Nome de Aloysio Nunes para vice de Aécio Neves ganha força no PSDB

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo |

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Perguntado sobre chapa puro sangue que une SP e MG, senador tucano brincou: ‘Me criei tomando café com leite’

A menos de dois meses das convenções, o nome mais forte para vice do senador Aécio Neves (PSDB-MG), pré-candidato a presidência da República, é o do senador Aloysio Nunes Ferreira, hipótese que permitiria uma chapa inédita entre os tucanos paulistas e mineiros depois da redemocratização. “Me criei tomando café com leite. Gosto muito”, brincou o senador quando um jornalista perguntou se ele estaria tentando reeditar, desta vez com uma chapa puro sangue, a velha “política do café com leite”, como ficou conhecido o acordo de quase três décadas entre São Paulo e Minas nas sucessões presidenciais do início da República.

Leia mais: Aécio diz que ‘todas as fichas’ para instalar CPI da Petrobras estão no STF

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Senador tucano Aloysio Nunes é um dos nomes mais fortes para chapa de Aécio Neves

O que há de concreto nessa articulação é que Nunes Ferreira, líder do partido no Senado, é o candidato de consenso na bancada paulista do PSDB e não enfrenta resistências entre os tucanos de alta plumagem. No almoço desta terça-feira em São Paulo, Aécio, sempre ao lado de Nunes Ferreira, traçou um panorama otimista sobre as chances do PSDB voltar ao governo federal e decidiu que São Paulo será o principal centro de decisões da campanha. A convenção que definirá a chapa, prevista para o final de maio ou início de junho, será realizada na capital paulista, um sinal de que o vice deve ser da região.

Desde que se lançou pré-candidato, Aécio já cumpriu 15 agendas em São Paulo. A partir de agora, vai intensificar. “A eleição será decidida, em grande parte, em São Paulo. Tem essa tese (de o candidato ser paulista), mas o vice ainda deve ser avaliado”, desconversou o senador, que tem outra prioridade nesse momento: envolver os caciques tucanos, especialmente o ex-ministro e ex-candidato José Serra, que ainda não se integrou aos esforços da pré-campanha. “Sou o instrumento da unidade. Ela é fundamental. O PSDB está mais unido do que nunca”, garante Aécio.

Aloysio Nunes Ferreira diz que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, cotadíssimo na bolsa de especulação para disputar ao lado de Aécio, não será o vice. “Não tem sentido. Ele já foi presidente”, desconversou o senador, emendando a frase com uma brincadeira: “Quer uma informação em primeira mão? Serei eu”. Depois, também desconversou. Na avaliação da bancada paulista, Nunes Ferreira tem as qualidades de um vice: o passado na esquerda armada, como a presidente Dilma Rousseff, foi ministro (Justiça), tem preparo e bom desempenho no Senado, não é condenado em desvios morais e, principalmente, é discreto. Pelas mesmas razões, seu nome é citado também como possível coordenador nacional da campanha.

“Meu desejo é que o candidato seja o Aloysio. Ele é um nome natural e de consenso”, afirmou o deputado estadual Carlos Bezerra, depois do encontro com Aécio, nesta quinta-feira, num restaurante em São Paulo. O líder do partido, Cauê Macris, afirma que Nunes Ferreira é um bom nome, mas teria dificuldades de largar as atividades de líder no Senado para se dedicar a campanha.

Potencial no Sul e Centro-Oeste

No encontro com os tucanos paulistas, Aécio traçou um cenário favorável à oposição. Disse que ao concentrar esforços em São Paulo, o PSDB passa a ter chances de sair bem na região de maior densidade eleitoral, o Sudeste, já que teria, naturalmente, o domínio de Minas. “Minas não tem candidato a presidente há 60 anos. Lá somos favoritos”, afirmou Aécio, segundo um deputado que participou do almoço, que foi fechado à imprensa. Ele afirmou também que as pesquisas apontam potencial de crescimento na região Sul e no Centro-Oeste.

A presença de Eduardo Campos (PSB) como candidato nordestino, segundo Aécio, dá a oposição pelo menos a esperança de “perder por menos” num terreno onde o PT dominou com larga vantagem nas últimas três eleições, graças ao carisma do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pernambucano de Garanhuns.

O pré-candidato tucano também decidiu focar as críticas na gestão da presidente Dilma Rousseff e não mais na figura de seu principal cabo eleitoral, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que, mesmo fora do governo, era o alvo preferencial dos tucanos. Agora a aposta é no desgaste da imagem de Dilma como gestora e na hipótese de fadiga no projeto petista.

Nesta quinta, durante entrevistas, ele voltou a bater na crise da Petrobras para justificar a abertura da CPI e no impacto dos aportes financeiros às empresas de energia nas contas do consumidor em 2015 para afirmar que nesse e em outros setores o governo está criando bombas-relógio. “O que move o governo é a agenda eleitoral. Esses adiamentos não fazem bem a economia”, disse. Segundo ele, a baixa confiança da população nas medidas econômicas é refletida na queda de popularidade da presidente Dilma.

Perguntado sobre a possibilidade de vingar o movimento “Volta Lula”, Aécio disse que não está preocupado. “Venha quem vier, estamos preparados”, afirmou. No PSDB paulista, apesar dos desmentidos do ex-presidente, essa é uma hipótese bem considerável, conforme avaliação do vice-presidente do partido, Alberto Goldman.

“O Lula está louco para sair candidato. Se não estivesse, teria mandado os deputados do PT calar a boca”, avalia Goldman. Nesse caso, conforme as pesquisas, as chances da oposição chegar a um segundo turno ficariam mais distantes. Mas Goldman acha que no final poderia se repetir a tragédia eleitoral que atingiu o deputado Paulo Maluf, que apostou todas as fichas na eleição de Celso Pitta e acabou arcando com todo o desgaste quando este encerrou uma gestão mal avaliada na Prefeitura paulistana.

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