Conselho de Ética abre processo para investigar Vargas por elo com doleiro preso

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Colegiado vai investigar se vice da Câmara quebrou decoro na relação com Alberto Youssef, preso em operação da PF

O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados instaurou nesta quarta-feira (9) processo por quebra de decoro contra o 1º vice-presidente da Casa, deputado André Vargas (PT-PR). O parlamentar está licenciado do mandato por 60 dias desde segunda-feira (7) após ser alvo de denúncias por ligação com o doleiro Alberto Youssef, preso em operação da Polícia Federal contra lavagem de dinheiro.

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A representação é de autoria dos partidos de oposição: PSDB, DEM e PPS. O relator do processo, escolhido pelo presidente do Conselho, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), será o deputado Júlio Delgado (PSB-MG), responsável por elaborar um relatório preliminar para avaliar a admissibilidade do caso. A escolha de Izar foi feita após sorteio de lista tríplice que tinha, além do nome de Delgado, Renzo Braz (PP-MG) e Roberto Teixeira (PP-PE).

A partir da instalação do processo contra Vargas, Delgado terá 90 dias para apresentar o relatório final. Izar pretende apressar esse prazo para evitar que a deliberação fique para depois do recesso parlamentar

Entenda o caso

Alan Sampaio / iG Brasília
André Vargas (PT-PR) é alvo de denúncias por relação com doleiro preso pela PF

Reportagem da Folha de S.Paulo publicada na semana passada, diz que Vargas usou um avião contratado por Youssef para uma viagem a João Pessoa. Segundo o jornal, o empréstimo da aeronave foi discutido entre os dois por mensagem de texto no início de janeiro. Neste fim de semana, a revista "Veja" trouxe reportagem com troca de mensagens entre os dois e há suspeitas de que atuavam juntos para fechar um contrato com o Ministério da Saúde. Ao se explicar por meio de nota, o parlamentar disse que é amigo de Youssef, mas negou envolvimento com irregularidades.

Com a licença, Vargas perde direito, pelo período em que estiver fora da Câmara, à remuneração mensal de R$ 26.723,13 e à verba de gabinete. O cargo de 1º vice-presidente da Câmara ficará vago nesse período e as tarefas do cargo podem ser designadas a qualquer membro da Mesa Diretora. Para compor o quórum da Mesa Diretora, será chamado o 1º do colegiado, deputado Gonzaga Patriota (PSB-PE).

Youssef está preso desde o dia 17 pela Operação Lava Jato, deflagrada pela Polícia Federal em seis Estados e no Distrito Federal. Mais de 20 pessoas foram presas suspeitas de participar do esquema de lavagem de dinheiro que, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), movimentou mais de R$ 10 bilhões. Um dos presos foi o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa.

Com Agência Câmara

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