Juiz manda ao STF investigação sobre elo entre vice da Câmara e doleiro preso

Por Agência Brasil |

compartilhe

Tamanho do texto

Supremo investigará a natureza da relação entre o deputado André Vargas e o doleiro Alberto Youssef, flagrados em diálogos e mensagens em meio à Operação Lava Jato

Agência Brasil

A Justiça Federal no Paraná determinou hoje (7) que parte da investigação da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, na qual o deputado federal André Vargas (PT-PR) é citado, seja remetida ao Supremo Tribunal Federal (STF). A decisão foi tomada pelo juiz Sérgio Fernando Moro após constatar ˜elementos probatórios˜ que apontam para relação entre Vargas e o doleiro Alberto Youssef. O deputado não é investigado na operação, mas diálogos e mensagens entre os dois foram encontrados durante as investigações.

Câmara: Oposição pede que Conselho de Ética abra processo contra André Vargas

Leia mais: Alvo de denúncia, vice-presidente da Câmara pede licença de 60 dias

Poder Online: Amigos aconselharam André Vargas a não insistir e aceitar licença

Moro determinou também que a Polícia Federal reúna, em uma investigação separada das provas colhidas na operação, os fatos que envolvem Vargas e o doleiro para que a relação entre os dois seja analisada pelo Supremo. De acordo com o juiz, a Justiça Federal não tem competência para processar e julgar fatos envolvendo o deputado federal. A remessa ao STF deve ocorrer em dez dias.

Alan Sampaio / iG Brasília
André Vargas (PT-PR), presidente da Câmara

“Revendo os autos, constato que entre os diversos fatos investigados foram colhidos, em verdadeiro fortuito de provas, elementos probatórios que apontam para relação entre Alberto Youssef e André Vargas, deputado federal. Prematura a afirmação de que tal relação teria natureza criminosa”, afirmou o juiz.

O deputado André Vargas, primeiro-vice-presidente da Câmara, pediu hoje (7) licença da Casa pelo prazo de 60 dias para tratamento de assuntos de interesse particular. Nesse período, ele ficará afastado tanto do cargo de deputado quanto do de vice-presidente da Câmara.

Também na tarde de hoje, o PSOL entrou com nova representação na Mesa. O partido vai, ainda, entrar com ação no Ministério Público para que o órgão investigue Vargas. O PSOL pede que sejam investigadas a utilização do avião particular por André Vargas, a relação entre ele e o doleiro e as condutas do deputado no âmbito do Ministério da Saúde.

A Operação Lava Jato foi desencadeada no dia 17 de fevereiro. A Polícia Federal cumpriu 24 mandados de prisão e 15 de condução coercitiva, além de 81 mandados de busca e apreensão em 17 cidades. Cerca de 400 policiais participaram da operação.

A organização criminosa contava com quatro grupos, que tinham à frente doleiros que lucravam com câmbio paralelo ilegal, mas também praticavam crimes como tráfico de drogas, exploração e comércio ilegal de diamantes e corrupção de agentes públicos.

Leia tudo sobre: andré vargasalberto youssef

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas