Para governo, outra CPI e financiadores acalmam oposição

Por Brasil Econômico - Gilberto Nascimento |

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Setores do governo recuaram da estratégia de ampliar a CPI da Petrobras e incluir outros temas incômodos à oposição

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Parlamentares governistas avaliam que a decisão de criar uma outra CPI mista, a do cartel dos trens em São Paulo para atingir o PSDB, ajudará a arrefecer o ânimo de oposicionistas. Setores do governo recuaram da estratégia de ampliar a CPI da Petrobras e incluir outros temas incômodos à oposição. Muitos petistas concluíram que a alternativa enfrentaria problemas inclusive jurídicos. Governistas também insinuam que a oposição quer a CPI da Petrobras, mas não muito. “A gente nota que falta garra na oposição”, observa o deputado petista Candido Vaccarezza (SP). Uma das razões, na análise de políticos ligados ao Planalto, é de que alguns financiadores de campanhas de parlamentares oposicionistas não teriam interesse na CPI da Petrobras.

No Senado, governo e oposição disputam a criação da comissão. Petistas alegam que o texto trata de quatro fatos determinados e, na verdade, exigiria a formação de uma CPI para cada um. Foi lido também outro requerimento, do PMDB. Na Câmara, os oposicionistas voltaram a coletar assinaturas para a CPI, agora com o texto igual ao do Senado, para uma comissão mista. Os petistas na Casa trabalham em duas frentes: a incorporação do tema cartel dos trens na proposta de CPI ou a criação de uma comissão para tratar do assunto. Para o líder do PPS, Rubens Bueno (PR), os temas não podem ser misturados. Ele diz que assina o pedido de outra comissão. Em São Paulo, o ex-governador José Serra, cujo governo seria um dos investigados pela comissão proposta pelos petistas, reagiu com tranquilidade. Para ele, a ameaça da CPI não passa de “tititi”.

Cargo decorativo

Com o retorno da ex-ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann ao Senado, o líder do governo na Casa, Eduardo Braga (PMDB-AM), ficou praticamente sem função. Gleisi articula com os senadores e o governo, enquanto Braga carrega a coroa. Ela é conhecida agora como “um soldado” do governo no Senado

Oposição na ilha

Pré-candidatos à Presidência da República, o senador Aécio Neves (PSDB), e o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), confirmaram presença na 13ª edição do Fórum de Comandatuba, entre os dias 1 e 4 de maio, no Hotel Transamérica na Ilha de Comandatuba, na Bahia. O encontro, promovido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), prevê debates sobre política econômica, gestão empresarial e responsabilidade social.

Zeca protesta

Em seu blog, o deputado Zeca Dirceu (PT-PR), filho do ex-ministro José Dirceu, protestou contra o fato de o pai, condenado ao semiaberto, estar preso em regime fechado há 130 dias. Para ele, apesar do avanço democrático, ainda há uma “força autoritária de uma justiça que age com dois pesos e duas medidas”.

Serra na defesa dos tempos de Jango

Para uma plateia de estudantes de uma escola particular e antigos colegas da resistência à ditadura, o ex-governador José Serra afirmou ontem à Comissão da Verdade paulistana que a corrupção e o patrimonialismo na época de João Goulart eram menos graves que na Nova República. Depois, aos jornalistas, explicou que a crítica não era apenas às gestões Lula e Dilma, mas também fez questão de dizer que no governo FHC, do qual fez parte, o problema havia “arrefecido”.

Sem pressa para falar sobre o futuro

Presidente da UNE na época do golpe, José Serra falou sobre o governo Jango, a resistência e o exílio. Analisou o impacto da inflação no início dos anos 60, principalmente em relação ao preço dos alimentos. No entanto, o ex-governador não estava com a mesma disposição para falar sobre o futuro. Não confirmou se será candidato a deputado federal, como tem sido dito.

Pedro Dallari, presidente da Comissão Nacional da Verdade, sobre decisão das Forças Armadas de instaurar sindicância para investigar o uso de instalações militares para prática de tortura: “É um gesto muito importante que pode representar um grande avanço para a apuração das graves violações de direitos humanos ocorridas durante o regime militar”

*Com Leonardo Fuhrmann

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