PMDB da Câmara cobrará apoio de Temer na relação com o governo

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Deputados alegam que são tratados como inimigos pelo PT nos Estados, reclamam que não têm protagonismo no governo e pedem posição mais independente sobre CPI da Petrobras

A bancada do PMDB na Câmara dos Deputados tem encontro marcado nesta quarta-feira com o vice-presidente da República, Michel Temer. A reunião será realizada às 14h, na casa do vice-governador do Distrito Federal, Tadeu Filippelli. Os deputados pretendem servir um menu farto de reclamações ao vice-presidente para deixar claro a Temer que a bancada está descontente com o governo e que cresce o número de parlamentares que votará contra a manutenção da aliança com o PT na convenção nacional do partido, marcada para o dia 10 de junho. Os deputados querem saber de Temer se o PMDB tem alguma estratégia para lidar com as questões que hoje são motivo de desavença entre os dois aliados.

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O cenário nos Estados tem sido um ponto de tensão importante para os deputados do PMDB. Tanto que os mais exaltados defensores de um rompimento com o governo são parlamentares de Estados em que PT e PMDB são adversários. Daí surgem focos importantes de litígio no Rio Grande do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Bahia e Mato Grosso do Sul. Ontem, durante a reunião da bancada, deputados de Goiás também manifestaram descontentamento com a presidente Dilma Rousseff (PT), dando força para a corrente beligerante.

Agência Brasil
Os deputados querem saber de Temer se o PMDB tem alguma estratégia para lidar com as questões que hoje são motivo de desavença entre os dois aliados

Nesse quesito, os deputados reclamam que são tratados como inimigos pelo PT. Essa corrente avalia que o partido da presidente tem feito movimentos claros no sentido de ganhar espaço em detrimento do PMDB. Citam como exemplo as entregas e eventos feitos por Dilma nos Estados que não são comunicadas pelo Executivo ou quando são, o convite seria feito em cima da hora, impossibilitando a presença deles. Alegam que o partido não consegue capitalizar os louros de um governo da qual fazem parte e dão sustentação. Sentem-se preteridos pelos petistas, que ao mesmo tempo cobram do PMDB apoio nas votações no Congresso.

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A turma do deixa disso busca na reunião uma forma de construir um diálogo que atenda às demandas do partido sem rupturas. Classificam o clima ruim de “tensão pré-eleitoral” e alegam que é tarde demais para viabilizar uma alternativa eleitoral do partido. Durante a reunião desta terça-feira, houve quem sacasse o nome de Roberto Requião como uma possibilidade de candidatura própria. Velho balão de ensaio do PMDB nacional, Requião é combatido pela ala mais pacífica que argumenta que o ex-governador do Paraná não consegue sequer agregar o partido no seu Estado.

CPI da Petrobras

A criação da CPMI da Petrobras é outro assunto que tem despertado atritos entre PT e PMDB. Na reunião da bancada desta terça-feira, o PMDB fechou questão sobre o tema: apoiará a criação de uma CPI para investigar somente a estatal petrolífera. Não dará apoio à estratégia do governo de inchar a CPI por meio de requerimento que amplia o escopo da investigação incluindo o Metrô de São Paulo e o Porto de Suape, em Pernambuco.

Algumas alas da bancada defendem inclusive que Temer assuma uma posição mais clara sobre a CPI da Petrobras para que o PMDB possa sinalizar de forma explícita ao eleitor que defende a investigação. Os deputados avaliam que um posicionamento dúbio sobre o tema poderia resultar em sérias consequências eleitorais. Muitos dizem que têm sido cobrados em suas bases a respeito do tema e que ficam em posição desconfortável ao tentar explicar a manobra do governo de desviar o foco da investigação.

Nesse assunto, uma rusga com o PMDB do Senado também acaba exposto. Os deputados, que já andam descontentes com as lideranças no Senado, criticam a estratégia de Renan Calheiros (PMDB-AL) de jogar a decisão sobre a abrangência da CPMI para a Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Consideram que esse foi mais um movimento da elite do PMDB no Senado em favor do governo e contra os correligionários. Por isso não é comum que os deputados do partido critiquem reservadamente de modo muito enfático não apenas Renan, mas José Sarney (AP), Romero Jucá (RR) e o próprio Temer.

Os recentes embates relacionados à votação de vetos presidenciais aumentou a insatisfação do PMDB da Câmara em relação aos correligionários do Senado. Os deputados do PMDB acusam seus pares no Senado de trabalhar em parceria com o governo e contra os interesses defendidos pelo partido na Câmara. O episódio de apreciação do veto ao projeto que muda as regras para a criação de novos municípios é o mais lembrado.

Reunião esvaziada

Na semana passada, Temer esteve reunido com parte da bancada para um jantar, também na casa do vice-governador do Distrito Federal. O baixo comparecimento, entretanto, motivou o encontro desta semana. Alguns veem no episódio um termômetro da popularidade de Temer entre os deputados, outros atribuem o grande número de ausentes aos trabalhos na Câmara aliado ao temporal que caiu na Capital federal naquela noite. De um modo ou de outro, a artilharia começou naquela ocasião. Os deputados reclamaram, e pretendem trazer de volta o tema, sobre a falta de protagonismo dentro da gestão petista. Alegam que não são convidados a participar ou mesmo a opinar nos programas do governo federal.

De acordo com o relato de parlamentares presentes àquele encontro, o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), fez a fala mais direta cobrando mais atenção de Temer em relação às demandas dos deputados. A muitos desagradou o fato de o encontro ter sido convertido num jantar, evento social que consideraram incompatível com o clima interno e com as demandas por respostas do vice-presidente. Os elogios ao encontro ficaram mesmo para o cordeiro servido como um dos pratos principais. No mais, a cobrança de uma reunião estritamente de trabalho, onde os temas mais ásperos pudessem ser abordados sem constrangimento, resultou na rodada desta semana.

Na ocasião, os deputados ouviram de do vice-presidente que ele respeitará as deliberações da Executiva Nacional no que diz respeito a manutenção da aliança com o PT. De acordo com parlamentares presentes no primeiro encontro, Temer usou sua fala para rebater um argumento que não foi diretamente usado contra ele, mas que é recorrente nas conversas reservadas. Ele disse que não está buscando emprego de vice-presidente e que tudo que conquistou em sua carreira política deve ao PMDB. Muitos deputados reclamam que Temer se preocupa mais consigo do que com a situação de seus correligionário. Daí a resposta de Temer.

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