Blocão perde força, mas rebeldia ainda pode render problemas ao governo

Por Reuters , Por Maria Carolina Marcello |

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Blocão perde força, mas rebeldia ainda pode render problemas ao governo

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A rebelião que culminou com a formação do "blocão" e impôs derrotas ao governo na Câmara começa a mostrar seus primeiros sinais de arrefecimento, mas o sentimento de insatisfação generalizada de deputados ainda pode render alguma dor de cabeça ao Palácio do Planalto.

Dilma anuncia nova etapa da reforma ministerial com troca de seis ministros

Parte dos integrantes do bloco de rebeldes --caso do PSD, PDT, PP e Pros-- já anunciaram que não fazem mais parte do grupo. Originalmente criado por iniciativa do presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), o grupo reunia oito legendas, entre elas o oposicionista Solidariedade.

A pauta da Casa trancada, a demora na liberação de emendas parlamentares, as mudanças ministeriais e um tratamento do governo considerado por muitos deputados como "desrespeitoso" figuravam entre os ponto críticos que geraram o clima de insatisfação, que acabou sendo capitaneado informalmente pelo líder do PMDB na Casa, Eduardo Cunha (RJ).

Mas ao notarem disposição do governo em dialogar e para se descolar do rótulo de fisiologismo que acabou por recair sobre o grupo, legendas da base aliada passaram a anunciar publicamente que não integram mais o bloco.

"A primeira reunião (do grupo) foi convocada para discutir a pauta do Legislativo", disse à Reuters o líder do PDT na Câmara, Vieira da Cunha (RS).

"No momento em que esse grupo foi taxado de blocão, e atribui-se a esse grupo a função de pressionar o governo, o PDT anunciou publicamente que não fazia parte, assim como outros partidos", explicou. "O PDT não saiu do blocão porque nunca entrou, na verdade."

No entanto, o pedetista alerta, assim como outras lideranças consultadas pela Reuters, que o clima instável permanece.

Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), David Fleischer, a "tempestade diminuiu, mas não acabou". Ainda assim, ele avalia que há possibilidade de acalmar os ânimos, uma vez que o bloco perdeu força e senadores peemedebistas impediram que a crise contaminasse o Senado.

"Esse conflito não vai acabar amanhã, mas vai ser esvaziado aos poucos", afirmou o cientista político. " A Dilma vai ter que sentar e conversar mais com os políticos."

Fleischer cita ainda a reforma ministerial conduzida pela presidente --na quinta-feira, o Planalto anunciou a troca de comando em seis ministérios.

Embora tenham sido encaradas como escolhas técnicas, as indicações da presidente para ministérios da "cota" do PMDB da Câmara não bateram de frente com o partido.

Para ele, Dilma foi "astuta" ao indicar Neri Geller para a Agricultura. O escolhido tem um bom trânsito com a bancada da Câmara. No Turismo, o nome inicialmente ventilado causou ruído na bancada. A presidente indicou, então, Vinicius Nobre Lages.

Dilma, porém eximiu-se de atender a antiga demanda do PMDB --o comando do Ministério da Integração Nacional. A pasta deve ser mantida sob o comando do Pros.

PROBLEMAS À VISTA

O governo mobilizou e ativou suas vias de diálogo, mas algumas ameaças pairam no horizonte, na forma de propostas indigestas, cujas votações ainda podem refletir a falta de sintonia na base.

Dentre as matérias que ainda podem trazer dor de cabeça, estão o Marco Civil da Internet, na Câmara, e os vetos presidenciais a projeto de trata da criação e fusão de municípios, previstos para serem votados na terça-feira.

No caso do Marco Civil, o PMDB já vinha anunciado posição contrária à do governo, que defende o parecer do deputado petista Alessandro Molon (RJ). Nesta semana, Eduardo Cunha apresentou um texto alternativo ao de Molon, assim como o DEM, que irá propor um substitutivo ao projeto.

Para o líder do PSD, deputado Moreira Mendes (RO), o ambiente já dá sinais de distensão, e o encaminhamento do Marco Civil é que vai fornecer um termômetro de como a base está reagindo aos esforços do governo.

"Ele vai ser o balizador. O governo já mudou a condução, está mais aberto, a conversa tem sido mais franca", avaliou.

Outro elemento que pode botar panos quentes na crise é a liberação de emendas, compromisso assumido pelo governo ainda no ano passado e reiterado pelo quando percebeu o acirramento dos ânimos.

Segundo o vice-líder do governo, deputado Henrique Fontana (PT-RS), os partidos da base, ao formarem o bloco, emitiram um alerta para o Planalto.

"Acho que a partir de agora o recado foi entendido pelo governo. Precisamos dialogar, ter muita capacidade de ouvir, muita humildade", reconheceu.

"Mas, ao mesmo tempo, não é razoável que os aliados, se estão na base, tenham posição de querer derrotar a presidente."

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