Ministro se preocupa com novas acusações de protecionismo a membros do PT, caso ele, como novo presidente do STF, tenha de proferir decisões favoráveis à legenda

Após o anúncio da aposentadoria do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, o vice-presidente da Corte, ministro Ricardo Lewandowski, manifestou preocupação a interlocutores. Lewandowski disse a pessoas próximas que não gostaria de assumir o Supremo em pleno processo eleitoral.

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No Supremo desde 2003, Barbosa assumiu a presidência do órgão em 22 de novembro de 2012. Em um rito de passagem normal, Barbosa deixaria o cargo em 22 de novembro deste ano, após o período de eleições. Lewandowski, como atual vice, assumiria a função em seguida, no final de novembro.

Lewandowski é vice-presidente do STF
Agência STF
Lewandowski é vice-presidente do STF

Entretanto, com a saída precoce de Barbosa, Lewandowski terá que assumir as funções da presidência assim que o ministro Barbosa deixar o cargo e exatamente no período eleitoral. “Nunca é bom ser chefe de poder em plena eleição”, disse Lewandowski a interlocutores. A preocupação reflete o período em que ele foi presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre os anos de 2010 e 2011.

Uma preocupação do ministro Lewandowski é que ocorra, durante o período eleitoral, novas acusações de protecionismo a membros do PT, caso ele, como novo presidente do STF, tenha que proferir decisões favoráveis à legenda. Durante o julgamento do mensalão, ele sofreu acusações semelhantes e se mostrou bastante abatido com elas.

Como novo presidente do STF, Lewandowski terá que tomar de conta de aproximadamente 5,2 mil processos que estão no gabinete da presidência da Corte.

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A saída de Barbosa também representa um novo período em que o Supremo terá que julgar questões com apenas dez ministros. Entre o final de 2012 e junho do ano passado, a Corte operou com dez ministros o que dificultou a tomada de algumas decisões, inclusive no julgamento do mensalão.

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