Presidente do Conselho de Ética sonda deputados para relatoria do caso Vargas

Por Marcel Frota - iG Brasília |

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Nomes consultados por Izar para assumir parecer sobre suposto elo do petista com doleiro são considerados rigorosos

Quatro deputados saíram na frente para ficar com a relatoria do caso que julgará no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara dos Deputados o envolvimento de André Vargas (PT-PR) com o doleiro Alberto Youssef. Youssef foi preso no dia 17 de março no âmbito da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. O presidente do conselho, deputado Ricardo Izar (PSD-SP), consultou os deputados Antônio Roberto (PV-MG), Júlio Delgado (PSB-MG), Marcos Rogério (PDT-RO) e Ronaldo Benedet (PMDB-SC) para sondá-los sobre a possibilidade de aceitarem a relatoria.

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Alan Sampaio / iG Brasília
Vice-presidente da Câmara André Vargas

Como a representação contra Vargas foi protocolada em conjunto por PSDB, PPS e DEM, nenhum dos membros do Conselho de Ética desses partidos poderá assumir a relatoria. Excluem-se também deputados do PT, partido do representado. Como apenas membros titulares podem assumir relatorias, sobraram 14 nomes. Desses, quatro já ocupam a posição de favoritismo para comandar o relatório. A representação foi protocolada na Mesa Diretora e deve chegar ao Conselho de Ética em até três dias após sua publicação, o que deverá ser feito nesta terça-feira.

Nesta segunda-feira, Vargas, que é primeiro vice-presidente da Câmara, entrou com pedido de licença não remunerada pelo prazo de 60 dias alegando motivação de ordem particular. Vargas admitiu ter pedido emprestado um jatinho de propriedade de Youssef para uma viagem de férias para João Pessoa, na Paraíba. Na semana passada, em discurso no plenário, o petista chegou a dizer que foi “imprudente” ao pedir a aeronave emprestada.

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A escolha do relator do caso acontecerá na próxima sessão do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar. A seleção é feita a partir de um sorteio que selecionará três nomes. A partir dessa lista tríplice, o presidente do conselho escolhe o relator. A sondagem de Izar com os quatro deputados é uma forma de assegurar que sua escolha não seria rejeitada, caso optasse por um deles na lista tríplice.

Relator linha dura

Os quatro nomes contatados pelo presidente do Conselho de Ética apontam uma tendência da escolha: rigor. Os deputados não querem passar a mensagem de que a Casa pretende varrer o episódio para debaixo do tapete. Ronado Benedet, por exemplo, pediu a cassação de Carlos Alberto Lereia (PSDB-GO) por seu envolvimento com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Seu relatório foi elogiado por membros do conselho, mas a forma como ele o defendeu no plenário foi apontada como falha. O parecer acabou derrotado, com a ajuda do PT, no Conselho e Lereia escapou da cassação.

Marcos Rogério é considerado um deputado meticuloso, apontado por membros do Conselho como um perfil adequado para avaliar os detalhes do envolvimento de Vargas com o doleiro. Antônio Roberto e Julio Delgado também são considerados deputados com perfil rigoroso, que não deverão aliviar no parecer do petista. Para membros do conselho, qualquer um dos nomes sondados por Izar devem caminhar no sentido de pedir a cassação de Vargas.

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