Campanha à reeleição da presidente aposta novamente na mensagem da “mudança com continuidade” e no apoio explícito do ex-presidente Lula

Os jingles das campanhas presidenciais de Dilma Rousseff (PT) tanto em 2010, quanto em 2014 exploram duas grandes tônicas: a mudança com continuidade e o apoio explícito do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Apresentado de forma oficial neste sábado durante a convenção partidária que homologou a candidatura da presidenta Dilma Rousseff à reeleição, o jingle, em ritmo de forró pé de serra nomeado “Coração Valente”, afirma que, com ela, “vamos viver uma nova esperança, com muito mais futuro e muito mais mudança”. “O que tá bom vai continuar. O que não tá a gente vai melhorar”, diz a música.

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Ainda em outro trecho, a música cita que a petista “nunca vacilou em lutar em favor da gente” e que “'tô com você e Lula para seguir em frente”. O jingle também classifica a presidenta como “mulher de mãos limpas e mulher de mãos livres”.

A estratégia é semelhante ao jingle de 2010. Naquele ano, o PT apostou em um xote mais animado e a música oficial da campanha da primeira eleição de Dilma classificava a presidenta como uma mulher que “sabe bem o que faz”, que “já mostrou que é capaz” e que ela “ajudou o Lula a fazer pra gente um Brasil melhor”.


Na música, o “Brasil novo” era um “Brasil do povo que o Lula começou” e “vai seguir com a Dilma”. A canção também afirmava que o "Brasil já mudou mas a gente quer mais, quer mais e melhor”.

A estratégia de utilizar canções em ritmos nordestinos não é uma característica apenas das campanhas de Dilma. Lula, tanto em 2006, quanto em 2002, também apostou em forrós para convencer o eleitorado. A campanha de 2006 também adotou jingles em ritmo de samba e pagode.

A mensagem em 2006 era semelhante à de José Serra na campanha de 2002: “não troque o certo pelo duvidoso” e acrescenta. “Não vou jogar fora o que ganhei, perder tudo que alcancei, voltar para o sufoco, com Lula minha vida melhorou, é apenas o começo e vem mais coisa sim senhor”.

Em 2002, a mensagem era de mudança, transformação, esperança, apelando para uma parcela "mais pobre da sociedade". O ritmo também lembra um forró nordestino, apesar do início mais calmo.

“Não dá para apagar o sol, não dá para parar o tempo, não dá para contar estrelas que brilham no firmamento, não dá para parar um rio quando ele come para o mar, não dá para calar o Brasil quando ele quer cantar. Bote essa estrela no peito, não tenha medo ou pudor, agora eu quero você, te ver torcendo a favor: a favor do que é direito, da decência que restou, a favor de um povo pobre, mas nobre e trabalhador. É o desejo dessa gente, querer um Brasil mais decente, ter direito à esperança de uma vida diferente. É só você querer, que amanhã assim será. Bote fé e diga Lula, quero Lula!”

Em 1989 o jingle foi cantado por atores e músicos, como Chico Buarque, Elba Ramalho, Betty Faria, José Mayer, Malu Mader e Gal Costa. Música mais calma, pedia apoio falando de “sinceridade, certeza, a gente junto, valeu a espera”. O "Lula lá", refrão do jingle, tornou a música histórica e se reflete até hoje nos discursos e militância. “Lula lá, meu primeiro voto para fazer brilhar a nossa estrela”, diz a canção.

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