Em convenção, Aécio subirá tom contra Dilma e tentará passar imagem de unidade

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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José Serra tem lugar reservado pela organização para discursar em apoio ao mineiro, mas indefinições sobre seu futuro político e até mesmo sobre sua presença no ato persistem

O discurso do pré-candidato tucano Aécio Neves para a convenção nacional do PSDB, que ocorre neste sábado (14), pretende mostrar aos colegas de partido que seu tom na campanha será o de ataque implacável à presidente Dilma Rousseff e ao PT. Esse ponto é entendido pelos tucanos como capaz de empolgar a plateia e passar a imagem de unidade, apesar das indefinições que rondam o evento tucano em que será confirmada a candidatura presidencial do mineiro.

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Aécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso são vistos em Convenção Nacional do PSDB no Expo Center Norte em São Paulo, SP. Foto: Futura PressDa E para D: Serra, Geraldo Alckmin, FHC e Aécio Neves durante Convenção Nacional do PSDB no Expo Center Norte em São Paulo. Foto: Futura PressConvenção Nacional do PSDB. Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesAécio Neves e o ex-presidente Fernando Henrique durante a Convenção Nacional do PSDB. Foto: Facebook Oficial de Aécio NevesDurante a Convenção Nacional do PSDB, Aécio Neves recebe um beijo da filha, Gabriela. Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesConvenção Nacional do PSDB, em São Paulo . Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesPresentes celebram durante Convenção Nacional do PSDB no Expo Center Norte em São Paulo, SP. Foto: Futura PressParticipante de Convenção Nacional do PSDB segura cartaz indicando que curte Aécio Neves. Foto: Futura PressCartazes com os dizeres 'Muda Brasil' são vistos durante Convenção Nacional do PSDB. Foto: Orlando Brito/ Facebook Oficial de Aécio NevesPSDB realiza em São Paulo convenção nacional. Foto: Wanderley Preite Sobrinho/iG São PauloParticipantes celebram durante Convenção Nacional do PSDB. Foto: Igo Estrela/ Facebook Oficial de Aécio NevesHomem segura bandeira favorável a Aécio Neves durante Convenção Nacional do PSDB em São Paulo. Foto: Igo Estrela/ Facebook Oficial de Aécio Neves

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Aécio deve se referir a Dilma como um “produto” e se colocar como um político com “começo, meio e fim”, capaz de oferecer “nome limpo” e “alternância de poder” no governo federal.

Já em relação ao socialista Eduardo Campos, Aécio não fará ataques diretos. O tucano, no entanto, pretende se apresentar como único candidato “genuinamente de oposição”. A ideia é se diferenciar de Campos, que tem feito ataques a Dilma, mas defendido o ex-presidente petista Luiz Inácio Lula da Silva, do qual foi ministro no primeiro mandato e aliado de primeira hora dos governos petistas.

O PSDB chega à convenção em clima de expectativa sobre a escolha do vice na chapa presidencial tucana. As atenções também se voltam para o futuro do ex-governador José Serra, sua participação na campanha e até mesmo sua presença na própria convenção.

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Divulgação Facebook
PSDB chega à convenção nacional em clima de expectativa sobre a escolha do vice

Empenhado em minimizar o impacto dessas indefinições, Aécio pretende explorar o apoio que o PMDB formalizou à presidente Dilma Rousseff na última terça-feira (10), com grande parte do partido governista votando contrária à aliança. Na avaliação dos tucanos, a cena de Dilma com seu vice, Michel Temer, diante de uma plateia dividida, passa mais a imagem de desagregação que as indefinições no campo da oposição.

A cúpula do PSDB reservou para Serra espaço para que ele fale no evento, no entanto, ainda é uma incógnita se ele realmente discursará em apoio ao mineiro. Além dele, a organização da convenção previu discurso do governador paulista Geraldo Alckmin, que fará as honras de anfitrião do evento, e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

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O ex-governador de Minas Gerais Antônio Anastasia, que deixou o cargo para concorrer a uma vaga no Senado, falará em nome dos governadores do partido. Representando os prefeitos tucanos, o nome escalado para discursar é o do prefeito de Maceió, Rui Palmeira.

Desgaste

Serra é o mais importante líder tucano em São Paulo, principalmente no interior do Estado, maior colégio eleitoral do país. A rivalidade interna com o mineiro é conhecida e ficou clara nas campanhas presidenciais que Serra enfrentou, nas quais Aécio não teve uma participação ativa. Além disso, em 2009, quando os tucanos disputavam internamente quem seria o candidato do partido à Presidência da República, rumores de produção de dossiês de um contra o outro serviram para desgastar ainda mais a relação.

Reprodução Facebook
Aécio em Convenção Estadual em Minas Gerais

Recentemente, as negociações para preencher o posto de vice de Aécio ajudaram a desgastar ainda mais os ânimos entre o senador mineiro e o ex-governador paulista. Aliados de Serra chegaram a defender publicamente sua indicação para a vaga. No entanto, a resistência do senador mineiro teria contribuído para desmobilizar a articulação, deixando Serra ainda mais contrariado.

Serra ainda não informou aos seus mais fiéis aliados se aceitará ser o candidato do partido a uma vaga ao Senado, tese que tem sido defendida pela maior parte dos tucanos paulistas, que enxergam o ex-governador como a única pessoa capaz de garantir para a coligação a eleição para a única vaga de senador na disputa deste ano.

Essa tese, entretanto, depende também da montagem da chapa para a reeleição de Geraldo Alckmin. O governador paulista segue negociando alianças com PSD e PSB. Uma das alternativas cogitadas no momento é a possibilidade de abrir a esses e outros partidos aliados, como o PTB, a possibilidade de terem candidaturas independentes ao Senado. Isso, segundo tucanos, tende a dificultar a entrada de Serra na corrida para senador. A convenção estadual está marcada para o próximo 29 de junho.

Indefinição

Diante da indefinição sobre quem ficará com o posto de vice na chapa nacional do PSDB, a opção é os delegados darem à executiva nacional do partido a prerrogativa de escolher o nome e fechar as alianças que ainda estão pendentes. Nesse caso, tucanos esperam que tudo se resolva até o fim de junho.

A escolha do vice tem sido uma tarefa difícil para Aécio. O mineiro ignorou os sinais emitidos pelos chamados serristas e ainda não sinalizou sobe os critérios que pretende adotar para a escolha.

Duas teses prosperam no PSDB. A primeira é de que o vice tem que sair de São Paulo, maior colégio eleitoral do país com 32 milhões de eleitores. Neste caso, de acordo com interlocutores próximos ao senador, o nome mais cogitado é o do colega Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), apesar das denúncias de envolvimento do senador paulista com o suposto esquema de propina envolvendo as empresas Siemens e Alstom com o governo de São Paulo.

Aloysio nega seu envolvimento e na avaliação de pessoas próximas a Aécio, este assunto não deverá provocar mais consequências políticas durante a campanha. Além disso, o grupo mais ligado a Aécio entende de um vice de São Paulo seria importante para a campanha.

Em reservado, um tucano bastante próximo de Serra argumentou que Aécio não deveria minimizar o poder de contaminação de uma suspeita de corrupção, mesmo que a acusação não seja provada ou verdadeira. Mas que um vice que renda votos, os serristas defendem que a escolha de Aécio leve em consideração a ideia de ter um vice que não atrapalhe.

Outra tese, com menor força, aponta para a escolha de um vice do Nordeste, região considerada o calcanhar de Aquiles para a campanha presidencial tucana. Nesse caso, o nome cogitado foi o do ex-senador tucano Tasso Jereissati (CE). No entanto, nos últimos dias, este nome perdeu força, diante da avaliação de que Tasso não traria votos do Nordeste inteiro na proporção imaginada anteriormente. Além disso, há uma avaliação de que Jereissati seria mais útil como candidato ao Senado, montando o palanque de Aécio no Ceará.

Aécio ainda chegou a dizer aos mais próximos que gostaria de ter uma mulher como candidata a vice e que o nome da senadora Ana Amélia (PP-RS) seria um nome ideal. No entanto, a senadora seguiu seu projeto de candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, inclusive com o apoio do tucano. Houve ainda menção ao nome da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Outra mulher sondada pelo tucano foi a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Ellen Gracie (RJ), no entanto, a ex-ministra, que chegou a presidir o Supremo, recusou o convite, de acordo com tucanos do centro da coordenação da campanha.

Estratégia

A demora na escolha do vice ainda atende a outro propósito dos tucanos: o de esperar definições em relação à aliança que será formada por Dilma Rousseff. Nesse caso, ainda estão na mira do tucano, partidos como PP, liderado pelo tio de Aécio, senador Francisco Dornelles (RJ), e o PSD, conduzido pelo ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

O ex-prefeito, apesar de ter se aproximado de Dilma no ano passado, tem mantido conversas constantes para a composição em São Paulo com o governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição. Sua posição tem sido mantida em segredo e alimentado em lideranças tucanas paulistas a esperança de ter um vice do PSD. Um nome também cogitado para a vaga foi o do ex-presidente do Banco Central do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Francisco Meirelles.

Também não está descartada a possibilidade do vice de Aécio sair do DEM, legenda coligada formalmente com o tucano. Neste caso, as conversas estão sendo mantidas com o prefeito de Salvador, Antônio Carlos Magalhães Neto, além do próprio presidente do partido, o senador Agripino Maia (RN), um dos nomes cogitados para a vaga.

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