Paulo Skaf deve negar palanque para Dilma no primeiro turno

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Apesar de ser de partido da base aliada de presidente, candidato diz que 'os três principais candidatos de SP são adversários'

Pelo menos no primeiro turno das eleições, o candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, não conta e nem deverá ceder palanque para a presidente Dilma Rousseff, apesar de seu padrinho político, o vice-presidente Michel Temer, estar concorrendo mais uma vez ao lado da candidata do PT.

Leia mais: PMDB oficializa Paulo Skaf como candidato ao governo de São Paulo

Paulo Skaf é visto durante convenção do PMDB que o referendou como como candidato ao governo de São Paulo. Foto: Twitter/ReproduçãoSkaf foi referendado em votação de 599 delegados, sendo 596 votos a favor. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPresidente licenciado da Fiesp (foto) terá como vice o criminalista José Roberto Batocchio. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPaulo Skaf durante convenção estadual do PMDB, em São Paulo. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressO vice-presidente da República, Michel Temer e Paulo Skaf dão entrevista durante convenção estadual do PMDB. Foto: André Lucas Almeida/Futura PressPartidários seguram bandeiras de São Paulo durante convenção que confirmou Paulo Skaf como candidato do PMDB ao governo do Estado. Foto: Twitter/Reprodução

“Não pretendo gerar desconforto a ninguém”, disse ao se referir a um eventual desejo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em construir dois palanques para Dilma em São Paulo. “Os três principais candidatos em São Paulo (PSDB, PMDB e PT) são adversários”, disse Skaf, na primeira entrevista como candidato oficial do partido logo depois de ser oficialmente lançado na convenção em São Paulo na tarde de sábado.

Skaf lembrou que a presidente Dilma não participou da festa do PMDB, mas que estava previsto que participaria neste domingo da convenção ao lado do candidato do PT, o ex-ministro Alexandre Padilha. “O que dá para deduzir?”, indagou, numa referência sutil à impossibilidade de dividir palanque com Dilma. A presidente, no entanto, cancelou neste domingo sua vinda a São Paulo com a justificativa de que tem de se preparar para uma visita da chanceler alemã, Angela Merkel, a Brasília.

Cancelamento: Esperada para alavancar Padilha, Dilma fica em Brasília por Merkel

O candidato do PMDB disse que a eleição paulista será estadualizada e afirmou que até o dia 30 de junho dará andamento às conversações em busca de novos parceiros para engrossar a coligação, que já tem o PDT e o PROS.

A meta do PMDB é atrair o PRB de Celso Russomano, que acrescentaria poucos segundos de tempo na televisão, mas tem forte presença nas classes C e D, justamente onde o empresário ainda é desconhecido. Em relação ao PSB e PSD, Skaf disse que a relação nesse momento “é equidistante” e não alimentou maiores esperanças.

Na avaliação do PMDB, o ex-prefeito Gilberto Kassab já estaria com acordo quase fechado com o governador Geraldo Alckmin, de olho nos nove meses de governo que herdaria caso o PSDB vença as eleições e seu candidato se desincompatibilize para disputar uma vaga ao Senado em 2018. Estratégico e jogador na política, foi assim que Kassab construiu seu partido: fez acordo com o ex-ministro José Serra para a Prefeitura e, quando este saiu para disputar o governo assumiu e, em nove meses, firmou-se como liderança.

Skaf ainda não terminou o programa de governo que apresentará, mas definiu as linhas básicas: saúde, educação, segurança, mobilidade e transporte, com ênfase em pesados investimentos na construção de novas linhas de metrô. “Serão investimentos que dificilmente terão retorno, mas é para a população”, disse o candidato. Ele usou o exemplo da Cidade do México, cuja malha metroviária começou a ser construída juntamente com São Paulo, em 1975, e hoje tem 220 km contra os 76 km da capital paulista, para explicar que mobilidade urbana será uma das prioridades. O candidato fala em fazer 40 anos em 4 em mobilidade e em estender a malha metroviária para 170 km.

O peemedebista disse que separará gestão pública da atividade política e garantiu que os apoios que está recebendo não serão retribuídos com indicações para cargos. Segundo ele, o compromisso será com resultados e as mudanças para evitar a política de interesses que, segundo ele, facilita a corrupção.

Skaf acha que as pesquisas já demonstram que a disputa está polarizada entre PMDB e PT e que seus 21 pontos na preferência do eleitorado demonstraram que já foi rompido o ciclo de 20 anos em que PT e PSDB tiveram os principais candidatos ao governo paulista. “Quebramos a tradição. Nossa candidatura já é competitiva”, afirmou.

Skaf terá como candidato a vice o criminalista e ex-deputado federal José Roberto Batocchio, do PDT. Estrategicamente o PMDB ainda não definiu seu candidato ao Senado, embora o deputado e ex-candidato a Prefeitura, Gabriel Chalita, esteja no páreo. A demora deve-se a uma pálida esperança de que Kassab acabe ficando sem espaço no PSDB (a vaga para o Senado lá deverá ser de José Serra) e decida apoiar Skaf.

Leia tudo sobre: pmdbeleições2014paulo skaf

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas