Coronel que admitiu tortura na ditadura militar é encontrado morto

Por Agência Brasil | - Atualizada às

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Três homens invadiram o sítio de Paulo Malhães em Nova Iguaçu a procura de armas. Há um mês, ele prestou depoimento à Comissão Nacional da Verdade e admitiu mortes e tortura

Agência Brasil

O coronel reformado do Exército Paulo Malhães, de 76 anos, foi encontrado morto hoje pela manhã (25) em seu sítio na zona rural de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. De acordo com a polícia, três homens invadiram a casa, amarraram a mulher e o caseiro, e procuraram armas. Durante a ação dos criminosos, o militar foi morto. 

De acordo com o delegado adjunto Fabio Salvadoretti, os três homens estavam no local quando o coronel e sua mulher chegaram. No entanto, só começaram a revirar a casa após a chegada do casal. O caseiro não percebeu a chegada dos bandidos. O delegado disse que foram levados celulares, dois computadores, impressoras, jóias e pelo menos quatro armas da coleção do coronel, além de R$ 700.

Marcelo Oliveira / ASCOM – CNV
Paulo Malhães, ex-coronel que admitiu torturas na ditadura militar, depõe na Comissão da Verdade (RJ-25/03/2014)



Fábio Salvadoretti suspeita que Malhães tenha sido assassinado por asfixia cerca de três horas depois da chegada dos bandidos ao sítio. Segundo ele, não há indícios de que o coronel tenha sido torturado. O delegado Salvadoretti disse que estuda três linhas de investigação para o crime. “A esposa ouviu os bandidos fazendo ameaças, tipo 'onde estão as armas e as jóias'”, contou. “A investigação está muito preliminar ainda. Nada está sendo descartado. Pode ter sido um latrocínio, uma vingança ou um crime relacionado com o depoimento prestado por ele à Comissão Nacional da Verdade”, disse.

Ex-agente do Centro de Informações do Exército, o militar prestou depoimento no dia 25 do mês passado na Comissão Nacional da Verdade, quando admitiu ter torturado, matado e ocultado cadáveres de presos políticos durante a ditadura militar. No depoimento, ele disse não se arrepender de nada e contou como funcionava a Casa da Morte, em Petrópolis, na região serrana, centro clandestino de torturas, onde teriam sido assassinadas 20 pessoas.

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, disse que a morte precisa ser investigada com rigor, porque o coronel reformado foi agente importante da repressão política e detentor de muitas informações sobre a ditadura.

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