Mais distantes, Campos e Aécio traçam planos opostos em Minas e Pernambuco

Por Luciana Lima , iG Brasília |

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Tucanos e socialistas deixam para trás acordo de cavalheiros; Campos discute lançar Júlio Delgado na eleição mineira, enquanto Aécio poderá ter Daniel Coelho em Pernambuco

A parceria firmada entre o socialista Eduardo Campos e o tucano Aécio Neves para tirar da presidente Dilma Rousseff as chances de reeleição no primeiro turno já começa a se desfazer ainda na pré-campanha. O acordo entre os dois incluía o apoio mútuo nos seus Estados de origem, mas PSB e PSDB já planejam candidaturas próprias e concorrentes, tanto em Pernambuco, quanto em Minas Gerais.

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Campos considera lançar a candidatura do deputado federal Júlio Delgado ao governo de Minas Gerais

O plano de Campos, neste momento, considera lançar a candidatura do deputado federal Júlio Delgado ao governo de Minas Gerais, em vez de apoiar a candidatura do tucano Pimenta da Veiga. Em reação, Aécio poderá ter como candidato ao governo de Pernambuco o deputado estadual Daniel Coelho, contra o nome do PSB, o ex-secretário da Fazenda do governo de Campos, Paulo Câmara.

No PSB, a tese da candidatura em Minas já conta com unanimidade do partido. Nesta semana, Eduardo Campos já repassou a incumbência de encarnar a candidatura a Delgado. "Ele se mostrou animado. Não tenho como dizer não", ponderou o deputado, que tinha como plano inicial concorrer à reeleição.

Na conversa, Campos avaliou que, da mesma forma que há uma fadiga com os 12 anos do PT no plano nacional, também há uma fadiga em Minas com os 12 anos de governo tucano. Esse cansaço deve ser explorado, ao máximo, na campanha socialista.

No PSDB ainda há uma esperança de que os socialistas se alinhem à candidatura de Pimenta da Veiga, apesar da reação do presidente do diretório de Pernambuco, deputado Bruno Araújo de lançar o nome de Daniel Coelho. Araújo recebeu o aviso da cúpula nacional do partido de que a candidatura em Pernambuco terá que ser discutida pela cúpula nacional.

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Tucanos e socialistas não fazem segredo dos atritos. “Os dois estão disputando uma mesma vaga”, enfatizou Delgado. Bruno Araújo retrucou: “Pau que dá em Chico também dá em Francisco”.

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Aécio poderá ter como candidato ao governo de Pernambuco o deputado estadual Daniel Coelho

Comum aos dois partidos é avaliação de que as candidaturas devem servir primeiramente para viabilizar os palanques para as campanhas presidenciais nestes estados. Neste contexto de ruptura, tanto tucanos como socialistas avaliam que o PSB tem mais a ganhar que o PSDB.

Um dos motivos mais fortes para a candidatura de Júlio Delgado em Minas é a avaliação de que há apenas dois candidatos fortes na disputa, o tucano Pimenta da Veiga e o petista, Fernando Pimentel. Com isso, uma “terceira via” deverá angariar, por baixo, nos planos do PSB, de 10% a 15% dos votos.

Isso não acontece, por exemplo, em relação a São Paulo, onde o cenário está mais dividido em pelo menos quatro candidaturas com chances de chegar ao segundo turno: a do próprio governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tentará a reeleição, a do petista Alexandre Padilha; a do peemedebista Paulo Skaf e a do ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab. Neste caso, a opção do PSB é batalhar uma vaga de vice de Alckmin para o deputado federal Márcio França.

De acordo com tucanos paulistas, a campanha nacional não poderá influenciar nas decisões locais. “Em locais onde temos governadores em reeleição, nossa decisão é não deixar que a candidatura nacional determine os acordos que já vem sendo construídos há bastante tempo”, disse o presidente do PSDB de São Paulo, Duarte Nogueira.

Desavenças

A parceria havia sido firmada com a articulação em grande parte feita pelo ex-senador Sérgio Guerra, falecido em março deste ano. A desavença velada entre Aécio e Eduardo Campos, no entanto, vem crescendo há pelo menos um mês.

De acordo com interlocutores de Eduardo Campos, ele teria ficado furioso com a declaração feita por Aécio de que teria Campos e Marina no “mesmo projeto” em 2015. Isso teria demonstrado, na opinião de socialistas, uma desconsideração do pernambucano como candidato.

Campos ficou calado e deixou para sua vice, Marina Silva a tarefa de responder a Aécio. Marina, por sua vez, disse que via “diferenças profundas” entre os dois programas.

Também irritaram integrantes da campanha de Campos, as movimentações de Aécio que acabaram dificultando a penetração de Eduardo Campos em alguns estados.

Um exemplo citado por integrantes do PSB é a aliança no Rio Grande do Sul, onde a intenção de Campos era compor com a senadora Ana Amélia, pré-candidata do PP ao governo do Estado, apesar da resistência de sua vice, Marina Silva. Enquanto Campos resolvia seu problema interno, Aécio Neves se apressou e fechou seu palanque em terras gaúchas com o PP.

O PSB acabou fechando o palanque com o PMDB que lançará a candidatura do ex-prefeito de Caxias do Sul José Ivo Sartori. A vaga para a disputa ao Senado ficará com o deputado Beto Albuquerque.

As articulações de Aécio no Rio de Janeiro também causaram fissuras na relação com Campos. O pernambucano não gostou de ser chamado de “inimigo” do Estado na questão da nova distribuição de royalties de petróleo por peemedebistas locais comprometidos com a montagem do palanque de Aécio Neves no Estado.

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