PT busca o agronegócio para tentar “aliança ampla” em São Paulo

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento |

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Para chegar ao 2º turno da disputa no Estado, Alexandre Padilha aposta na possibilidade de ampliar o diálogo com setores da sociedade que não costumam votar no partido

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Nas pesquisas de intenção de votos, o ex-ministro Alexandre Padilha ainda está muito abaixo do patamar histórico dos candidatos petistas ao governo de São Paulo. Mas, para chegar ao segundo turno da disputa no Estado – algo que o partido só conseguiu em 2002, com a candidatura do ex-deputado José Genoino –, Padilha aposta na possibilidade de ampliar o diálogo com setores da sociedade que não costumam votar no PT. Por isso, tem investido em percorrer o interior paulista, principalmente cidades pequenas e médias, onde a rejeição aos petistas é maior. São prioridades também os empresários, principalmente ligados a setores como o agronegócio, de onde ele pretende tirar seu vice. Para a coligação, por enquanto, Padilha atraiu apenas o PCdoB e o PP.

O PCdoB é visto como um aliado tradicional do PT e o PP participa das administrações petistas no governo federal e na capital paulista. O partido, cujo presidente estadual é o deputado Paulo Maluf, no entanto, também faz parte da base do atual governador, Geraldo Alckmin (PSDB), candidato à reeleição. Para o ex-ministro, a possibilidade de vitória passa pela condição de atrair dissidentes da base política e social dos tucanos. Nas duas últimas eleições no Estado – com José Serra e Alckmin, respectivamente –, o PSDB conseguiu assegurar a vitória no primeiro turno, mesmo com o então candidato petista, o ministro Aloizio Mercadante, tendo alcançado mais de 30% dos votos válidos em ambas. Uma das preocupações da caravana Horizonte Paulista, suspensa por liminar da Justiça Eleitoral, foi ouvir reivindicações específicas de cada região do Estado.

Experiência na articulação política é trunfo

Além do contato com associações comerciais e empresários do agronegócio, as viagens para o interior serviram também para Alexandre Padilha se reunir com prefeitos e líderes políticos regionais de partidos da base de Alckmin. Os petistas esperam atrair insatisfeitos inclusive do PSDB, partido do adversário. Para isso, o ex-ministro usa principalmente o diálogo desenvolvido na época em que comandou a articulação política do ex-presidente Lula. O argumento é que o governo federal petista estabelece muitas parcerias diretamente com as prefeituras, com a liberação de recursos. Segundo o PT, a distribuição de recursos estaduais é menor e com menos parcerias diretas com os municípios.

Também na busca

A busca por dissidentes das gestões tucanas também é uma das estratégias do pré-candidato do PMDB, Paulo Skaf. O PSDB governa o Estado há 20 anos. Ex-secretário de Administração Penitenciária e de Segurança Pública, Antonio Ferreira Pinto esteve durante seis anos no governo e disputará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo PMDB.

Sites e livros acessíveis são preocupações

A deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP) ainda não concluiu seu relatório da Lei Brasileira de Inclusão (antigo Estatuto da Pessoa com Deficiência). O atraso, diz ela, se deve ao grande número de colaborações da sociedade civil. Uma das sugestões aceitas foi aumentar o acesso de deficientes visuais a sites de internet e, principalmente, aos livros. As edições são pequenas, há poucas opções e o preço é elevado. O projeto original é do senador Paulo Paim (PT-RS) e tramita desde 2006.

Responsabilidade pela manutenção de calçadas

Uma questão que promete gerar polêmica é passar a responsabilidade pelas calçadas para o poder público, pelo menos nas vias de maior acesso de pedestres. Hoje, o cidadão é responsável pela manutenção do calçamento em frente ao seu prédio. Por isso, muitos têm problemas de conservação ou não seguem um padrão capaz de garantir a circulação de pessoas com dificuldade de locomoção.

“Nós não queremos no governo nenhum menino de recado. Queremos aquele que dá o recado” - Amazonino Mendes, ex-governador do Amazonas (PDT), ao anunciar seu apoio à candidatura de Eduardo Braga

*Com Leonardo Fuhrmann

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