Interlocutor do Planalto encontrou representantes de entidades em BH e SP; capital paulista marcou novo protesto para hoje

O ministro Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, está percorrendo o País e fazendo contatos por telefone para negociar um acordo preventivo com movimentos sociais que são contra a Copa do Mundo e organizam manifestações para o período do evento.

Carvalho reuniu-se com representantes das entidades em Belo Horizonte, há duas semanas, e na última quinta-feira esteve em São Paulo, onde ouviu uma saraivada de críticas ao governo, especialmente de representantes das pastorais sociais da Igreja Católica. Antes, havia feito encontros em Manaus e Porto Alegre.

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Com uma enorme faixa preta onde se lia “Não vai ter Copa”, os manifestantes protestaram contra os altos investimentos públicos para a realização do evento e, especialmente, contra o aparato de segurança que o governo organizou para tentar manter os grupos hostis ao evento longe dos estádios.

O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, é o interlocutor do governo com os movimentos sociais
Elza Fiúza/ ABr
O ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, é o interlocutor do governo com os movimentos sociais

“O governo teme que eventuais conflitos durante a Copa possam afetar as eleições de outubro”, diz o cientista político Rudá Ricci, diretor do Instituto Cultiva. Segundo ele, além dos riscos, há também uma preocupação política: a ala mais ligada ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no PT, da qual Carvalho é um dos símbolos, enxerga a ampliação do fosso entre governo e os movimentos sociais caso não haja sucesso nos diálogos com as entidades.

A missão de Gilberto Carvalho, que é originário dos movimentos sociais ligados à Igreja Católica, é estancar os protestos através de uma trégua com as entidades. Até agora não há sinais de sucesso em sua peregrinação: depois do encontro de quinta-feira, na Casa de Portugal, centro da capital paulista, as entidades decidiram manter a agenda de “aquecimento” para os protestos. Nesta terça-feira, 29, haverá uma nova manifestação no Metrô Tatuapé, na Zona Leste.

Manifestantes participam de ato contra a Copa do Mundo em São Paulo

Liberado pela presidente Dilma Rousseff, Carvalho foi escalado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para negociar com as 120 entidades que se mobilizam para protestar em junho. Mas sua missão, segundo Ricci, está sendo vista com desconfiança até pela Igreja Católica.

Em São Paulo, os dirigentes disseram ao ministro que o governo tenta cooptar os movimentos sociais mas organizou um grande aparato de segurança para impedir e criminalizar às manifestações. Um dos principais críticos no encontro de quinta-feira em São Paulo foi o padre Júlio Lancelotti, que representa as entidades ligadas aos moradores de rua. Segundo ele, a preocupação do governo é “higienizar” a cidade durante o evento.

Carvalho, no encontro, disse não acreditar que as manifestações descambem para violência. Segundo ele, as polícias estaduais estão capacitadas para manter a ordem, sem necessitar de forças federais para garantir a segurança.

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