Ministra chama de 'leviana' proposta de Aécio sobre Bolsa Família

Por Reuters |

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Comissão do Senado aprovou proposta do tucano que prevê que pagamento do benefício seja feito por mais seis meses, mesmo se beneficiário tenham ultrapassado o limite de renda

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A ministra do Desenvolvimento Social, Tereza Campello, criticou duramente a proposta do senador Aécio Neves (MG), pré-candidato do PSDB à Presidência, que altera o programa Bolsa Família, classificando-a de "absolutamente leviana" e afirmando que o tucano tinha intenções eleitorais com a medida.

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A proposta, que prevê que os benefeciários do programa possam receber o benefício por mais seis meses, mesmo que tenham ultrapassado o limite de renda definido pelo programa atualmente, foi aprovada nesta quarta-feira pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.

"Na nossa avaliação essa proposição deturpa o Bolsa Família, ela desfigura o Bolsa Família, deforma uma das principais características do Bolsa Família... que é ele ser um programa que consegue ser focalizado na população pobre", disse a ministra.

Segundo a ministra, a proposta de Aécio retira os limites de renda e de tempo de permanência do Bolsa Família. Além disso, a ministra também atacou outro ponto do projeto aprovado pela comissão, que obriga os beneficiários do programa maiores de 18 anos a fazerem um curso de qualificação pelo programa de ensino técnico do governo federal, o Pronatec.

"O Bolsa Família tem 11 anos. Onde estava o senador Aécio Neves que não tratou de bolsa familia e vem tratar agora? Essa é a pergunta que não quer calar", disparou.

A ministra fez ainda um apelo aos senadores para que "leiam" o que está no projeto e disse que o governo fará o debate e o enfrentamento contra a proposta.

"Nos preocupa de fato que num período eleitoral medidas sejam tomadas de forma atabalhoada e leviana, de forma que ataque a um programa tão bem-sucedido", disse.

Durante a votação na comissão, Aécio defendeu a proposta como uma forma de incentivar a formalização do trabalho.

“Hoje há um desestímulo às pessoas se formalizarem. Porque têm receio de não dar certo no emprego, ser demitido com um dois meses e aí preferem ter a segurança do Bolsa Família”, disse o senador, comemorando o apoio de alguns senadores da base governista ao projeto.

“Eu duvido que um senador da República queira ir para essa disputa eleitoral ou participar de uma campanha eleitoral dizendo que está contra os beneficiários do Bolsa Família”, afirmou.

Mais tarde, o senador rebateu as críticas da ministra a sua proposta e acusou o PT de querer ter um programa "para chamar de seu" em vez de buscar avanços no Bolsa Família.

"O projeto é um avanço. A questão é que o PT prefere ter um projeto para chamar de seu a um projeto que traga benefícios efetivos àqueles que dependem do Bolsa Família", disse o senador à Reuters.

"Só que o PT não quer, prefere manipular. Como já começa a acontecer nesta campanha: 'olha se nós perdermos a eleição, acaba o Bolsa Família’. Balela! A partir de agora, se nós vencermos as eleições, é que o Bolsa Família vai melhorar."

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