Integrantes do movimento aumentam pressão sobre legisladores da capital; vereadores dizem estar sitiados na Casa

Com o objetivo de pressionar os vereadores a aprovarem de imediato o Plano Diretor de São Paulo, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) voltaram a protestar na capital paulista, desta vez na Câmara Municipal da cidade, na região central, nesta terça-feira (24). Enquanto uma comissão acompanhava exaltada a sessão dentro da Casa, do lado de fora ao menos sete barracas foram erguidas pelos cerca de mil sem-teto presentes (segundo balanço da PM), que prometem acampar por ali até a aprovação do plano que estabelece as diretrizes para o planejamento da cidade nos próximos anos. Vereadores criticaram a atitude e afirmaram estar sitiados, sem poder deixar o edifício.

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Barracas de lona que caracterizam ocupações são erguidas em frente à Câmara Municipal de SP
Facebook/Reprodução
Barracas de lona que caracterizam ocupações são erguidas em frente à Câmara Municipal de SP

Apesar da pressão, o vereador Andrea Matarazzo (PSDB), presidente da Comissão de Política Urbana para a cidade, afirmou pouco antes do protesto, em sessão ordinária, que acha difícil a votação do plano ainda nesta terça. Ele criticou o movimento: "Este tipo de pressão é contraproducente."

Organizada, uma comissão do MTST acompanha a sessão da Câmara desde o início da tarde, enquanto o grosso do movimento bloqueia totalmente as pistas do Viaduto Jacareí, onde a Câmara está localizada.

Exaltados no plenário, os membros dos Sem-Teto fizeram barulho e pediram aos gritos por agilidade na votação. A atitude os levou a serem repreendidos pelo presidente da Câmara, José Américo (PT), que chegou a ameaçá-los de expulsão caso não respeitassem a sessão.

Em outro momento de exaltação, desta vez positiva, os integrantes da comissão aplaudiram com força o discurso do também petista Arselino Tatto, que pediu para serem abertas discussões a respeito do Plano Diretor. 

Além da votação imediata do texto, com todas as emendas propostas pelo movimento em favor da moradia popular, o MTST reivindica garantias para transformar os terrenos das ocupações Nova Palestina, Faixa de Gaza, Dona Deda e Capadócia, todas na zona sul de São Paulo, e da Copa do Povo, no extremo leste da cidade, em Zonas Especiais de Interesse Social (Zeis).

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Além das movimentações nas ruas, o MTST já prometeu realizar uma ocupação em terrenos por semana até que o plano seja votado. A última ação do tipo promovida pelo movimento ocorreu na última sexta-feira (20), em uma área de cerca de 200 mil metros quadrados próxima ao Portal do Morumbi, bairro nobre da zona oeste de São Paulo.

Em abril deste ano, militantes do grupo entraram em confronto com a Polícia Militar e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) após vereadores suspenderem a votação do plano. Na ocasião, manifestantes chegaram a atear fogo em pneus e lixeiras e a atirar objetos contra janelas da Câmara.

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