Em alta nas pesquisas, Skaf se apresentará como 'o novo' em convenção do PMDB

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo | - Atualizada às

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Presidente licenciado da Fiesp, pré-candidato ao governo de SP está em seu melhor momento na disputa e tenta quebrar o histórico predomínio PSDB-PT nas eleições do Estado

Aos 55 anos e em sua segunda eleição, o pré-candidato do PMDB ao governo de São Paulo, Paulo Skaf, cujo nome deve ser referendado na convenção do partido neste sábado, vive seu melhor momento político. A quatro meses do pleito, foi apontado na última pesquisa do Datafolha como dono de 21% das intenções de voto e apresenta-se como a Terceira Via ao predomínio do PSDB e PT nas disputas dos últimos 24 anos, período em que o PMDB, para o qual Skaf migrou em 2011, ficou sem candidatura própria no Estado.

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Como segundo colocado, com sete vezes mais intenções que o pré-candidato do PT, Alexandre Padilha, na mesma pesquisa. “O Lula não tem mais arranque. Está perdendo força. A última pesquisa mostrou que ele (como eventual candidato) tem apenas quatro pontos a mais que a Dilma”, diz o jornalista e cientista político Gaudêncio Torquato. Para ele, embora ainda exerça forte influência eleitoral, Lula não transferirá prestígio como em 2010 e 2012 em razão da frustração das classes emergentes com o desempenho precário da economia, o que facilita a ascensão de Skaf.

Everton Amaro/Fiesp
Paulo Skaf, presidente licenciado da Fiesp, será o candidato do PMDB ao governo de São Paulo

Embora tenha disputado as eleições de 2010 pelo PSB, quando ficou em 4º lugar, com magros 4,56% dos votos, Skaf tem uma imagem pouco vinculada ao modelo político tradicional rejeitado nas manifestações que ganharam as ruas desde junho do ano passado. A musculatura demonstrada agora era tudo o que seu ex-correligionário o presidenciável Eduardo Campos precisava para fincar um pé em São Paulo.

Skaf chegará à convenção deste sábado acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, presidente do PMDB, e deverá fazer um discurso em que se apresentará como “o novo” na política paulista. Ele quer ser a alternativa para quebrar a hegemonia tucana, dando às costas à velha política à qual o PT também está vinculado. Não que ele, na essência, seja tão diferente.

Presidente licenciado da poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Skaf é criticado por usar a estrutura da entidade, o chamado sistema S, para alavancar suas pretensões político-eleitorais.

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Dono da Skaf Indústria Têxtil, que enfrentou dificuldades em 2004, o candidato do PMDB passou a presidir a entidades dos industriais justamente quando deixou de ser um deles. Na época vivia mais do aluguel de equipamentos da antiga indústria, que começou a descer ladeira com a entrada de têxteis chineses no país no início da década de 1990. Ele também presidiu o conselho administrativo da Paramount Lansul S/A e exerceu vários cargos em entidades ligadas ao setor industrial. Suas atividades empresariais foram redirecionadas para a indústria da construção.

Para um candidato que não quer vínculos com a política tradicional, deu uma derrapada na coerência ao buscar nos ex-ministros Adib Jatene (Saúde) e Delfim Neto (Planejamento) ajuda para elaboração do plano de governo. Os dois serviram, respectivamente, ao governo Fernando Collor e à ditadura militar.

Na área de cultura, recorreu ao maestro João Carlos Martins, reconhecido como um dos maiores pianistas do mundo, mas também protagonista de um escândalo de corrupção de dose cavalar: o pianista emprestou sua antiga empresa, a Paubrasil, para o ex-prefeito Paulo Maluf lavar dinheiro de campanha e supostas propinas recebidas quando foi prefeito de São Paulo, entre 1992 e 1996.

O perfil de Skaf como empreendedor lembra a de outro grande empresário, Antônio Ermírio de Moraes que, em 1986, um ano após o fim da ditadura, concorreu ao Palácio dos Bandeirantes, conquistou um segundo lugar (perdeu para Orestes Quércia e ganhou de Paulo Maluf) e nunca mais quis saber de eleições. Eleitoralmente, as chances de Skaf são bem maiores e representam a grande esperança do PMDB, do vice-presidente Michel Temer e de parceiros de coligação que abriram mão da disputar. Tem a seu favor, ainda, o peso do PIB paulista e os ventos por mudanças soprado pela jornada de manifestações iniciadas no ano passado.

“Se o Alckmin (governador Geraldo Alckmin) não matar no primeiro turno, o Skaf ganha no segundo”, diz o deputado estadual Major Olímpio, do PDT, que perdeu a disputa interna pela candidatura própria, e agora integra o grupo de apoiadores do empresário. O PDT cedeu o vice de Skaf, o criminalista e ex-deputado José Roberto Batochio.

Além da imagem ligada ao setor produtivo e de ativista combatido contra os altos impostos, Major Olímpio acha que o peemedebista pode oferecer mais credibilidade nas propostas de segurança e do sistema prisional, pontos fracos de Alckmin e demandas de “compreensão sofrível” ao PT.

Gaudêncio Torquato prevê que num eventual segundo turno PT e PMDB repetirão em São Paulo a chapa presidencial e o acordo que vigorou em 2012 quando Temer, horas depois de confirmada a derrota de Gabriel Chalita, anunciou apoio a Haddad. O cientista vê amplas chances de Skaf chegar ao segundo turno em decorrência de um desgaste do PT e do PSDB em São Paulo.

“A estas alturas a pontuação de Skaf já é um fato novo na pré-campanha. Ele está sendo favorecido pela fadiga de material do PT e PSDB em São Paulo. Os tucanos estão há 20 anos no governo paulista e os petistas há 12 no governo federal”, observa Torquato. “O desgaste de Haddad, bafejado pelos reflexos da ação 470 (mensalão), que entra numa esteira de denúncias de corrupção também facilitam a vida de Skaf. Ele não foi contaminado pela velha política. Sua imagem é mais de empreendedor”, afirma o cientista político.

Segundo o cientista, a tendência no primeiro turno é Skaf “capturar” uma parcela dos eleitores de Padilha e, num eventual segundo turno, receber o apoio deste. “PT não vota em tucano. São inimigos históricos”, diz. Com o apoio do PDT, Skaf aumenta seu tempo de tevê em 30 segundos. Terá 4,5 minutos no horário eleitoral gratuito, o suficiente, segundo Torquato dizer a que vem.

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