Para vice-presidente, divisão no PMDB não tem força para prejudicar candidatura à reeleição dele e da presidente

Reuters

O vice-presidente Michel Temer (PMDB) considera a inflação a maior preocupação da campanha para reeleger a presidente Dilma Rousseff, apesar de repetidas declarações da equipe econômica e da própria presidente de que os preços estão sob controle. No front político, Temer não acredita que a divisão de seu partido tenha força suficiente para causar danos eleitorais nem a Dilma nem a ele.

"O que vai acontecer agora, é que não se deixe ultrapassar o teto (da meta de inflação). Estamos já em agosto e temos que segurar um pouco, (usar) políticas econômicas que impeçam a inflação", disse Temer em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (23).

Michel Temer,  candidato a vice na chapa de Dilma, ao lado da presidente e de Lula em 21 de junho, durante convenção do PT, em São Paulo
Cadu Gomes/Divulgação
Michel Temer, candidato a vice na chapa de Dilma, ao lado da presidente e de Lula em 21 de junho, durante convenção do PT, em São Paulo


"Porque quando vem a inflação há um fato muito negativo para o governo", argumentou o vice, que compõe novamente a chapa com Dilma. Temer, no entanto, não deu detalhes de que medidas o governo poderia adotar daqui até a eleição em outubro.

A inflação alta e o baixo crescimento econômico também foram as principais preocupações discutidas com os partidos da aliança de Dilma numa reunião no Palácio da Alvorada, na última terça-feira (23). 

"No ano passado, se vocês se recordam bem, em agosto e julho, eu mesmo achei como vice-presidente que a inflação iria desandar, que voltaria a 15% ou 18%, porque era tal o noticiário, tal a aflição em relação à inflação que eu mesmo fui influenciado por isso. Curiosamente, quando chegou no fim do ano não ultrapassou o teto", disse.

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O IPCA, índice que baliza a meta do governo, ficou no incômodo patamar de 6% ao ano em todo o governo Dilma e ameaça romper em 2014 o teto da meta, que é de 4,5% com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Desde o começo do ano, o governo federal tem tentado represar os preços administrados, evitando reajuste de combustíveis ou o repasse dos prejuízos do setor elétrico para as tarifas dos consumidores pelo efeito disso na inflação.

Além disso, para conter a inflação, o Banco Central tirou a taxa básica de juro da mínima histórica de 7,25% em abril do ano passado e a elevou até 11%o em abril deste ano, quando interrompeu o ciclo de aperto monetário.

Apesar de reconhecer que a inflação será explorada pela oposição durante a campanha, Temer avalia que o efeito sobre os eleitores pode ser limitado.

"Nós não temos desemprego e a renda ainda está em alta. Não temos queixa do que eu chamo de economia do cotidiano. Na economia do cotidiano, o povo está satisfeito porque de qualquer maneira o emprego ainda subsiste e a pessoa melhorou seu padrão de vida", disse o vice-presidente.

A geração de emprego, no entanto, tem se mostrado cada vez mais fraca nos últimos meses e na indústria já há mais demissões do que admissões, além a alta dos preços afeta o cotidiano das pessoas. Esses aspectos, junto com o baixo crescimento da economia, têm sido alvo das principais críticas dos candidatos de oposição.

Temer admite que esse cenário, somado às críticas da oposição, cria um clima de pessimismo em relação à economia que pode afetar os eleitores e a campanha de reeleição. "Nós temos adversários e eles pregam que está tudo errado", disse. "Quem lê, assiste os noticiários na TV, vê as redes socais fica naturalmente preocupado. Quem tem emprego pensa: 'Será que vou perder meu emprego?' Isto gera uma certa preocupação", afirmou.

PMDB DIVIDIDO

A aliança entre PT e PMDB foi fechada sob uma forte divisão entre os peemedebistas e mais de 40% dos membros do partido com voto na convenção preferiam não manter a aliança com Dilma. Apesar disso, Temer não acredita que isso vá causar danos eleitorais para a reeleição.

Segundo ele, a divisão é a marca histórica do PMDB. Argumentou ainda que mesmo onde os candidatos do partido apoiam candidaturas presidenciais dos adversários, Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB), há comitês eleitorais que só pedem votos para Dilma e ele.

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Há situações desse tipo em vários Estados, muitos deles com grande eleitorado como o Rio Grande do Sul, o Rio de Janeiro e a Bahia. "A situação local se liga aos dirigentes do partido (nos Estados), mas não aos militantes", disse.

Em 2002, o PMDB viveu situação semelhante. Apesar de ter indicado a então deputada Rita Camata para vice na chapa do tucano José Serra, os peemedebistas pediam votos para o então candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, nos Estados já no primeiro turno. E no segundo turno, houve um onda pró-Lula.

Temer descartou essa possibilidade agora. "(Agora) pode ser um marolinha, mas não é onda", disse.

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