Erundina isola vice de Alckmin e rouba cena em evento de Campos e Marina Silva

Por Wanderley Preite Sobrinho - iG São Paulo |

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Preterida na disputa ao governo de SP, deputada foi ovacionada por Marina e militantes, constrangendo Márcio França

No primeiro ato de sua campanha à presidência nesta semana, o candidato do PSB Eduardo Campos escalou sua candidata a vice e principal cabo eleitoral Marina Silva para, ontem, inaugurar seu Comitê Central de campanha. Mas quem roubou a cena e animou o evento na zona sul de São Paulo foi a ex-prefeita e deputada federal Luiza Erundina, ovacionada pela plateia depois de um discurso inflamado. A fala acordou os convidados, arrancou sorrisos da dupla de candidatos e isolou o deputado federal Márcio França, adversário de Erundina no PSB e candidato a vice-governador de Geraldo Alckmin (PSDB), a contragosto de Marina e da ex-prefeita.

Divulgação
Sob os olhares de um calado Márcio França (segundo em pé, da esquerda para a direita), Erundina faz discurso inflamado e rouba os holofotes em inauguração do Comitê de Campos e Marina

Marcado para começar às 11h, o evento só começou depois que o pequeno auditório ficou lotado, 20 minutos depois. Campos chegou sozinho, provocando comentários sobre a ausência da vice, que apareceu minutos depois, também sozinha, com cara de poucos amigos.

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Enquanto políticos e apoiadores de diferentes partidos disputavam uma cadeira na mesa ou, pelo menos, uma posição de melhor visibilidade perto dos candidatos, Erundina chegava discreta e se posicionava em pé, próxima de França, a quem cumprimentou discretamente.

Os dois são rivais de longa data no PSB paulista. A ex-prefeita chegou a dizer em entrevistas que França havia assumido o compromisso com a candidatura de Alckmin sem ao menos discutir o assunto com a legenda, o que ele nega. Se dependesse de Marina, Erundina seria a candidata ao governo paulista pelo PSB, que jamais se coligaria aos tucanos em São Paulo.

O constrangimento era tamanho que França não foi listado para os discursos. Com Erundina, ele acompanhou o lamento do presidente do Conselho Federal de Medicina, Roberto Luiz d'Avila, que só não revelaria o valor de sua futura aposentadoria de médico porque não queria "provocar choro" na plateia.

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Visivelmente desanimada, Marina acompanhava tudo com os olhos distantes, lembrando-se de aplaudir quando as falas terminavam. Foi então que Erundina foi chamada a assumir o microfone.

Com um passo à frente, ela disse que não ia fazer ninguém perder tempo com um discurso enfadonho. “Aqui todo mundo vota no Campos, não vou ficar pedindo isso. Eu convoco vocês a irem para a rua pedir voto por ele”, dizia, enquanto aumentava o tom de voz e, a platéia, o volume de aplausos. Com punho em riste, concluiu o discurso ovacionada pelas palmas, assovios e os gritos de “guerreira!”. 

Foi então que alguém finalmente cedeu uma cadeira à política de 79 anos, que recebia cumprimentos enquanto se acomodava. No centro da mesa, Campos e Marina trocavam sorrisos e comentários ao pé do ouvido sobre a performance da ex-petista. Campos não resistiu e se esticou todo para cumprimentá-la, enquanto Marina, amiga pessoal da deputada, lançava beijos de gratidão.

Depois de sua fala, os discursos foram encurtados para que Marina e Campos pudessem falar. A ex-senadora se exaltou nos agradecimentos à amiga assim que tomou a palavra: “Um obrigado especial a Erundina, essa matriarca da democracia!”

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