Sem decolar nas pesquisas, Padilha será lançado candidato em SP com Lula

Por Natália Peixoto - iG São Paulo | - Atualizada às

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Partido aposta em ex-presidente como cabo eleitoral para eleger ex-ministro, hoje com apenas 3% das intenções de voto

O PT estadual lança neste domingo (15) a candidatura do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha ao governo de São Paulo, apesar do baixo desempenho de seu nome na última pesquisa Datafolha. Padilha aparece estagnado com 3% das intenções de voto, bem atrás dos 21% de Paulo Skaf, do PMDB, partido aliado do governo federal. “É pouco, mas não nos assusta. É muito cedo, não há nada definido ainda, não tem por que ficar preocupado”, diz Emidio de Souza, presidente do PT paulista e coordenador da pré-campanha de Padilha.

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Divulgação
Na disputa por SP, Padilha tem o desafio de se tornar conhecido e sair dos 3% nas pesquisas


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A demora em decolar causou especulações de que o PT nacional estaria inseguro com a candidatura de Padilha, e começaria a apostar em Skaf para levar a disputa ao segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado. “Não existe essa avaliação, isso tudo é fofoca. A avaliação nacional sabe que, em campanha com candidato novo, tudo é mais difícil”, afirma Emidio.

Cenário: Paulo Skaf não deve ceder palanque para Dilma durante campanha

Para o petista, ainda é cedo para falar em resultados dos trabalhos em prol de Padilha, novato nas disputas ao Executivo. “Eleição em São Paulo nunca foi fácil e não será fácil. Todas as eleições são muito difíceis, e quando você tem um candidato novo, a dificuldade cresce. Se fosse a Marta (Suplicy), ou (Aloizio) Mercadante, os números nas pesquisas seriam outros, porque eles já são conhecidos.”

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Antes do prazo inicial para campanha, que é liberada pela Justiça Eleitoral a partir de julho, o ex-ministro da Saúde tentou se tornar conhecido no interior do Estado - onde reside a maior força de Alckmin - ao promover as caravanas horizonte paulista, interpretadas como uma reedição das caravanas de Lula. Com um ônibus e uma equipe bancada pelo partido, Padilha viajou a mais de 100 cidades em São Paulo, para se apresentar e conhecer os problemas de cada local. As caravanas foram suspensas liminarmente no final de maio, consideradas propaganda antecipada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP).

Apoio de Maluf

O evento que consagra a candidatura de Padilha terá a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e também lança Eduardo Suplicy à reeleição ao Senado. Além dos dois, Padilha também deve contar com a presidente Dilma Rousseff como cabo eleitoral, mas a principal aposta para deslanchar a candidatura segue sendo Lula. Inicialmente prevista para participar da convenção deste domingo, Dilma cancelou sua vinda a São Paulo com a justificativa de que tem de se preparar para uma visita da chanceler alemã, Angela Merkel, a Brasília.

Alice Vergueiro / Futura Press
O pré-candidato ao governo de São Paulo, Alexandre Padilha (centro), recebe o apoio do PP de Paulo Maluf para as eleições de 2014

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Também em busca de se tornar mais conhecido, Padilha precisa aumentar seu tempo de TV e tenta repetir no Estado a base de sustentação do governo Dilma. Até agora, o petista já atraiu o aliado histórico PCdoB e o PP, de Paulo Maluf, antigo aliado tucano.

Na disputa com o PSDB do governador Geraldo Alckmin, há 20 anos à frente do governo paulista, o PT precisa reunir todas as forças e aliados possíveis. Padilha é uma aposta pessoal de Lula, no mesmo molde das eleições de Dilma e do prefeito da capital, Fernando Haddad. A eleição do ex-ministro faz parte da estratégia de conquistar o Estado de São Paulo, iniciada já em 2012. Além de Haddad, o PT conquistou um número inédito de prefeituras na região metropolitana da capital, governando 12 milhões dos 14 milhões de eleitores dos 39 municípios do entorno paulistano.

A resistência do eleitorado paulista ao nome de Padilha se deve, em grande parte, ao desconhecimento sobre quem é o ex-ministro, a grande popularidade de Alckmin no interior e ao envolvimento do nome do petista em denúncias da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. As investigações da PF apontam que um ex-assessor do Ministério da Saúde teria sido indicado pelo próprio Padilha para trabalhar no laboratório Labogen, do doleiro Alberto Youssef, o que o petista nega.

Como defesa, Padilha adota a estratégia de ataque a Alckmin, lembrando a crise do sistema Cantareira, as denúncias de cartel no Metrô, e a suposta leniência do governo tucano com o domínio do PCC nos presídios do Estado. Essa última estratégia, entretanto, foi abalada pelas denúncias de envolvimento do deputado petista Luiz Moura com a facção.

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