Campos critica falta de diálogo e política de desoneração do governo Dilma

Por Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

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À plateia de prefeitos, pré-candidato do PSB ao Planalto promete não dar isenção em impostos recolhidos por estados e municípios e diz que governo faz 'graça com o chapéu alheio'

O presidente do PSB e pré-candidato ao Planalto, Eduardo Campos, não poupou críticas contra a falta de diálogo do governo Dilma Rousseff com os prefeitos e governadores. Ao lado de Marina Silva (PSB), o presidenciável defendeu uma maior disposição para conversa com os municípios. “O que o Brasil tem feito, principalmente nos últimos anos, é jogar nas costas dos municípios as responsabilidades, e tirar recursos. Com isso, o governo tem feito pessoas de bem, muitas vezes, deixar vida pública. Diálogo é fundamental para quem quer gerir.”

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Campos falou nesta quarta-feira (15) à plateia de prefeitos presentes na XVII Marcha em Defesa dos Municípios, em Brasília. Hoje, os gestores realizam um encontro na Praça dos Três Poderes, e depois devem caminhar rumo ao Congresso Nacional com o objetivo de pressionar o governo federal a atender reivindicações antigas, como o aumento de 2% nos valores do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) ainda neste ano.

O presidenciável fez ainda duas promessas aos prefeitos, a de não repetir desonerações de receitas que são compartilhadas entre União, Estados e municípios e a inclusão de um percentual de todos os tributos arrecadados pelo Estado Brasileiro na base do Fundo de Participação dos Municípios e do Fundo de Participação dos Estados. “Isso fará com que o governo não fique tentado a ter que fazer graça com o chapéu alheio.”

Campos disse que as desonerações do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros e eletrodomésticos durante os governos Lula e o governo Dilma para incrementar o consumo é “um caminho errado”. “Não é possível mais fazer isso. Desoneração a custa dos municípios brasileiros e dos pobres dos Estados. Em um primeiro momento, houve uma resposta da economia, mas o ganho lá na frente não ocorreu. É um caminho errado. Isso custou o emprego de muitos professores, de muitas pessoas que prestavam serviços gerais, o corte de milhares de empregos. Além disso, muitos prefeitos não tiveram condição de cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal, e hoje estão sendo chamados de ficha-sujas.”

O presidente foi aplaudido pelos prefeitos, e defendeu os gestores da reclamação que corre no governo federal que o encontro é um “chororô” de prefeitos que vão à Brasília, “com pires nas mãos”. Campo disse que, quando Dilma assumiu, a participação dos municípios na arrecadação brasileira era de 14%, e já o terceiro ano da gestão Dilma, essa participação dos municípios caiu para 11%. “Não é choro, é conta, é número. Houve um arrocho de prefeitos por todo o País. E quem paga a conta é a população.”

No evento, já falaram aos prefeitos os pré-candidatos à Presidência da República Pastor Everaldo (PSC-RJ) e Randolfe Rodrigues (PSOL). O mineiro Aécio Neves, pré-candidato do PSDB, também falará aos prefeitos.

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