'Queimação' do PMDB do Rio prejudica Dilma, diz Jandira Feghali

Por Luciana Lima e Marcel Frota - iG Brasília |

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Pré-candidata ao Senado afirma não ver problemas na existência de vários palanques para a presidente no Estado

Pré-candidata ao Senado na aliança com Lindbergh Farias, a deputada federal Jandira Feghali (PcdoB-RJ) acredita que a existência de pelo menos quatro palanques no Rio de Janeiro em apoio à presidente Dilma Rousseff não atrapalhará a eleição do petista ao governo do Estado.

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Em entrevista ao iG, ela aproveitou para alfinetar o PMDB, que levará a frente a candidatura à reeleição do atual governador, Luiz Fernando Pezão, e de seu principal adversário, o ex-governador Sérgio Cabral, que também deverá concorrer ao Senado.

“Se ela tivesse só um palanque no Rio e esse palanque fosse do PMDB, seria muito ruim para ela pelo nível de queimação que o PMDB tem hoje no Rio de Janeiro”, alfinetou a deputada.

Palanques no Rio de Janeiro

Além de Lindbergh e Pezão, contam com o apoio de Dilma Rousseff as candidaturas do ex-ministro da Pesca Marcelo Crivella e a do deputado federal Anthony Garotinho (PR). Para não gerar constrangimentos, Dilma não deverá participar de eventos dessas candidaturas durante a campanha. Isso ficará a cargo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que é esperado no palanque de Lindbergh. O PT estuda ainda a possibilidade de um grande comício no Rio de Janeiro, puxado por com a presença de Dilma e de todos os aliados.

Política e Religião

Em sua campanha, Jandira terá que conviver no palanque com a companhia de religiosos, até mesmo alguns considerados fundamentalistas, que deverão apoiar o petista para o governo do Rio de Janeiro. Durante a campanha de 2006, quando ela também tentou uma vaga ao Senado, a deputada chegou a ser hostilizada pela igreja católica, devido sua posição clara em defesa da descriminalização do aborto e de direitos dos homossexuais.

Jandira disse que espera, neste ano, uma relação mais “tranquila” com setores religiosos. “Eu respeito profundamente todas as correntes religiosas e não acho que as opiniões que eu tenho agridem ninguém. Agora, eu espero que também todas as correntes religiosas respeitem a opinião que eu tenho”, disse Jandira que espera que a pauta evangélica não domine os debates.

“O fundamentalismo evangélico não deve ter uma opinião tão aguda em uma campanha eleitoral”, opinou.

Estratégia Eleitoral

Para a deputada, o PCdoB está sendo “ousado” em traçar outros planos para quadros atualmente importantes no Legislativo. Como ela que será candidata ao Senado, o atual ministro Aldo dos Esportes, Aldo Rebelo, deixou de concorrer à reeleição como deputado federal. Da mesma forma, a gaúcha Manoela D’Ávila concorrerá à uma vaga de deputada estadual. Jandira disse não temer o encolhimento da bancada e acredita seu o partido conseguirá cumprir a meta de eleger 20 deputados neste ano. “Estamos equilibrando as ousadias majoritárias com substituições que podem compensar”, disse Jandira Feghali.

Relação com o PT

Jandira Feghali contestou a ideia de que seu partido, o PCdoB, tenha ficado à sombra do PT, devido as parcerias firmadas em muitos estados e no plano Nacional ao longo dos anos. Para ela, o apoio ao PT não é “fio condutor” do partido.

“Estamos sempre em uma linha do campo em que nos situamos que é o apoio à Dilma, mas até ai pode variar”, disse.

Sacrifícios em São Paulo

Jandira falou, no entanto, do “sacrifício” que o partido tem feito em São Paulo, de não lançar candidato e estar sempre no apoio ao PT. “Em São Paulo, como é muito polarizado e é uma base muito importante para os projetos nacionais, o partido sempre se viu chamado a contribuir para um projeto maior”, explicou. “É um partido que tem essa generosidade”, destacou.

Volta Lula

A deputada não acredita na ideia de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja o candidato do PT à presidente da República, em vez da presidente Dilma Rousseff. “Lula é um nome muito consolidado no plano nacional. Ele é uma grande referência. Mas nós achamos que ele se coloca hoje em favor da manutenção de Dilma que, em minha opinião é uma mulher também muito poderosa do ponto de vista político”, destacou Jandira.

Supremo e o financiamento eleitoral

Jandira lamentou a posição do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, de pedir vistas da ação que proíbe o financiamento de campanha por empresas privadas, mesmo depois de maioria formada em favor da proibição. “O Supremo é um tribunal que tem uma posição política. Deveria ser uma corte puramente jurídica, mas nenhuma corte é”, lamentou.


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