Entre Dilma e Alckmin, PSD pressiona Kassab por definição rápida em SP

Por Marcel Frota - iG São Paulo |

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Movimentação do PSB de anunciar apoio ao governador paulista colocou mais pressão sobre ex-prefeito paulistano, que negocia posto de vice na chapa tucana

Deputados da bancada paulista do PSD têm cobrado reservadamente uma definição do presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, sobre a aliança em São Paulo. O acerto de Kassab com os tucanos ainda esbarra no desejo do PSDB paulista em atrair outros partidos, como o PSB e o PR. Por isso, a indefinição obedece a um cronograma que não depende apenas de Kassab. Por causa disso, deputados dizem querer saber qual será o caminho para definir as estratégias e o discurso eleitoral.

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Nas palavras de um parlamentar do PSD, os deputados querem saber se podem falar mal de Alckmin ou se estarão ao lado do tucano na corrida eleitoral paulista. Isso porque o partido do ex-prefeito paulistano já se posicionou em apoio à reeleição da presidente Dilma Rousseff na esfera nacional.

TIAGO CHIARAVALLOTI/FUTURA PRESS
Gilberto Kassab

Apesar da ansiedade dos parlamentares do PSD, a definição da situação do partido em São Paulo passa pelos acertos internos que o PSDB precisa fazer e também pela definição da política de alianças dos tucanos. Nesta sexta-feira, o PSB fez seu movimento. O diretório paulista do partido aprovou indicativo de apoio ao PSDB. Os socialistas querem passar alguns recados com o ato, um deles é direto para Alckmin. O PSB quer sinalizar que estará com Alckmin, sem que isso esteja condicionado necessariamente a postos fixos na chapa, enquanto Kassab faz exigências.

Seria uma forma do PSB estabelecer um contraponto ao ex-prefeito, que tem condicionado seu apoio à garantia de que será vice na chapa de Alckmin. Além disso, o ex-prefeito paulistano também precisa azeitar as condições da disputa para assegurar que o PSD não encolha no estado considerado sua casa. Por isso mesmo, Kassab deve pedir coligação proporcional ao governador paulista, algo que o PSB, por exemplo, não deverá exigir. Os socialistas tendem a optar pela chapa independente para a disputa proporcional, apostando em seus próprios puxadores de votos, como Luiza Erundina.

Apesar da mensagem para Alckmin, socialistas de São Paulo admitem que a definição deve mesmo ficar para o fim do mês. O partido tem muitas arestas para aparar, sobretudo com Marina Silva, maior oposicionista da tese de coligação com os tucanos em São Paulo. O PSD, por outro lado, faz sua convenção estadual na semana que vem e seus deputados já dão como certa a possibilidade de que a decisão seja delegada para a Executiva Nacional da legenda, o que daria mais tempo para Kassab negociar.

O PSB aposta ainda na desconfiança de Alckmin em relação a Kassab em função das disputas que ambos protPASagonizaram durante a eleição municipal em São Paulo em 2008. Alckmin acabou nem indo para o segundo turno da disputa enquanto assistiu a Kassab ser eleito com a ajuda de setores do PSDB ligados a José Serra. Essa lembrança não tira o sono de Kassab. Um articulador próximo do ex-prefeito diz que se a ideia for lavar roupa suja, será fácil resgatar munição contra Alckmin para balancear as mágoas.

Citam resistências do PSDB paulista a criação do PSD e o episódio da demissão do vice-governador de uma secretaria no estado quando Guilherme Afif decidiu migrar para o recém-criado partido de Kassab. Mesmo com esse caldo, aliados de Kassab dizem que a proposta é fazer uma união simbiótica e deixar no passado as questões passadas. O futuro segue indefinido, mas nas contas desse grupo a tendência é que Kassab fique mesmo com o PSDB. Outras duas correntes relevantes no PSD são as que defendem candidatura própria e aquela que prefere aliança com Paulo Skaf (PMDB).

Serra

Padrinho político de Kassab, o ex-governador Serra também tem peso na equação. Os tucanos encomendaram pesquisa que inclui questionário da preferência do eleitor ao Senado e contém o nome de Serra. Quem teve acesso à pesquisa garante que o resultado não só foi bom como animou Serra. Não que o ex-governador paulista esteja em vias de decidir seu futuro. Aliados apostam que Serra não deverá furar o seu protocolo peculiar e somente decidir seu futuro na última hora.

Apesar disso, Serra tem sido aconselhado a disputar mesmo uma vaga à Câmara dos Deputados. Segundo tucanos próximos ao ex-governador, o recado dado a Serra é que a eleição para deputado federal será conquistada sem grandes esforços, ajudará o partido no estado e garante algum prestígio extra pelo sacrifício. Para o Senado, tucanos creem que Serra é competitivo e poderia vencer Eduardo Suplicy (PT), mas seria uma campanha mais desgastante e exigente para Serra.

Além disso, existe a possibilidade de um novo embate de Serra com um velho desafeto, o deputado federal José Aníbal. Se Serra e Aníbal foram adversários nada cordiais quando da escolha do candidato tucano que disputaria a prefeitura de São Paulo, o parlamentar garante a aliados que não pretende abrir mão do desejo de disputar uma cadeira no Senado. Aníbal acredita até que a coligação poderia ter mais de um candidato, numa tese que o PSB defende internamente caso Serra não queira disputar a vaga ao Senado.

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