Ex-presidente da Petrobras isenta Dilma de responsabilidade por refinaria

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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A compra da refinaria gera controvérsias em relação aos valores desembolsados pela estatal e motivou a criação da CPI no Senado. Gabrieli foi o primeiro a falar na comissão

Depois de ter declarado à imprensa em abril que a presidente Dilma Rousseff não poderia fugir à responsabilidade dela no episódio da compra da Refinaria de Pasadena, no Texas (EUA) pela Petrobras, o ex-presidente da Petrobras José Sergio Gabrielli recuou. Ao falar à CPI do Senado, ele disse que a presidente não foi responsável pela compra da refinaria, já que as decisões do Conselho de Administração da Petrobras são colegiadas. “Não considero a presidenta responsável pela compra de Pasadena. A responsabilidade é da diretoria do Conselho de Administração”, afirmou.

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Antonio Cruz/Agência Brasil
Gabrielli e o presidente da CPI, Vital do Rêgo

Como ministra, na época da aquisição da refinaria em 2006, Dilma presidia o Conselho de Administração da Petrobras. A compra da refinaria gera controvérsias em relação aos valores desembolsados pela estatal e motivou a criação da CPI no Senado, entre outros fatores. O depoimento de Gabrielli à CPI no Senado é o primeiro concedido à comissão, controlada pela base aliada do governo.

Gabrielli disse que interessou à Petrobras comprar a refinaria de Pasadena porque, segundo ele, fazia parte de uma estratégia da estatal. "(Pasadena) era uma refinaria extremamente bem localizada e com preço atraente. O interesse era estratégico e era adequada para a realidade do Brasil e a realidade do petróleo nos EUA", afirmou.

“Era uma refinaria que estava barata. Os primeiros 50% foram comprados a menos da metade do preço das refinaria por barril médio”, disse. “A refinaria daria retorno com manutenção do mercado de refino leve e pesado”, avaliou. "O mercado de consumo de derivados nos Estados Unidos estava bombando em 2003-2007, não só em gasolina mas em demanda de petróleo pesado”, explicou.

O movimento para investigação de um negócio aprovado em 2006 foi disparado após a presidente Dilma ter afirmado, por meio de nota, em março, que o aval para a compra da refinaria foi dado com base em um documento "técnica e juridicamente falho".

Segundo a nota da Presidência da República, o resumo executivo preparado pela diretoria da Área Internacional na época "omitia" informações como a cláusula "put option", que levou a Petrobras a pagar valores muito maiores pela refinaria do que os 360 milhões de dólares desembolsados inicialmente por 50 por cento da unidade.

Ao final de uma disputa em câmara arbitral, a estatal foi obrigada a pagar 1,25 bilhão de dólares ao todo por Pasadena, e ainda teve de fazer investimentos de 685 milhões de dólares em melhorias operacionais, manutenção, paradas programadas até 2013.

O ex-presidente da Petrobras confirmou que a cláusula não constava do sumário executivo entregue ao Conselho de Administração para a análise da compra. Afirmou à CPI saber da existência da cláusula, mas minimizou a sua importância para o negócio, afirmando que tal item definia as regras apenas para um eventual "divórcio" com a sócia de Pasadena. "É um processo de decisão que não é individualizado", disse Gabrielli sobre a decisão tomada pela empresa.

Gabrielli disse ainda que a compra da refinaria norte-americana "voltou a ser um bom negócio", embora tenha passado por dificuldades durante a crise econômica internacional. "É um negócio que muda. Ele era bom quando foi adquirido, a partir de 2008 se torna mau negócio porque reflete a mudança do mundo com a crise. A partir de 2014 ela volta a ser bom negócio. Ela é lucrativa", defendeu.

Gabrielli afirmou ainda que a estatal não pode ser considerada uma empresa "em crise, mal gerida ou à beira da falência" e que ela tem sido vítima de uma campanha política da oposição.

Com Agência Brasil e Reuters

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