Temer tenta conter pressão do PMDB e promete mais presença nos Estados

Por Marcel Frota , iG Brasília | - Atualizada às

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Vice-presidente converteu a reunião que teria com a bancada em encontros separados com parlamentares de cada Estado em estratégia que frustrou parte dos deputados

O vice-presidente Michel Temer resolveu transformar a reunião que faria com a bancada do partido na Câmara dos Deputados ontem numa série de encontros pontuais. O plano foi a forma encontrada de amenizar as pressões comandadas por parlamentares que planejavam subir o tom e cobrar um apoio maior do vice nas relações entre o partido e o governo. Temer optou por realizar as conversas Estado por Estado.

Leia também: PMDB da Câmara cobrará apoio de Temer na relação com o governo

Agência Brasil
O vice-presidente Michel Temer

No fim da manhã de ontem, quando começaram a ser avisados que o encontro tinha sido cancelado, alguns parlamentares já estavam a caminho da casa do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli, onde seria realizado o encontro. Temer recebeu quatro deputados de dois Estados, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que sairam do encontro elogiando a reunião.

"Aprovei o encontro e quem foi lá aprovou a forma que ele adotou por Estado e estamos dispostos a prestigiá-lo, sobretudo porque partiu dele o compromisso de consolidar a força do PMDB nos Estados", disse o deputado Fábio Trad (MS). Além dele, compareceram a essa primeira rodada Geraldo Resende (MS), Marçal Filho (MS) e Carlos Bezerra (MT). Aos deputados do Mato Grosso do Sul, Temer prometeu comparecer ao Estado e entrar no circuito para articular alianças. PMDB e PT são adversários lá e andam se estranhando.

Como a situação entre PT e PMDB em Mato Grosso é pacífica - os dois partidos deverão inclusive caminhar juntos sob a candidatura de Lúdio Cabral - Bezerra aproveitou o encontro para criticar a política econômica da presidente Dilma Rousseff (PT) e pedir que o vice-presidente contribua para assegurar que o PMDB possa participar do processo decisório nesse aspecto. Temer argumentou que a alta de juros foi necessária para combater a inflação, explicação que não convenceu os correligionários.

Bezerra também fez uma queixa que é muito recorrente na bancada: a falta de autonomia dos ministros e a dificuldade em conseguir uma audiência com os chefes das pastas na Esplanada dos Ministérios. "Ministros sem nenhuma autonomia. Isso não existe em parte nenhuma do mundo. As ordens vêm prontas do Planalto", criticou Bezerra. A essa demanda, parlamenteres dizem que Temer prometeu ajudar no diálogo com os ministros. "Foi a primeira reunião que parece que dará um resultado positivo", afirmou Bezerra. "Se algo não mudar, vai piorar", acrescentou ele.

Frustração

A estratégia de Temer frustrou parte da bancada que aguardava pela reunião com todos os parlamentares da Câmara. Para alguns, Temer apenas buscou uma forma de esvaziar um encontro em que teria de lidar com muitas insatisfações. Deputados do Rio de Janeiro preferem não falar abertamente, mas prometem boicotar o encontro caso o vice-presidente proponha um encontro apenas do a bancada do Estado.

"Acho que ele não tinha nada de novo para dizer diante das cobranças e deve estar esperando novos acontecimentos", arriscou o deputado Osmar Terra (RS). "Não sei se isso muda algo, mas a bancada não está irritada com o Temer. Estamos irritados com o governo. Ninguém mais defende o governo nas reuniões da bancada", declarou Terra. Temer ainda não contatou outros membros da bancada para marcar a próxima rodada com os deputados.

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