Entre outros temas, encontro às 18h discute qual a participação da presidente nos Estados onde os aliados são adversários

A presidente Dilma Rousseff fará às 18 horas desta terça-feira a primeira reunião com os partidos da sua aliança para discutir as estratégias para a campanha de reeleição.

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A reunião está programada para ocorrer no Palácio da Alvorada e será o primeiro encontro com o conselho político para definir, entre outros temas, qual será a participação de Dilma nas campanhas nos Estados onde os aliados são adversários.

A aliança da petista conta com nove partidos que, em muitos casos, enfrentam inclusive candidatos do PT nos Estados. A conversa atende a um anseio do PMDB, por exemplo.

Os peemedebistas encabeçam disputas estaduais em nove Estados contra candidatos do PT e gostariam de definir critérios para a participação de Dilma nesses palanques. O mais provável, segundo uma fonte ouvida pela Reuters, é que não seja definido um critério único de participação da presidente.

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Na avaliação do PMDB, quanto antes Dilma fechar esses acordos, mais fácil ficará a manutenção de apoios dos candidatos dos partidos aliados aos governos estaduais num eventual segundo turno.

Aposta no horário eleitoral

Estrategistas do comitê de campanha de Dilma acreditam que a oscilação negativa nas recentes pesquisas eleitorais e o alto nível de rejeição à petista podem ser vencidos quando começar o horário eleitoral gratuito no rádio e na TV.

Dia 19: Pesquisa Instituto Sensus mostra empate técnico entre Dilma e Aécio no 2º turno

Na avaliação da campanha de Dilma, as pesquisas da semana passada não trouxeram grandes novidades, mesmo após uma delas, do instituto Sensus, apontar o empate na intenção de votos em um segundo turno entre Dilma e o candidato do PSDB, senador Aécio Neves (MG).

"A presidente ainda leva vantagem se somados os dois outros principais adversários. Em todas as pesquisas mais recentes, ela está oscilando no mesmo patamar, próximo a 40%, o Aécio fica sempre no mesmo patamar de 20% e o Eduardo Campos fica ali entre 8% e 9%", argumentou uma das fontes do comitê petista ouvidas pela Reuters.

Essa fonte, que falou sob condição de anonimato, afirmou também que, nesse momento, não há o debate de ideias e projetos e, quando começar a campanha na TV, a tendência é que reduza a rejeição à Dilma, hoje na casa dos 35%, de acordo com pesquisa Datafolha. "Precisa da disputa política (para reduzir essa rejeição)", disse essa fonte.

Dilma tem grande vantagem em relação aos adversários na propaganda eleitoral gratuita. Terá 11 minutos e 48 segundos para apresentar as ações do governo e novas propostas. Já Aécio, com uma aliança menor de partidos, terá apenas 4 minutos e 31 segundos na propanda eleitoral. E Campos terá de apresentar suas propostas em apenas 1 minuto e 49 segundos.

A propaganda na TV, porém, só começa no dia 19 de agosto e até lá Dilma pode continuar acumulando desgaste, já que a avaliação do governo, segundo o Datafolha, também oscilou negativamente.

Os que consideram a gestão Dilma ótima ou boa somam 32%, segundo a pesquisa divulgada dia 17 de julho, diante de 35% no começo do mês. Os que consideram o governo ruim ou péssimo eram 26% e agora somam 29%.

Um outro integrante do comitê de campanha também subestimou a oscilação negativa nas pesquisas e o cenário de segundo turno e reforçou a aposta da campanha petista.

"O governo tem bons resultados a apresentar e tem um grande especialista, o João Santana (marqueteiro da campanha de Dilma), para mostrar isso no programa eleitoral. Isso vai ajudar a reduzir a rejeição à presidente", disse essa segunda fonte.

Desde março, após uma aparente recuperação da aprovação do governo, Dilma tem oscilado negativamente nas pesquisas. Em fevereiro, segundo o Datafolha, ela chegou a ter 44% das intenções de voto e, agora, no levantamento da semana passada, esse percentual caiu para 36%.

Nesse período, Aécio subiu quatro pontos percentuais, saindo de 16% para 20%. E Campos oscilou entre 9% e 10%, mas no último levantamento apareceu com 8% das intenções de voto.

*Com Reuters

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