo, não queremos fazer não”, disse Dilma.

A presidente também insistiu na ideia de que há um clima de pessimismo que não deve ser estimulado em relação ao desempenho econômico. “As condições que enfrentamos a crise agora e no passado são bem diferentes”, disse Dilma comparando o período de gestão petista com os dois governos tucanos. “Se eles desempregaram 60 milhões, nós contratamos 11,5 milhões. Enfrentamos a crise sem desempregar”, disse a presidente.

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