Mesmo com derrota, Dilma espera capitalizar sucesso da organização da Copa

Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília | - Atualizada às

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Governo dá sequência ao trabalho de levantar dados e municiar discurso de Dilma sobre a qualidade da organização do mundial

Alan Sampaio/iG Basília
Dilma enaltece organização da Copa em tempo de largada da campanha eleitoral

Em tempo de largada da campanha eleitoral e com o mau humor do país após a derrota de goleada para a Alemanha, o governo segue na tarefa de preparar dados para embasar o discurso da presidente Dilma Rousseff com objetivo de capitalizar, não mais a euforia com a seleção, mas o sucesso da organização da Copa do Mundo.

Frustrações à parte, para a estratégia de comunicação do governo, o fato da seleção brasileira ter chegado à semifinal da Copa do Mundo foi suficiente para manter a atenção dos brasileiros voltada para o torneio. Dessa forma, na avaliação de assessores do Planalto, foi possível durante esse tempo formar a convicção de que as estruturas funcionaram, contrariando as previsões catastróficas que se formaram na fase que antecedeu o mundial.

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A presidente Dilma Rousseff não contará com o clima de festa ao entregar a taça no próximo domingo. Ao contrário, interlocutores do governo avaliam em reservado que ela sabe que será vaiada ou até mesmo xingada no Maracanã, como ocorreu na abertura, no Itaquerão. No entanto, a comunicação do governo avalia que os xingamentos e as vaias não contam com aprovação popular e que o público da final da Copa não é formado, preferencialmente, por eleitores da presidente.

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Veja o que candidatos escreveram sobre a derrota brasileira. Foto: Reprodução/BBCDilma tuítou quatro vezes após derrota brasileira. Foto: Reprodução/BBCAécio falou em "frustração" pelo Facebook. Foto: Reprodução/BBCPela redes sociais, Campos disse "lamentar" derrota. Foto: Reprodução/BBCLevy Fidelix foi o mais agressivo pelas redes. Foto: Reprodução/BBCIasi foi irônico e comentou "peso" da camisa brasileira. Foto: Reprodução/BBCCandidato do PCO disse que derrota é culpa do imperialismo. Foto: Reprodução/BBC

Entre membros do governo e integrantes da campanha, a ordem é enfatizar o ganho de imagem do país com a realização do torneio e atribuir aos adversários às previsões catastróficas sobre o decorrer mundial, que não se confirmaram. Pastas do governo envolvidas na organização estão empenhadas em fechar um balanço da Copa com números que darão subsídio ao discurso que a presidente pretende adotar na campanha.

O presidente do PT e coordenador da campanha de Dilma, Rui Falcão, apontou o tom que será usado por Dilma na campanha. “Tudo foi realizado para ser uma das melhores Copas e isso é reconhecido por todo mundo. Nós lamentamos, estamos tristes com a derrota do Brasil, mas o governo fez a sua parte”, resumiu Rui Falcão.

Oposição

O tucanos, por sua vez, garantem que não usarão a Copa como argumento eleitoral. No comitê de Aécio Neves, ainda sob efeito da ressaca do fracasso na Copa, a máxima é de que a derrota não será usada pelo PSDB para fustigar Dilma. No entanto, não fazem segredo de que, se a presidente tentar usar o assunto como bandeira eleitoral, vão rebater com críticas à infraestrutura e aos gastos do país com o mundial.

Os que defendem a candidatura do mineiro Aécio Neves buscam um discurso capaz de manter as críticas, caso não consigam evitar que o mundial se torne uma pauta capaz de render votos para Dilma. O tom da campanha oposicionista será de criticar o desempenho do governo na realização das obras de infraestrutura, sem, no entanto, atacar diretamente a realização da Copa no Brasil, nem tão pouco usar a derrota da seleção como argumento para embasar a tese do fracasso.

O fim da competição coincide com a largada da disputa eleitoral e há um consenso nas três principais campanhas de que a população gostou da realização do torneio no Brasil, independentemente do placar do jogo contra a Alemanha. “Isso não muda a realidade de que há um sentimento geral que quer mudança”, disse o deputado Jutahy Junior (BA). O deputado Carlos Sampaio (PSDB) investe no discurso de que Dilma tenta se apropriar indevidamente do mundial. “Não vamos usar a Copa para nada como está fazendo a Dilma, que se assenhora do torneio como se dele fosse dona”, afirmou o tucano.

O líder dos tucanos na Câmara, Antônio Imbassahy (BA), reconhece que o momento não é de apontar o dedo para os problemas do mundial. Mas avisa que o assunto voltará à pauta. “A gente sempre criticou a falta de desempenho do governo em relação à execução de obras de infraestrutura”, afirmou. “Depois voltaremos a falar disso”, completou.

No PSB, alguns políticos próximos a Eduardo Campos chegaram a considerar que foi bom o partido não ter adotado, antes da Copa, o clima catastrófico que embalou a oposição. Na opinião dos integrantes do PSB, garantirá a Campos durante a campanha uma posição que não seja considerada contraditória.

A avaliação da campanha de Campos é de que a briga em torno da Copa “é coisa dos tucanos com o PT”. Se tocar no assunto Copa, Eduardo Campos lembrará que na ocasião da decisão de se realizar a Copa no Brasil, em 2007, ele era governador de Pernambuco, aliado do governo, e que, como governador, conduziu as obras em seu estado para a realização do mundial.

Levantamento

Para embasar o discurso de Dilma, o governo tem juntado dados em todas as áreas impactadas pelo evento esportivo. Nesta primeira semana de campanha, o Ministério do Turismo divulgará o número de estrangeiros que visitaram o país durante o torneio e a movimentação de brasileiros entre as cidades-sedes para assistir os jogos. Embora o número ainda não esteja fechado, os petistas já preparam o discurso de que o volume de visitantes superou a expectativa que existia antes do início do mundial de o país receber 600 mil estrangeiros e de movimentar 3,2 milhões de turistas internamente.

Junto com os números, o governo também divulgará o resultado de uma pesquisa de satisfação do turista que veio ao Brasil participar do mundial. A consulta com turistas estrangeiros foi conduzida pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e com turistas brasileiros pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE).

A campanha também espera um levantamento que está sendo preparado pela Secretaria de Aviação Civil (SAC), demonstrando que os aeroportos funcionaram bem ao receber um volume alto de turistas. Nesse caso, o discurso que será aproveitado pela campanha será o de que os atrasos nos voos ficaram bem abaixo das previsões do próprio governo que eram entre 10% a 15% dos voos. O percentual também não foi fechado, mas o levantamento feito na primeira fase do mundial apontou atrasos em cerca de 4% dos voos, descontando as ocorrências provocadas por condições climáticas.

Outro balanço que deverá ser divulgado no dia 17 de julho será o de impacto econômico do torneio. A expectativa referendada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) é de que a Copa do Mundo deve somar cerca de R$ 30 bilhões à economia brasileira.

O número de empregos gerados com o torneio será outro dado que será utilizado na campanha. A estimativa do Ministério do Turismo é que o número de empregos criados pelo mundial chegue a um milhão. Esse número equivale a mais de 15% dos 4,8 milhões de empregos formais registrados no governo de Dilma. De acordo com a projeção da FIPE, do total de vagas de emprego relacionadas à Copa, 710 mil são fixas e 200 mil são temporários, com carteira assinada.

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