Se eleição fosse decidida por maçons, segundo turno seria entre Campos e Aécio

Por Natália Peixoto - iG São Paulo |

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Presidenciável do PSB lidera pesquisa feita durante evento da maçonaria em SP. Socialista foi aplaudido diversas vezes, mas, apesar do apoio, não foi convidado para integrar a irmandade

Segundo turno entre Eduardo Campos (PSB) e Aécio Neves (PSDB). Esse seria o resultado da eleição, se ela tivesse ocorrido ontem (10) e se os eleitores fossem apenas os maçons e convidados que participaram de encontro com o pré-candidato e presidente do PSB, em São Paulo. O resultado, verificado por uma pesquisa feita em tempo real entre os cerca de 300 presentes, apontou 38% dos votos para Campos, 27% para Aécio e 18% para a presidente Dilma Rousseff. A consulta considerou o apoio de Marina Silva para Campos, de FHC para Aécio e de Lula para Dilma.

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Divilgação/Rede Colmeia
Os socialistas Eduardo Campos e Márcio França durante encontro da maçonaria

Se apostar nos indecisos do salão, assim como tem feito no Brasil, Campos ainda pode crescer muito: 13% não sabiam em quem votar. “É só deixar chegar o assunto na cabeça das pessoas, a campanha. Muitas pessoas que estão com o voto nulo vão falar que existe um novo caminho”, disse o presidenciável, ao comentar seu crescimento de cinco pontos percentuais no Ibope divulgado na tarde de ontem.

Ao lado de Campos, o maçom e presidente do PSB paulista, Márcio França, deu as boas vindas ao líder socialista, apresentando o pré-candidato ao Planalto para seus “irmãos e cunhadas”. França, cotado para ser vice de Alckmin (que ganharia entre os marços no primeiro turno, com 62%), falou das qualidades do presidenciável, como a sua coragem e ousadia, quando peitou Lula para concorrer ao governo de Pernambuco, há oito anos. “Vai deixar de ser ministro para disputar o governo?”, disse França, repetindo Lula. “Eu tenho um sonho”, respondeu também França, repetindo Campos.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Maçons assistem à palestra de Eduardo Campos, em São Paulo

A plateia foi dominada por homens – além de imprensa e de organizadoras, apenas meia dúzia de mulheres circulavam entre as três centenas de homens. Os grãos mestres dos três grupos maçônicos de São Paulo reunidos pelo Grupo Estadual de Ação Política da Maçonaria Paulista (GEAP) eram presença VIP. Secretários, vereadores e filiados ilustres, como o astronauta Marcos Pontes, também estavam presentes.

Apesar das faixas de homenagem e saudações a Campos - uma, inclusive, com a mensagem de apoio cifrada “Atibaia gosta é do ar do campo”. Sérgio Rodrigues, coordenador do GEAP, nega que haja qualquer apoio formal ao pré-candidato, e diz que todo irmão fica à vontade para formar sua própria opinião. A pesquisa, inclusive, não foi providenciada pelo grupo, mas pelo partido. Aécio, que falou aos maçons há exatos dois meses, ficou sem saber se estava entre os preferidos do grupo paulista.

Natália Peixoto / iG São Paulo
Pesquisa do PSB sonda preferência de maçons paulistas

Antes de falar no auditório na rua São Joaquim, no centro da capital, Campos se reuniu reservadamente com o grão mestre do Grande Oriente de São Paulo, Mário Sergio Nunes da Costa, e outras autoridades maçônicas. Na conversa, perguntas sobre suas opiniões para o futuro do Brasil, mas nenhum convite para se unir à irmandade maçônica, garante Rodrigues.

Durante a palestra, Campos foi aplaudido diversas vezes ao repetir os ataques à condução da política econômica de Dilma e ao loteamento de cargos do governo federal, do qual o PSB se distanciou quando decidiu concorrer ao Planalto. Foi ovacionado ao repetir seu discurso “fora Sarney” e respondeu às perguntas dos presentes, argumentando muito quando questionado se poderiam contar com o seu apoio para a redução da maioridade penal. “Não dá para responder (de forma) simples assim. Vamos falar a verdade. Se fosse assim, não tinha ninguém cometendo crimes acima de 18 anos”, disse, causando um pequeno desapontamento na plateia.

Apesar do pequeno descompasso, o público já estava conquistado. Campos agradeceu a acolhida e se despediu de todos. Antes de ir, ganhou um pequeno martelo de Costa, o símbolo maior de poder da maçonaria. “Espero que você leve para o Planalto.”

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