Apesar de ser de partido da base aliada de presidente, candidato diz que 'os três principais candidatos de SP são adversários'

Pelo menos no primeiro turno das eleições, o candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, não conta e nem deverá ceder palanque para a presidente Dilma Rousseff, apesar de seu padrinho político, o vice-presidente Michel Temer, estar concorrendo mais uma vez ao lado da candidata do PT.

Leia mais:  PMDB oficializa Paulo Skaf como candidato ao governo de São Paulo

“Não pretendo gerar desconforto a ninguém”, disse ao se referir a um eventual desejo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em construir dois palanques para Dilma em São Paulo. “Os três principais candidatos em São Paulo (PSDB, PMDB e PT) são adversários”, disse Skaf, na primeira entrevista como candidato oficial do partido logo depois de ser oficialmente lançado na convenção em São Paulo na tarde de sábado.

Skaf lembrou que a presidente Dilma não participou da festa do PMDB, mas que estava previsto que participaria neste domingo da convenção ao lado do candidato do PT , o ex-ministro Alexandre Padilha. “O que dá para deduzir?”, indagou, numa referência sutil à impossibilidade de dividir palanque com Dilma. A presidente, no entanto, cancelou neste domingo sua vinda a São Paulo com a justificativa de que tem de se preparar para uma visita da chanceler alemã, Angela Merkel, a Brasília.

Cancelamento: Esperada para alavancar Padilha, Dilma fica em Brasília por Merkel

O candidato do PMDB disse que a eleição paulista será estadualizada e afirmou que até o dia 30 de junho dará andamento às conversações em busca de novos parceiros para engrossar a coligação, que já tem o PDT e o PROS.

A meta do PMDB é atrair o PRB de Celso Russomano, que acrescentaria poucos segundos de tempo na televisão, mas tem forte presença nas classes C e D, justamente onde o empresário ainda é desconhecido. Em relação ao PSB e PSD, Skaf disse que a relação nesse momento “é equidistante” e não alimentou maiores esperanças.

Na avaliação do PMDB, o ex-prefeito Gilberto Kassab já estaria com acordo quase fechado com o governador Geraldo Alckmin, de olho nos nove meses de governo que herdaria caso o PSDB vença as eleições e seu candidato se desincompatibilize para disputar uma vaga ao Senado em 2018. Estratégico e jogador na política, foi assim que Kassab construiu seu partido: fez acordo com o ex-ministro José Serra para a Prefeitura e, quando este saiu para disputar o governo assumiu e, em nove meses, firmou-se como liderança.

Skaf ainda não terminou o programa de governo que apresentará, mas definiu as linhas básicas: saúde, educação, segurança, mobilidade e transporte, com ênfase em pesados investimentos na construção de novas linhas de metrô. “Serão investimentos que dificilmente terão retorno, mas é para a população”, disse o candidato. Ele usou o exemplo da Cidade do México, cuja malha metroviária começou a ser construída juntamente com São Paulo, em 1975, e hoje tem 220 km contra os 76 km da capital paulista, para explicar que mobilidade urbana será uma das prioridades. O candidato fala em fazer 40 anos em 4 em mobilidade e em estender a malha metroviária para 170 km.

O peemedebista disse que separará gestão pública da atividade política e garantiu que os apoios que está recebendo não serão retribuídos com indicações para cargos. Segundo ele, o compromisso será com resultados e as mudanças para evitar a política de interesses que, segundo ele, facilita a corrupção.

Skaf acha que as pesquisas já demonstram que a disputa está polarizada entre PMDB e PT e que seus 21 pontos na preferência do eleitorado demonstraram que já foi rompido o ciclo de 20 anos em que PT e PSDB tiveram os principais candidatos ao governo paulista. “Quebramos a tradição. Nossa candidatura já é competitiva”, afirmou.

Skaf terá como candidato a vice o criminalista e ex-deputado federal José Roberto Batocchio, do PDT. Estrategicamente o PMDB ainda não definiu seu candidato ao Senado, embora o deputado e ex-candidato a Prefeitura, Gabriel Chalita, esteja no páreo. A demora deve-se a uma pálida esperança de que Kassab acabe ficando sem espaço no PSDB (a vaga para o Senado lá deverá ser de José Serra) e decida apoiar Skaf.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.