Aliança do PSB com Alckmin será desafio no ‘casamento’ entre Campos e Marina

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Contra vontade de Marina, partido de Campos deve confirmar nesta sexta-feira o apoio à reeleição do tucano em São Paulo e indicar Márcio França para vice na chapa

O PSB paulista realiza nesta sexta-feira (20), na Assembleia Legislativa, a convenção que deve referendar a coligação com o PSDB e confirmar a indicação do nome do deputado federal Márcio França para vice na chapa à reeleição do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Essa indicação foi referendada pelo partido há duas semanas e agora depende do interesse dos tucanos em aceitar.

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A confirmação da coligação pode abrir uma fissura no acordo firmado entre o candidato a presidente da República pelo PSB, Eduardo Campos, e a ex-senadora Marina Silva, da Rede Sustentabilidade, que considerou um equívoco o caminho adotado pelos socialistas paulistas.

Pedro França/Futura Press
Marina e Campos firmaram aliança no ano passado para a disputa presidencial

A decisão se choca com a orientação nacional do partido e o desejo de Campos e Marina, que trabalhavam por uma candidatura própria no Estado para fortalecer a disputa presidencial. Campos, que chegou a instalar-se na capital para se tornar mais conhecido e competitivo no maior colégio eleitoral do país, disse que fez o possível pelo lançamento de um nome que unisse PSB e Rede, mas ressalvou que não passaria por cima de uma decisão regional.

O PSB era cortejado também pelo PMDB cujo candidato, Paulo Skaf, disputou em 2010 o governo de São Paulo quando ainda fazia parte dos socialistas. Márcio França, presidente estadual, foi o principal responsável pelas negociações com o PSDB e convenceu os 130 integrantes do diretório paulista a aprovar por unanimidade o indicativo de coligação com os tucanos.

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França tem o apoio de nomes de peso no partido em São Paulo, como os prefeitos Jonas Donizette (Campinas), Valdomiro Lopes (São José do Rio Preto), Paulo Hadich (Limeira) e Vinicius Camarinha (Marília). A maioria dos deputados federais e estaduais também acompanhou a decisão.

“A decisão pela candidatura a vice depende agora do governador Geraldo Alckmin”, afirmou o deputado nesta quinta-feira. Segundo ele, o indicativo de coligação aprovado no último dia 6 já foi absorvido pelo partido, que dificilmente mudaria de posição. “O partido marchará unido”, disse. Os 1.200 convencionais que votarão hoje devem confirmar a coligação, o nome de França como candidato a vice e homologará os candidatos a deputado federal e estadual.

Divilgação/Rede Colmeia
Eduardo Campos e Márcio França em encontro da maçonaria em São Paulo

França disse que na época em que se discutiu a alternativa de candidatura própria seu nome sequer chegou a ser indicado para disputar o governo paulista na coligação do partido de Marina. Segundo ele, a Rede havia se fixado nos nomes do ambientalista João Paulo Capobianco e do historiador Célio Turino. O deputado argumentou também à época que sem a aliança com os tucanos, o partido ficaria isolado em São Paulo e sem o apoio dos demais partidos que integram a coligação nacional, o PPL m PRP e PHS.

Para os defensores da candidatura própria, França está de olho no espaço que conquistaria com a eventual reeleição de Geraldo Alckmin. Se vencer em 2014, o governador se desincompatibilizaria em 2018 para disputar uma vaga no Senado e França assumiria por nove meses. A coligação com o PSB dificulta a pretensão do ex-prefeito Gilberto Kassab, do PSD, apontado como pretendente a mesma vaga de vice.

Caso seja confirmada nesta sexta, a coligação com os tucanos será o primeiro desafio do “casamento” entre Campos e Marina. As pesquisas eleitorais apontam que sempre que o nome de Marina aparece, o desempenho da candidatura de Eduardo Campos melhora, encostando no presidenciável do PSDB, o senador Aécio Neves.

Marina fez questão de frisar que a Rede não seguirá o PSB em São Paulo e diz ter esperança que a convenção desta sexta-feira modifique a decisão. Em nota postada no Facebook logo depois do indicativo da coligação com o PSDB, ela disse esperar que o partido mude a decisão. “Esperamos que os companheiros do PSB (...) não levem adiante essa proposta. Deixamos clara nossa posição de que, caso essa indicação não seja revertida, seguiremos caminho próprio e independente em São Paulo”, escreveu.

Ela se diz empenhada numa alternativa que supere a polarização entre PT e PSDB. A convenção nacional do PSB, que deve ratificar a parceria Eduardo Campos e Marina, será realizada no final do mês.

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