Candidato do PMDB não conseguiu transformar exposição dada por programas sociais do Sesi em popularidade

Mesmo tendo visitado quase metade dos municípios paulistas nos últimos anos, em eventos como inaugurações de escolas, Paulo Skaf (PMDB) continua um cidadão anônimo para boa parte do interior paulista – justamente o território em que seu principal adversário na corrida ao governo do Estado, o governador  Geraldo Alckmin (PSDB) , costuma ser muito forte.  

Nas cidades com menos de 50 mil habitantes – que concentram 17 % do eleitorado de São Paulo  – o presidente licenciado da  Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) é desconhecido por 80% da população, segundo o coordenador de sua campanha, o ex-governador paulista Luiz Antônio Fleury Filho.

Skaf na viagem à região de Franca: candidato pouco conhecido e rejeitado nas pequenas cidades
Divulgação - 25.7.14
Skaf na viagem à região de Franca: candidato pouco conhecido e rejeitado nas pequenas cidades

Tal anonimato persiste mesmo após o Sesi-SP, ligado a Fiesp, priorizar justamente esses municípios na implantação do Programa Atleta do Futuro (PAF), que vem sendo usado pela campanha de Skaf para promover o candidato.

Segundo levantamento feito pela reportagem iG , dos 268 municípios atendidos pelo PAF, 61% têm até 50 mil habitantes – 85% tem até 200 mil. Lançado em 2009, o programa foi turbinado em 2013 e 2014, quando Skaf apareceu nas pesquisas de intenção de voto para governo do Estado.

"O grau de desconhecimento [ no Estado ] é de 60%. Só 40% o conhecem e esses 40% estão situados em grandes cidades", afirma Fleury, ao iG .

Justamente por esse motivo, as visitas de Skaf ao interior vão incluir périplos pelos pequenos municípios que ficam nas redondezas dos grandes centros. Na última sexta-feira (25), quando desembarcou em Franca para sua primeira viagem, Skaf passou por cidades como Orlândia (42 mil habitantes), São Joaquim da Barra (49 mil), Ituverava (40,5 mil), Nuporanga (7,2 mil), Batatais (59,7 mil) e Guará (20,7 mil).

A ideia é que haja viagens ao interior toda sexta-feira e todo sábado. O resto da semana deve ser dedicado para eventos na capital. 

Veja imagens da campanha de Paulo Skaf: 

Mesmo com exposição, voto espontâneo segue baixo

A exposição de Skaf ao público do interior –  no fim de maio, ele inaugurou uma escola  do Sesi em Franca, por exemplo  – também não foi suficiente para cativar o eleitor. De acordo com o Datafolha, a porcentagem dos que declaram voto espontaneamente (sem saber quem são os candidatos) no pemedebista na região caiu de 2% para 1%, entre junho de 2013 e julho de 2014. 

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E, mesmo na pesquisa estimulada (em que os nomes dos candidatos são citados), a intenção de voto em Skaf nas cidades com até 50 mil habitantes é de 10%, inferior aos 16% de média do Estado. Além disso, nesses locais a rejeição ao nome do ex-presidente da Fiesp é de 28%,  a maior entre todos os candidatos.

Fleury questiona a percepção da pesquisa. "Ele não tem rejeição, é desconhecido", argumenta o coordenador, que traça planos mudar a situação. "A estratégia é ir ao maior número de cidades possível e, quando começar o programa eleitoral gratuito, fatalmente ele será conhecido e as pessoas saberão o trabalho que ele fez."

Apostando na força do PMDB e dos conservadores 

"Empresário, com discurso tecnocrático, Skaf tende a agradar o eleitor do interior paulista, em geral mais conservador", avalia o professor de ciência política da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Pedro José Floriano Ribeiro.

Para Ribeiro, a ligação do candidato com o Senai e o Sesi – voltados à educação – também contribui para fazer "oscilar a ampla classe média em favor do Skaf."

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"Além disso, o PMDB é um partido capilarizado, com bom número de prefeitos, vereadores e diretórios municipais no Estado", analisa o pesquisador. Mas o sucesso da candidatura do presidente licenciado da Fiesp depende do – ainda incerto – grau de dedicação  dos pemedebistas.

"Depende do engajamento que Baleia Rossi [ presidente estadual do PMDB, com base eleitoral na região de Ribeirão Preto ] e Michel Temer [ vice-presidente da República, da região de Itu e Salto ], tiverem na campanha de Skaf", avalia Ribeiro. "Se o Temer não se engajar a pedido de Dilma , essa força toda perde sentido", completa o pesquisador, lembrando que o candidato oficial da presidente é o ex-ministro Alexandre Padilha. 

Falta falta d'água, de segurança e de gestão

Na bagagem de suas viagens para o interior, Skaf levará um arsenal de ataques à gestão de Alckmin, sobretudo nas áreas de segurança pública e de fornecimento de água.

"Nos últimos 20 anos, de governo do PSDB, aconteceu a interiorização da violência. Antes ela estava concentrada na Grande São Paulo, depois foi para os grandes centros do interior e inclusive para as pequenas cidades", afirma o coordenador da campanha pemedebista.

Skaf tem pego carona em programas bancados pelo Sesi
Reprodução - 21.7.14
Skaf tem pego carona em programas bancados pelo Sesi

Na questão da crise hídrica, o objetivo é responsasabilizar o governador Alckmin  pelo problema. Mesmo em cidades onde a estatal Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) é responsável pelo abastecimento, a culpa da falta d'água tem recaio sobre a prefeitura.

Nesses temas – e também na educação, onde tem a seu favor a vitrine do Sesi/Senai–, Skaf tentará passar a ideia de eficiência na gestão.

"É um tipo de discurso que o próprio Alckmin usou e deu certo. Esse tipo de discurso funciona", afirma Ribeiro, da UFScar.

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