Resultado reflete a insatisfação de boa parte da base aliada com a condução política do Palácio do Planalto

Reuters

A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira a criação de uma comissão externa para acompanhar apurações que estariam ocorrendo na Holanda sobre suposto pagamento de propina por uma empresa holandesa a funcionários da Petrobras.

O PT chegou a questionar a validade da comissão, argumentando que a investigação não foi formalmente instalada por órgão equivalente ao Ministério Público na Holanda, mas o requerimento foi aprovado por 267 votos a 28.

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O resultado, que representa uma derrota para o governo, reflete a insatisfação de boa parte da base aliada com a condução política do Palácio do Planalto.

A bancada de deputados peemedebistas decidiu adotar uma postura de independência nas votações na Câmara e pedir a convocação de uma reunião da comissão executiva do partido para debater a atual crise e "reavaliar a qualidade" da aliança com o PT. os deputados também concordaram em votar contra o projeto de lei que cria o marco regulatório da internet.

Bancada do PMDB decidiu adotar uma postura de independência nas votações na Câmara
Agência Brasil
Bancada do PMDB decidiu adotar uma postura de independência nas votações na Câmara

A decisão dos deputados aumenta a pressão sobre a aliança nacional entre os dois partidos pelo projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff, que nos últimos dias tem feito reuniões com caciques do PMDB para tentar garantir o apoio oficial de legenda e isolar o líder da bancada na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), que tem capitaneado os movimentos dos aliados insatisfeitos.

Não há data marcada para a reunião da comissão executiva, mas é provável que ela ocorra na próxima semana. A tendência é que além de debater a relação com o governo também seja discutida a possibilidade de convocar uma convenção nacional do partido para determinar se o casamento com o PT será mantido ou não.

Cunha disse após a reunião que o movimento da bancada não visa o rompimento com o governo e o fim da aliança eleitoral, mas não detalhou o que o governo ou o PT podem fazer para evitar o racha instalado. "O que existe é uma insatisfação generalizada sobre o processo hegemônico feito pelo PT, que avança prejudicando as bancadas de partidos aliados, notadamente o PMDB", disse o líder.

A tensão entre PMDB e PT teve como estopim a insatisfação da bancada peemedebista, principalmente na Câmara, com o encaminhamento dado por Dilma à reforma ministerial.

Mas o PMDB já vinha dando sinais de descontentamento com a presidente desde o início do seu mandato, por entender que a interlocução com o Palácio do Planalto e o espaço do partido no governo são insuficientes. O ritmo de liberação de emendas parlamentares também tem sido ponto de atrito.

Com Reuters

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