Barbosa colecionou polêmicas e protagonizou embates históricos no STF

Por iG São Paulo |

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Presidente do STF, que também foi relator do mensalão, anunciou sua aposentadoria no fim de junho e sua saída foi comemorada no meio jurídico e por colegas de Corte

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, que anunciou na quinta-feira (29) sua aposentadoria, colecionou polêmicas e bate-bocas com colegas em seus 11 anos como ministro. No julgamento do mensalão, esses embates ganharam maior repercussão e aconteciam principalmente com o ministro Ricardo Lewandowski, vice-presidente do Supremo que assumirá o comando da Corte no lugar de Barbosa. Em uma das discussões mais acaloradas, o presidente do Supremo acusou o colega de fazer chicana, ou seja, de adotar manobras para atrasar o julgamento. O anúncio de sua saída causou alívio no meio jurídico, entre funcionários e inclusive ministros do STF.

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Em 2009, bem antes do mensalão, Barbosa protagonizou uma das discussões mais emblemáticas com o então presidente da Corte, Gilmar Mendes. Na época, os ministros discutiam uma ação direta de inconstitucionalidade contra o sistema tributário do Paraná. A discussão técnica caiu no campo pessoal quando Mendes questionou as sucessivas faltas de Joaquim Barbosa às sessões do Supremo. “Vossa excelência quando se dirige a mim não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. Respeite”, respondeu na época Joaquim Barbosa.

O presidente do STF, Joaquim Barbosa, durante sessão em que expulsou o advogado de José Genoino (11/06/2014). Foto: Carlos Humberto/SCO/STFBarbosa anunciou em 29 de maio sua aposentadoria do STF. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaIndicado pelo ex-presidente Lula, Barbosa está no Supremo desde 2003. Foto: STF / DivulgaçãoBarbosa foi o primeiro negro a assumir a presidência do Supremo. Foto: STF / DivulgaçãoBarbosa protagonizou discussões históricas em plenário com praticamente todos os colegas. Foto: Agência STFDurante o julgamento do mensalão, Barbosa e Lewandowski bateram boca várias vezes. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaDentro do STF, Barbosa é conhecido como membro que normalmente não recebe advogados e com perfil desagregador. Foto: Alan Sampaio / iG BrasíliaBarbosa ganhou projeção durante o julgamento do mensalão e foi aclamado pelo público. Foto: Futura PressBarbosa também é visto por seus colegas como homem que não gosta de ouvir críticas nem de ser contrariado . Foto: Nelson Jr./SCO/STFBarbosa poderia ficar na Corte por mais 11 anos, já que ele tem 59 anos. Foto: Fellipe Sampaio/SCO/STFA expectativa é que Barbosa entre para a política, porém não pode se candidatar este ano. Foto: Agência STFNo auge da repercussão do julgamento, Barbosa foi assediado por diversas legendas . Foto: Divulgação/Ascom/Governo de MGPela legislação eleitoral, entretanto, magistrados devem se desincompatibilizar seis meses da eleição . Foto: Divulgação/STF


Em 2012, Barbosa também trocou farpas com o ex-ministro Cesar Peluzo. Depois de ser chamado de temperamental pelo colega, Barbosa classificou Peluzo como retrógrado e racista. A discussão, por meio de artigos de veículos de comunicação, obrigou o presidente eleito da corte, Ayres Britto, a contornar a situação nos bastidores do Supremo.

Durante o julgamento do mensalão, Barbosa já se indispôs com pelo menos três ministros da atual Corte: o revisor do mensalão, Ricardo Lewandowski, e os ministros Marco Aurélio Mello e Cármen Lúcia. Durante o julgamento, Lewandowski, eleito vice-presidente do Supremo, foi a principal voz dissonante de Barbosa, causando momentos de constrangimento no Supremo. A postura considerada às vezes autoritária do novo presidente do Supremo também foi questionada por Marco Aurélio Mello.

A relação de Barbosa com os demais ministros do STF

Joaquim Barbosa x Gilmar Mendes
Em abril de 2009, eles protagonizaram a discussão mais tensa entre dois colegas de corte, com direito a ofensas pessoais mútuas. Gilmar Mendes insinuou que Joaquim Barbosa não tivesse problemas de saúde; Barbosa retrucou afirmando que o colega “não estava falando com os seus capangas do Mato Grosso”.

Joaquim Barbosa x Ricardo Lewandowski
Travou brigas semanais por conta de divergência nos votos do julgamento do mensalão. Barbosa era duro com o colega, revisor do processo, quando contrariado. Lewandowski já criticou em plenário o fato de ter seu voto atacado, mas de não ter oportunidade de retrucar eventuais críticas do ministro relator. Em um dos piores bate-bocas, Barbosa acusou Lewandowski de fazer chicana, ou seja, de atrasar o processo.

Joaquim Barbosa x Marco Aurélio Mello
Antes de Barbosa assumir o comando do STF, ministro Marco Aurélio Mello afirmou que temia a nova presidência do STF por causa da postura de Joaquim Barbosa quando é contrariado. O desconforto foi tão grande que Barbosa tentou, sem sucesso, aprovar uma nota de repúdio contra Mello.

Joaquim Barbosa x Cármen Lúcia
Uma vez, no “cafezinho” do Supremo, a ministra Cármen Lúcia repreendeu duramente o ministro Joaquim Barbosa por conta de sua postura excessivamente condenatória no julgamento do mensalão. Barbosa não gostou da forma como foi abordado pela colega.

Joaquim Barbosa x Dias Toffoli
Os dois trocaram farpas em plenário quando Dias Toffoli arquivou um inquérito contra o deputado federal Pedro Henry (PP-MT), já condenado no julgamento do mensalão. Barbosa classificou a decisão como “absurda”. Toffoli rebateu dizendo que o regimento da corte permitiria tal situação.

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