Primeiro dia de trabalho de Dirceu tem sanduíche, marmita e lágrimas

Por Wilson Lima , iG Brasília | - Atualizada às

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Ao longo do dia, ex-ministro recebeu telefonemas de familiares e amigos e disse que Seleção Brasileira não está como gostaria

O primeiro dia de trabalho do ex-ministro-chefe da Casa Civil José Dirceu em um escritório de advocacia em Brasília foi marcado por algumas lágrimas, recomendações e até por comentários sobre a Seleção Brasileira de futebol.

José Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia no primeiro dia de trabalho em Brasília. O salário dele é de R$ 2,1 mil. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Primeiro dia de trabalho de José Dirceu 3José Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaJosé Dirceu deixa escritório de advocacia em 3 de julho, no seu primeiro dia de trabalho, em Brasília. Foto: Alan Sampaio / iG Brasília

Desde esta quinta-feira (03), Dirceu passou a dar expediente no escritório do advogado José Gerardo Grossi, localizado no edifício Empire Center, na região central de Brasília. No primeiro dia, ele, visivelmente mais magro, chegou por volta das 7h50 ao local. Ficou por meia hora esperando a abertura do escritório e foi embora por volta das 18h10. Na saída do ex-ministro, um funcionário de um escritório do edifício onde passou a trabalhar gritou: “Fala a verdade, o crime vale a pena, Dirceu?”. O ex-ministro não falou com a imprensa nem na entrada nem na saída do escritório.

Esta quinta foi a primeira vez que Dirceu saiu da cadeia após ser preso pela condenação de sete anos e 11 meses no julgamento do mensalão. Desde maio, ele tentava obter autorização para trabalhar fora da prisão, mas teve seu pedido negado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. A autorização para que pudesse trabalhar saiu apenas na semana passada, por decisão do pleno do Supremo.

Dirceu foi recebido nesta quinta pelo advogado proprietário do escritório com um sanduíche e uma vitamina, “devorados” pelo ex-ministro, nas palavras de Grossi. Ao chegar no local, ele se dirigiu a uma das janelas e chorou ao ver o horizonte de Brasília.

O ex-ministro também se emocionou ao lembrar, ao lado de Grossi (seu amigo desde os anos 1980), das brincadeiras de crianças de suas netas. Segundo o advogado José Gerardo Grossi, Dirceu estava “excitado como um passarinho ao ver-se livre” no primeiro dia de trabalho.

Durante todo o dia, o ex-ministro recebeu recomendações sobre o trabalho que vai exercer no escritório de advocacia e em relação às restrições por conta do cumprimento do regime semiaberto (ele não pode receber visitas de políticos, apenas de familiares e ainda assim condicionadas à autorização da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, além do fato de não poder sair a uma distância de 100 metros de seu local de trabalho). O próprio Grossi disse que não permitirá a presença de políticos no local.

Wilson Lima/iG
Espaço onde José Dirceu começou a trabalhar nesta quinta-feira (3), em Brasília

Em um primeiro momento, Dirceu terá a incumbência de organizar a biblioteca funcional do escritório, com aproximadamente 2 mil livros. No futuro, ele trabalhará na área administrativa. “O José Dirceu não vai se meter na minha advocacia”, enfatizou Grossi. Dirceu trabalhará em uma sala anexa do escritório, ao lado da esposa de Grossi, em uma mesa simples, com uma janela que dá de fundo para um bar chamado Calaf.

Durante o dia, Dirceu ainda recebeu telefonemas de amigos e familiares congratulando-o pelo novo ofício. Durante o almoço, ficou no escritório e comeu uma marmita, assim como os outros funcionários.

Em conversas com o novo chefe, os dois evitaram temas sobre política, mas analisaram o rendimento da Seleção Brasileira de futebol. Na prisão, Dirceu pôde acompanhar os jogos da Copa do Mundo e, durante as conversas desta quinta-feira no emprego novo, o ex-ministro admitiu que a equipe “não é a que gostaria”.

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