Próximo do PSDB, eleitorado do interior paulista é principal desafio do PT em SP

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Eleitor paulista é conservador e procura manter a mesma estrutura política que governa o Estado há 20 anos. Hoje, não é Padilha, mas Skaf que ameaça Alckmin em eventual 2º turno

Dos 3,5 milhões de votos que separaram a vitória do PSDB da derrota petista nas eleições estaduais de São Paulo em 2010, três quartos foram no interior. Uma diferença que nas urnas representou 2,7 milhões de votos e que hoje torna a região o principal foco da pré-campanha de reeleição do tucano Geraldo Alckmin e do pré-candidato Alexandre Padilha (PT).

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O grande empecilho petista para avançar no interior paulista é o perfil historicamente conservador do eleitor, não em termos de valores, mas conservador no desejo de manter a mesma estrutura política que governa o Estado há quase 20 anos. “O interior é muito influenciado pelas disputas locais, onde geralmente você tem pouca rivalidade política, e a tendência é que esse eleitorado contribua pouco para mudança política”, diz o cientista político da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Marco Antônio Teixeira.

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Essa preferência pelo conhecido explica o alinhamento histórico do interior ao PMDB, de Orestes Quércia, e ao PSDB, antes de Mário Covas e agora de Alckmin. “Eu acho que há um reconhecimento com o governo, e uma identidade muito grande com o governador, porque ele também é interiorano”, afirma o deputado federal Duarte Nogueira, presidente estadual do PSDB, em referência ao passado político de Alckmin em Pindamonhangaba, a 160 km da capital paulista. “Ele está sempre presente, entregando e mostrando trabalho, e isso é visível”, defende o tucano.

Alice Vergueiro / Futura Press
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (centro), recebe o apoio do PP de Paulo Maluf para as eleições de 2014 (direita)

Para Emidio de Souza, presidente do diretório estadual do PT e coordenador da pré-campanha de Padilha, essa presença de Alckmin, na verdade, é uso da máquina pública para fins eleitorais. O petista rechaça qualquer análise que classifique o interior como próximo ao tucano. “Se fosse, o PT não tinha ganhado cidades importantes como São José dos Campos, Araçatuba, e muitas outras em 2012”, diz. O otimismo de Emidio se baseia no crescimento de cerca de 18 milhões de votos do PT nas últimas eleições municipais em todo o Brasil, no primeiro turno, em relação a 2008.

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Partido com maior número de votos nas eleições de dois anos atrás, o PT conseguiu eleger um número recorde de cidades na região metropolitana de São Paulo, conquistando, além da capital, uma vitrine que soma 11 milhões de eleitores: São Bernardo do Campo, Santo André, Osasco, Guarulhos, Mauá e Carapicuíba.

E é no embalo de repetir o sucesso do chamado “cinturão vermelho” que o PT de São Paulo dedicou boa parte da pré-campanha para apresentar o ex-ministro da Saúde aos rincões paulistanos, indo de cidade em cidade, nas chamadas caravanas do horizonte paulista. A estratégia, entretanto, foi suspensa liminarmente pela Justiça Eleitoral, que entendeu que a peregrinação não passa de propaganda antecipada.

No foco das caravanas, há mais de 100 cidades em regiões estratégicas. Muitas, como Araçatuba, um dos berços do agronegócio paulista, tem o petista Cido Sério (PT) no comando após vitória em 2012, mas, em 2010, elegeu Alckmin para o governo, com uma vantagem de quase 50% dos votos. “Essas coisas mudam muito de uma eleição para outra”, diz Emidio, que afirma que o partido, apesar das caravanas, ainda não tem estratégias definidas. “Nós estamos vendo o Estado como um todo, não formulamos uma estratégia específica para o interior.”

O histórico das eleições, entretanto, mostra que é mais fácil para o PT crescer nas regiões metropolitanas e grandes cidades do que no interior do Estado e, segundo o próprio Emidio, Padilha tem um perfil que se encaixa mais com o eleitor paulistano. “O eleitorado das grandes cidades está mais acostumado com o PT. O perfil do Padilha é um perfil com o qual o eleitor de São Paulo se identifica”, diz.

O PT consegue entrar melhor nas grandes cidades, e um dos motivos é o porte maior das organizações de movimentos sociais no meio urbano, prefeituras mais estruturadas e maior presença do governo federal, que ofuscam em larga medida alguns trabalhos do governo estadual, muitas vezes protagonistas nas pequenas cidades. “Eu acho que há uma exigência maior por parte da população dos grandes centros, há mais cobrança, e também informações desencontradas. E neles, as obras do governo do Estado são menos aparentes, e isso acaba tendo um efeito menor na população, que valoriza menos”, avalia o tucano Duarte Nogueira.

Para Nogueira, que participará da coordenação de campanha à reeleição de Alckmin, apesar do crescimento petista há dois anos, a tendência é de regressão, principalmente depois das manifestações de junho, que para ele ficaram sem resposta do governo federal. “Superfaturamento, desvios, isso virou uma marca do PT. Há uma frustação muito grande e acho que vai ocorrer um encolhimento muito grande nestas eleições. Há uma crítica muito contundente nas ruas, de que essa realidade precisa ser mudada”, afirma.

André Lucas Almeida/Futura Press
Skaf foi referendado em votação de 599 delegados, sendo 596 votos a favor

Fator Skaf

Alckmin ganhou as eleições de 2010 ainda no primeiro turno, mas, apesar da larga vantagem, Aloizio Mercadante, candidato do PT na época, se manteve um pouco acima da média dos 30% de preferência do eleitorado paulista. Às vésperas do início da eleição, Padilha ainda não conseguiu decolar nas pesquisas de opinião, empacando em torno dos 4% de intenções de voto. Se a eleição fosse hoje e Alckmin não vencesse no primeiro turno, como apontam as pesquisas, Paulo Skaf (PMDB) é o candidato que aparece como seu principal adversário.

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Em 2010, Skaf, então no PSB, conquistou apenas 5% das intenções de voto. Mas agora no PMDB, o partido com mais prefeitos eleitos em 2012, em todo o País, o cenário é outro. Com 21% no Datafolha do dia 9 de junho, o presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) pode levar a eleição para o segundo turno, em especial após o início do horário político televisivo, quando aumentará a sua visibilidade. “A eleição estadual está pouco debatida, os nomes dos candidatos estão pouco divulgados”, diz Marco Antonio Teixeira. “Mas Skaf é ligado ao capital, e já tem uma grande entrada no interior, por causa da Fiesp e do Sistema S (no qual se incluem Sesc, Senai e Sesi)”.

A eleição de Skaf, um nome novo, entretanto, significaria a volta do PMDB de Quércia ao governo. PMDB que também já foi de Covas, que, segundo Duarte Nogueira, já dizia: “o povo nunca erra, ele sempre acerta, se ele tiver todas as informações”.

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