'PT precisa se reinventar', diz ex-líder do partido na Câmara dos Deputados

Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília |

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Deputado defende que partido volte a se aproximar de movimentos sociais, reveja política de alianças e diz ter ficado chocado com a prisão do irmão José Genoino

Ex-líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães (CE) faz críticas aos rumos que o seu partido tomou a partir da eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Guimarães questiona a política de alianças do PT e propõe uma reavaliação do quadro depois da eleição deste ano. Ele acusa o PT de ter se afastado dos movimentos sociais e ter se transformado “num partido institucional”. Irmão de José Genoino, Guimarães conta que ficou chocado com a situação do ex-presidente do PT na prisão.

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“O Lula, para ganhar a eleição, tinha de fazer as alianças que fez e se consolidar como o ‘Lulinha Paz e Amor’ porque não tínhamos maioria social e nem no parlamento para ganhar a eleição. Sem isso não ganharíamos”, avalia Guimarães. “O problema é que ficamos só nisso. Quando vieram as crises, cadê o peso social? No Brasil, não se constrói governabilidade sem o peso social, sem movimento social forte, atuante, exercendo protagonismo. Chega uma hora, em determinadas matérias, em que há o conflito. O governo entra para mediar e o partido tem de ter lado”, defende o petista.

“Esse ciclo que o Lula inaugurou para ganhar a eleição foi correto. O que não foi correto é o PT ter abandonado os outros caminhos e se institucionalizar dentro da máquina pública só para isso. Não pode ser assim”, disse Guimarães. O ex-líder do PT afirma defender que o partido se posicione de forma mais independente até em relação ao governo. “O partido tem de tensionar o governo, sim. O programa do partido é um, do governo é outro. Tem pontos de identidade e não pode ser a mesma coisa. Isso vale para qualquer governo”, afirma ele, deixando claro que isso não significa abrir mão do compromisso com o governo da presidente Dilma.

Genoino e Barbosa

Guimarães falou a respeito de seu irmão, José Genoino, que voltou a cumprir pena no presídio da Papuda, em Brasília, no dia 1º de maio, depois de período em prisão domiciliar. Ele contou que tem feito visitas às quartas-feiras ao irmão e que a situação dele tem perturbado a família. “Fiquei chocado. Isso chocou muito a nossa família. Minha mãe, talvez, seja a maior vítima disso. Ela tem 88 anos. Se eu ligar todo dia para ela, ela me pergunta como está o Genoino. Um senhora que mora no interior do Ceará”, disse Guimarães.

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“O Genoino preso? Qual foi o crime que o Genoino cometeu? Todo mundo sabe. Se tiver três pessoas honestas nesse país ele é uma delas. Passar por tudo isso? Fiquei chocado. Ia lá hoje, mas estou pensando porque voltei entalado. Com a história que tem, com a vida que leva, com a família que tem… ele não merecia isso”, acrescentou ele. “Foi duro. Não sei quando essa ferida vai cicatrizar. A vida é quem vai dizer”, declarou o irmão de Genoino.

Ao comentar sobre a aposentadoria do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, Guimarães procura não dar ao fato importância demasiada. “Um ato normal. Para mim, não teve nada de especial nisso. Nem que fica, nem que sai. Todos os atos do Joaquim estão aí para a sociedade julgar. Ele sairá agora, nem sei as razões e nem me interessa as razões que o levaram a deixar a Corte Suprema”, afirmou o petista.

O ex-líder do PT na Câmara demonstra alguma satisfação com a possibilidade de que Barbosa siga uma carreira política partidária. “Quando um juiz, um promotor, vai para a política, para mim é a melhor coisa porque os mortais se igualam. Adoraria que nos encontrássemos no parlamento fazendo política”, provocou ele, que arriscou pitacos para uma reforma do Judiciário. “Acho que o Judiciário precisa passar por uma reforma profunda. Não sei se membros dos tribunais devam ser escolhidos pelo presidente da República. Por que não escolher diretamente? Por que não estabelecer limite de mandatos?”, sugeriu.

Dólar na cueca

Guimarães comentou a respeito do caso do seu ex-assessor que foi detido em 2005 no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, no auge da crise do mensalão, com dólares na cueca e presos ao corpo por baixo da roupa. Na época, o petista era deputado estadual no Ceará e seu irmão Genoino presidia o PT. “Eu renasci das cinzas”, declara. “Cheguei aqui em 2007 marcado por isso. O irmão do Genoino. Furar isso talvez tenha sido o meu maior desafio”, admitiu ele, acrescentando tratar-se de um episódio superado.

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