Outra tarefa do ex-governador de São Paulo é atrair o PRB e o PSD, de Kassab, para a aliança do peemedebista no Estado

Último candidato do PMDB vitorioso na disputa para governador em São Paulo, em 1990, o ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho assumiu uma das principais coordenações da campanha do candidato do partido às eleições deste ano, o empresário Paulo Skaf. A missão de Fleury, que não será candidato a nada, é articular o apoio do interior e ajudar no esforço para atrair o PRB de Celso Russomano e o PSD do ex-prefeito Gilberto Kassab para a coligação em torno de Skaf, que já conta com o PDT e o PROS.

Datafolha: Alckmin venceria no primeiro turno em São Paulo com 44%; Skaf tem 21%

São Paulo: Próximo do PSDB, eleitorado do interior paulista é principal desafio do PT 

Candidato do PMDB: Paulo Skaf deve negar palanque para Dilma no primeiro turno

“Ele está ficando sem espaço. Se não definir logo é capaz de ficar sozinho. O time é 30 de junho”, diz Fleury, referindo-se à encruzilhada de Kassab cuja pretensão – a de se tornar o vice do governador e candidato do PSDB, Geraldo Alckmin – é a mesma do PSB. O grupo liderado pelo deputado Márcio França já está praticamente fechado com o PSDB em São Paulo. Caso a candidatura a vice de Alckmin seja mesmo destinada aos socialistas, restaria a vaga do Senado em cuja fila está também o ex-governador José Serra.

Ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho
Alan Morici / Futura Press - 26/06/2010
Ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho

Fleury vê distante uma eventual coligação com o PSB, mas diz que ao colocar os interesses locais acima da estratégia nacional, o grupo liderado por França acabou prejudicando o grande objetivo da chapa Eduardo Campos/ Marina Silva, que era fincar um pé em São Paulo. Paulo Skaf concorreu governo de São Paulo em 2010 pelo PSB e, numa disputa de primeiro turno regionalizada, poderia se reaproximar do ex-governador pernambucano.

Como a candidatura a vice na chapa do PMDB já foi ocupada pelo PDT, que confirmou o nome do criminalista e ex-deputado José Roberto Batocchio, resta ainda, segundo Fleury, a vaga para o Senado, que poderia ser oferecida a Kassab. O PMDB poderia ter definido o candidato na convenção do último sábado – e nesse caso o nome seria o deputado Gabriel Chalita –, mas estrategicamente deixou em aberto para facilitar uma negociação com um parceiro de peso.

A presença de Fleury na coordenação da campanha tem o aval da maior estrela peemedebista, o vice-presidente da República, Michel Temer, que foi secretário de segurança do ex-governador entre 1992 e 1994, período marcado pela crise do massacre dos 111 detentos do Carandiru.

Com um histórico político ligado ao combate ao crime – ele foi oficial da PM, promotor criminal e secretário de segurança no governo Orestes Quércia –, Fleury agregará ao plano de governo de Skaf contribuição num dos temas que deverá dominar a campanha para o governo paulista, que a insegurança da população paulista diante do avanço do crime organizado e o caos de um sistema penal dominado por facções. Joga a seu favor o fato de não disputar espaço no partido, já que optou pela advocacia.

Fleury simboliza também a tentativa de retomada do poder em São Paulo pelo grupo que, do antigo MDB, originou o PMDB e, deste, a dissidência que gerou o tucanato e as longas duas décadas de predomínio deste no topo do poder. Com a redemocratização do país, o PMDB chegou ao Palácio dos Bandeirantes nas três primeiras eleições (1982, com Franco Montoro, 1986, com Orestes Quércia e, em 1990, com Fleury).

Em 1994, uma dissidência do mesmo grupo, abrigada no PSDB, estimulada pelo Plano Real que levou Fernando Henrique Cardoso ao Palácio do Planalto, passou a dominar a política regional, primeiro, com Mário Covas, depois com Alckmin, José Serra e Alckmin novamente.

Fleury afirma que ao contrário das últimas cinco eleições, esta é a primeira que um candidato do partido, com 21% da preferência do eleitorado, arranca com chances reais de reconquistar o poder. “As eleições estão polarizadas entre PMDB e PSDB. Skaf vai crescer”, aposta.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.