Candidato do PSDB propõe criação do 'kit macho' e chama Dilma de 'presidanta'

Por iG São Paulo I Redação |

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Matheus Sathler, candidato a deputado federal por Brasília, diz que “prevenir o homossexualismo é melhor do que remediar”

Listado como candidato a deputado federal pelo PSDB de Brasília, o advogado Matheus Sathler tem recebido uma saraivada de críticas nas redes sociais. Internautas  têm apontado o discurso preconceituoso, homofóbico e machista dele. Num vídeo publicado pelo próprio Santhler no Youtube, no último dia 7 de julho, ele aparece defendendo a criação do “kit macho” e do “kit fêmea”, para defender crianças da 'influência homossexual'. 

Gravando em frente ao 2º Cartório de Registro Civil do Distrito Federal, Sathler anuncia que está registrando um compromisso público de doar 50% do seu salário de deputado, caso seja eleito, “ao combate e também à recuperação de crianças vítimas do estupro homossexual”.

Sathler gravou um vídeo de sua promessa na frente do 2º Cartório de Registro Civil do DF. Foto: ReproduçãoO candidato prometeu doar 50% do seu salário de deputado, caso seja eleito, para 'crianças vítimas do estupro homossexual'. Foto: Reprodução/FacebookEm seu perfil no Facebook, Matheus aparece em fotos ao lado do deputado  Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório inimigo da comunidade gay.  . Foto: Reprodução/FacebookPerfil de Matheus Sathler no eleicoes2014.com.br, que registra candidaturas das Eleições 2014. Foto: ReproduçãoCartaz do candidato a deputado pelo PSDB de Brasília . Foto: Reprodução

“Eu me comprometo em criar o kit macho e também o kit fêmea, um nome carinhoso para poder rivalizar com o kit gay que está sendo distribuído nas escolas brasileiras, ensinando o homossexualismo ao seu filho a partir dos 4 anos de idade, agora com a antecipação da idade escolar de 4, 5 anos de idade. Seu filho já vai ser educado [entendendo] que dois homens ou duas mulheres não são família”, prossegue Sathler, que não se acanha em comparar a homossexualidade a uma doença. “Prevenir o homossexualismo é melhor do que remediar”, arremata o candidato tucano em seu vídeo.

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Em seu discurso, Santhler vai contra as instituições como ONU (Organização das Nações Unidas) e OMS (Organização Mundial da Saúde), que condenam a definição da homossexualidade como doença, inclusive rechaçando o termo ‘homossexualismo’.

Visto por quase 10 mil pessoas até a noite da última quarta-feira(23), o vídeo recebeu críticas na própria página onde está hospedado no Youtube. “Ninguém escolheria ser homo* em uma sociedade tão escrota, com pessoas como você, Matheus Sathler, que pregam ódio e intolerância, contra minorias e mulheres”, comentou um internauta no site de vídeos.

Mas os homossexuais não são o único alvo do candidato. Ele também ataca outros setores da população. Num vídeo intitulado como “Feminismo: Advogado desmascara Dilma Rousseff”, ele critica o discurso feito pela presidente no Dia Internacional da Mulher, em 8 de março de 2014. 

Veja vídeo gravado por Matheus Sathler: 

“Quando tive acesso a esse discurso da Dilma Rousseff, eu fiquei impressionado como ninguém se levantou para atacar esse discurso patético, feminista, absurdo e ridículo, e eu me senti profundamente motivado a rebater e a destruir esses argumentos. Eu quero começar com vocês, primeiramente, contra essa palhaçada da Dilma Rousseff querer ser chamada de presidenta. Na verdade é errado, na verdade ela não está querendo ser chamada de presidenta, mas de presidanta, uma justaposição de presidente com um animal irracional”, declarou o candidato no vídeo. Na mesma gravação, ele diz ter orgulho de ser chamado de machista.

Em seus perfis no Twitter e Facebook, o tucano aparece em fotos ao lado do deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), notório inimigo da comunidade gay. 

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