Presidente do Supremo anunciou em plenário que deixará a Corte no final de junho, mas não detalhou os motivos

O presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa, anunciou nesta quinta-feira (29) ao abrir a sessão da Corte que se aposentará em junho. “Decidi me afastar do Supremo Tribunal Federal no final deste semestre, final de junho. Me afasto não apenas da presidência [da Corte], mas do cargo de ministro. O meu afastamento do serviço público após quase 41 anos. Tive a felicidade, satisfação e alegria de compor essa Corte, talvez em seu momento mais fecundo, de maior criatividade e de importância no cenário politico e institucional do País. Sinto-me deveras honrado de ter feito parte deste colegiado e de ter convivido com diversas composições e, evidentemente, com a atual composição. Agradeço a todos.”

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Mais cedo, quem anunciou a aposentadoria de Barbosa foi o presidente do Senado , Renan Calheiros (PMDB-AL). Segundo Renan, o ministro não explicou os motivos de sua decisão, apenas informou que irá se aposentar. “Foi surpreendente e triste. O ministro veio se despedir”, disse Renan ao atribuir a Barbosa a marca de uma das melhores referências do Brasil. “Sempre tivemos relacionamento muito bom e sempre o tivemos como uma das melhores referências”, completou.

Embora já discutida nos bastidores há vários meses, a aposentadoria de Barbosa até agora não havia sido confirmada. Chegou a se falar na saída do ministro do cargo em agosto, mas Barbosa surpreendeu ao informar que deixaria o cargo em junho. Nos bastidores do STF, a avaliação é de que Barbosa isolou-se mais do restante da Corte nos últimos meses. Mais recentemente, diante da polêmica sobre o trabalho externo de condenados do mensalão, esse isolamento teria se intensificado, de acordo com interlocutores.

Muito da especulação que gira em torno da aposentadoria do presidente do STF tem a ver com a possibilidade de ele ingressar na carreira política, aproveitando a exposição trazida pelo julgamento do mensalão. Pela legislação eleitoral, entretanto, magistrados devem se desincompatibilizar seis meses da eleição caso queiram se lançar candidatos, prazo que já não poderia mais ser cumprido por Barbosa.

No auge da repercussão do julgamento, Barbosa foi assediado por diversas legendas e chegou a ser convidado por partidos menores para ser candidato à Presidência da República. Mas partidos maiores, como o PSB e o PSDB, também intensificaram as conversas com o magistrado.

O PSB de Eduardo Campos chegou a escalar a ex-ministra do STJ Eliana Calmon para tentar convencer Barbosa a se filiar. O senador mineiro Aécio Neves, pré-candidato ao Planalto pelo PSDB, foi além. Na equipe do tucano, chegou a ser discutida a possibilidade de Barbosa assumir o posto de vice na chapa presidencial tucana.

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