Quatro anos depois, deputado Tiririca é 100% presente, mas invisível

Por Vitor Sorano - iG São Paulo |

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Eleito sob crítica por ser palhaço, Tiririca surpreende pela assiduidade e decepciona pela falta de eficiência nas propostas

Alan Sampaio / iG Brasília
Tiririca: o deputado tentará reeleição

Eleito o deputado federal mais votado do Brasil em 2010 com o slogan "pior que tá não fica", Tiririca de certa forma cumpriu a promessa: esteve presente em todas as votações em plenário, apresentou poucos projetos irrelevantes – como concessão de honrarias – e gastou menos verbas parlamentares do que a média dos 513 integrantes da Câmara. Os dados são do projeto Excelências, da Organização Não-Governamental (ONG) Transparência Brasil.

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Tiririca escandalizou mais como candidato – quando o Ministério Público Eleitoral tentou cassá-lo sob acusação de que ele é analfabeto e o então concorrente ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, quis evitar ter seu nome usado na campanha do palhaço de circo –, do que como parlamentar.

A assiduidade, porém, não significou eficiência: o parlamentar, candidato à reeleição em 2014, não conseguiu transformar em lei nenhuma das propostas de sua autoria, quase todas relacionadas ao setor que representa – a principal, que regulamenta  a profissão de artista de circo.

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Além disso, o parlamentar não participou de discussões relevantes do Congresso nem foi escolhido relator de muitas propostas, diz Antônio Augusto de Queiroz, analista político e diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), entidade que acompanha o trabalho do Congresso desde 1983.

"Tiririca praticamente não fez nada. O mérito dele foi não ser o escândalo que imaginavam que seria", afirma. "Ele empresta muito sua imagem para fotos [com quem visita a Casa], mas até agora não assumiu sua posição efetiva de deputado que deve formar opinião e participar dos debates."

Número de voto não significa poder

A atuação de Tiririca foi inócua, classifica Adriano Nervo Codato, professor de ciência política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), e mostra que número de votos – o artista teve 1,3 milhão –  e assiduidade não significam poder.

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"Se você for inexperiente e da base aliada [caso de Tiririca], não faz nada", afirma Codato. "A presença em votação não é um índice para medir o trabalho do parlamentar."

O professor também critica a falta de interação de Tiririca com o público, dando como contraexemplo o atacante Romário (PSB-RJ) – "também eleito a partir da fama", que debate suas propostas por meio do Facebook

Tiririca em propaganda na qual parodia Roberto Carlos: Justiça proibiu divulgação. Foto: ReproduçãoApós questionamentos na Justiça, Tiririca lançou nova propaganda, em que diz conhecer Brasília. Foto: ReproduçãoEm outro programa eleitoral, o humorista candidato aparece dançando com duas dançarinas . Foto: ReproduçãoTiririca também aparece fantasiado como o ex-jogador Pelé . Foto: ReproduçãoSucesso de Tiririca gerou cópia: em goiás, candidato concorre com mesmo visual e nome do humorista. Foto: Arquivo pessoalO humorista Tiririca na eleição de 2010, faz campanha em São Paulo. Foto: ReproduçãoPropaganda eleitoral de Tiririca na TV: "Pior que tá não fica". Foto: ReproduçãoTiririca acena ao chegar ao Congresso Nacional em Brasília, em 2011. Foto: ReutersTiririca com os deputados Paulo Freire e Heleno Silva, nos seus primeiros dias no Congresso. Foto: Agência O GloboSenador Eduardo Suplicy (PT-SP) e deputado federal Tiririca (PR-SP) cantaram Blowin' in the wind, de Bob Dylan. Foto: ReproduçãoO deputado federal Tiririca. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaRegistro de candidatura de Tiririca: o deputado disputará reeleição. Foto: ReproduçãoTiririca. Foto: Agência Brasil

Protesto contra celebridade também é enganoso

Mas o incômodo com as candidaturas de celebridades – comum em diversos locais do mundo, segundo Codato –, além de um certo preconceito, é talvez tão infrutífero com o voto nelas.

"Votar e se escandalizar são duas posições enganosas, como a atuação parlamentar do Tiririca mostrou", afirma. "São muito poucos candidatos desse tipo contra 513."

Queiroz, do Diap, aponta uma vantagem de se ter um artista de circo no Congresso. "É válida pela presença de uma minoria no Parlamento. Isso pode estimular outras minorias a participar da vida pública", afirma o analista político.

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