Fiesp amplia exposição e Skaf pega carona em produção teatral do Sesi

Por Vitor Sorano - iG São Paulo | - Atualizada às

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Federação adota causas populares como qualidade dos serviços de internet e luta contra o aumento do IPTU

Principal ribalta do candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) tem estado bastante visível – e não é só por projeções de luz no prédio da sede da instituição, na Avenida Paulista. 

Reprodução
"Skaf apresenta": Imagem inicial de vídeo de Skaf sobre o musical bancado por Sesi e Fiesp

Antes de Skaf se licenciar da presidência, a Fiesp lançou duas bandeiras de apelo popular: uma ação judicial que barrou o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de São Paulo, e um monitor de velocidade de banda larga.

Leia também: Programas de candidatos ao governo de São Paulo não citam o PCC

"São causas populares, totalmente distintas da pauta tradicional da indústria, como a desoneração", diz Katia Saisi, doutora em Ciências Sociais e professora do curso de especialização em marketing político da Universidade de São Paulo (USP). "A Fiesp se coloca como uma defensora do indivíduo [e não da indústria]."

A estratégia surge num momento em que a imagem do empresariado industrial, embora não seja negativa, enfraqueceu-se, avalia Katia. A participação da indústria (inclusive de transformação) no total da população ocupada caiu ligeiramente de 2002 a 2012, segundo o IBGE, tanto no Brasil (de 27,72% para 27,14%) como no Estado de São Paulo (39,22% para 39,12%).

"Quando houve a abertura dos mercados, a indústria foi impactada e a Fiesp perdeu força política", diz a professora. "[Mas] não me parece que exista uma negatividade em relação ao empresariado."

'Skaf apresenta'

Skaf tem divulgado, juntamente com seu nome, projetos do Serviço Social da Indústria (Sesi). Na última quinta-feira (17), o candidato publicou no YouTube um vídeo, iniciado com a frase "Skaf Apresenta", sobre o musical "A Madrinha Embriagada" – exibido gratuitamente no Teatro Sesi para 150 mil pessoas, de acordo com a Fiesp. 

Por mais seguidores, Skaf faz pegadinha e posta foto de chuquinha e macacão

O vídeo foi publicado também na página oficial de Skaf no Facebook, no último dia 20. No material, produzido pela campanha do candidato, um ator afirma que "Paulo Skaf foi o grande nome por trás disso tudo porque foi levada a ideia para ele e aí ele aprovou essa ideia.”

Uma das reações à publicação do vídeo no Facebook foi o comentário "(..) contamos com o senhor para tirar essa tucanada do Governo do Estado".

No dia seguinte, Skaf publicou na mesma página uma foto com depoimento de um suposto beneficiário do projeto Cão-Guia do Sesi – que forma animais de auxílio a deficientes visuais – acompanhada da palavra "Skaf". Em resposta a um elogio, o candidato comentou esperar "corresponder prestando um bom serviço ao nosso estado."

Especialistas divergem sobre estratégia

Vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral e conselheiro da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional São Paulo (OAB-SP), Silvio Salata lembra que a legislação eleitoral proíbe divulgação de propaganda eleitoral nos meios de comunicação social, exceto no horário eleitoral gratuito. E, em seu entender, a regra deveria valer também para a internet.

"Posso reconhecer que existe uma propaganda subreptícia ou subliminar que a lei proíbe", afirma Salata. 

Membro do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp e consultor, em matéria eleitoral, de Skaf, Paulo Lucon discorda. "YouTube e Facebook são meios de comunicação existentes na internet em que o acesso aos dados depende do internauta, que voluntariamente os acessa", argumenta. "Portanto, na seara eleitoral, nada há de irregular ou ilegal."

Lucon também defende o uso eleitoral do monitor de banda larga e da barragem ao aumento do IPTU, pois demonstram o que Skaf fez à frente da Fiesp.

Paulo Skaf é visto durante convenção do PMDB que o referendou como como candidato ao governo de São Paulo. Foto: Twitter/ReproduçãoSkaf foi referendado em votação de 599 delegados, sendo 596 votos a favor. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPresidente licenciado da Fiesp (foto) terá como vice o criminalista José Roberto Batocchio. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPaulo Skaf durante convenção estadual do PMDB, em São Paulo. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressO vice-presidente da República, Michel Temer e Paulo Skaf dão entrevista durante convenção estadual do PMDB. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPartidários seguram bandeiras de São Paulo durante convenção que confirmou Paulo Skaf como candidato do PMDB ao governo do Estado. Foto: Twitter/Reprodução

Governador também pode exibir realizações, diz advogado de Skaf

Advogado de Skaf, Helio Siveira comparou a associação de Skaf à peça "A Madrinha Embriagada" e ao projeto Cão-Guia  às feitas por candidatos à reeleição a realizações de seus governos.

"O ex-ministro da Saúde vai dizer que criou um programa como, por exemplo, o Mais Médicos. Também é natural que o candidato Paulo Skaf apresente as realizações que desenvolveu junto às entidades que conduziu", afirma. "Isso é lícito, e é permitido pelo direito eleitoral."

Silveira também descarta a interpretação de que a legislação eleitoral impediria propagandas na internet, como entende o advogado da OAB-SP.

Sobre a ação judicial do IPTU e o monitor da banda larga, o advogado de Skaf argumenta que ambos os temas afetam a indústria.

"O IPTU não recai apenas sobre unidades residenciais, ele recai sobre todos os imóveis do Estado de São Paulo e isso impacta custo de produção", diz Silveira. "Não há qualquer entidade empresarial que não dependa da contratação de serviços de informática."

O Sesi e a Fiesp foram procurados, mas não se manifestaram até a publicação desta reportagem.

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